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Taxa antidumping acirra ânimos entre fabricantes de calçados

Adidas, Alpargatas, Penalty e Nike consideram sobretaxa de US$ 13,85 excessiva e rebatem argumento da Vulcabras|azaleia.

A decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Brasil de sobretaxar por antidumping o calçado importado da China está agitando o mercado de tênis. Os US$ 13,85 impostos em março ao par de sapato chinês que entra no país promove um racha entre fabricantes.

A medida é apontada pela Penalty e pela Alpargatas (detentora das marcas Rainha e Topper, além das sandálias Dupé e Havaianas) como uma limitação às suas estratégias de utilizar a estrutura de produção chinesa para completar, com modelos com mais tecnologia, as linhas desenvolvida por elas aqui. “Não existe mais mercado regional, estamos dentro de um contexto mundial”, argumenta o presidente da Penalty, Roberto Estefano.

A afirmação isola parte da defesa à indústria nacional feita por Milton Cardoso, presidente da Associação Brasileira de Calçados (Abicalçados) e da Vulcabras|azaleia (dona da Olympikus e licenciadora da Reebok no país). “A manifestação contrária ao antidumping é legitima. Mas é a defesa de um objetivo individual e não do setor e do país”, rebate.

O diretor de artigos esportivos da Alpargatas, Fernando Beer, recusa o argumento de Cardoso. Para ele, faltou articulação da Abicalçados para defender o calçado social e isentar o esportivo mais desenvolvido, tecnológico. “A forma como o antidumping foi proposto não foi correta. O mercado de calçado esportivo não está sendo invadido por chineses”, garante.

O diretor jurídico da empresa, Adalberto Granjo, reforça o racha ocorrido na Abicalçados desde 2008, quando o processo de dumping foi instaurado. “O processo deveria ter tido um envolvimento maior dos sócios da entidade”, sugere. “Nunca enxergamos representatividade na fala da Abicalçados, porque ela não representa 100% dos sócios”, afirma Granjo.

Milton Cardoso se defende, dizendo que tem “apoio completo das fábricas” brasileiras. “Falo em nome de uma associação que representa mais de 7 mil empresas, responsáveis por mais de 340 mil postos de trabalho. Tenho apoio completo dessas fábricas, à exceção de três ou quatro empresas”, garante.

O executivo, contudo, diz que a Vulcabras|azaleia também é importadora, inclusive de produtos chineses. “As nossas importações equivalem àquele axioma que outros empregam ao dizer que algumas coisas não têm volume para serem produzidas no Brasil. Mas não chegam a representar 4% do nosso faturamento total”, diz Cardoso.

Prejudicado: o consumidor

A polêmica em torno do antidumping fica ainda mais acirrada quando Adidas e Nike entram em cena. Para Marcelo Ferreira, presidente da Adidas no Brasil, a proposta da Abicalçados é positiva para a Vulcabras|azaleia. “A Vulcabras acabou se beneficiando do antidumping. Não diria que foi feito para isso, mas ela é a única grande beneficiada no mercado esportivo”, afirma.

Milton Cardoso responde dizendo que a redução das importações têm motivado empresas nacionais a retomar investimentos. “A decisão da Camex destravou um monte de projetos. Temos notado crescimento muito grande dos investimentos”, garante.

Já Cristian Corsi, presidente da Nike, recusa o carimbo de importador batido pela Abicalçados. Segundo ele, a Nike produz no Brasil 50%_dos tênis que vende. O executivo diz que, apesar de aportes produtivos sucessivos no país (via prestadoras de serviço), não há escala para substituir a manufatura chinesa.

“Há o limitante da capacidade tecnológica causada pela baixa escala para produzir localmente alguns produtos.”

Corsi avalia que o antidumping prejudica o consumidor. É postura semelhante à do presidente da Penalty.

“Os prejudicados serão os esportistas amadores que correm 10, 15 quilômetros por dia. Esse universo grande de pessoas vai pagar caro por um tênis com mais tecnologia”, indica Roberto Estefano.

Nivaldo Souza /Brasil  Econômico

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