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Bens da última primeira dama da ditadura vão para leilão

O leiloeiro Roberto Haddad passou pelo martelo, ontem à noite, obras de arte e objetos que pertenceram ao acervo de Dulce Figueiredo, a última primeira dama do regime militar, que morreu em junho passado.

Os filhos de Dona Dulce não queriam a divulgação, mas foram convencidos  depois que o leiloeiro confidenciou a eles que peças oriundas de um acervo conhecido sempre sobem de preço. Aliás, foi o mesmo Roberto Haddad quem leiloou os bens do ex-presidente João Figueiredo, que sua viúva colocara à ven

O leilão vai até o dia 6. Na quarta e quinta da próxima semana, a casa venderá jóias, muitas das quais foram da ex-primeira dama.

Do Blog de Anna Ramalho

Metalúrgicos amigos de Lula recebem indenização

Trinta e nove ex-companheiros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas greves do ABC nos anos 70 e 80 que foram presos, torturados e perseguidos políticos durante a ditadura militar, conseguiram reparações econômicas da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Nesta terça-feira, a comissão se reuniu em São Bernardo do Campo e concedeu indenizações que foram, em média, de R$ 264 mil, para 27 deles e mais R$ 2.078 por mês.

A indenização mais alta, contudo, foi de R$ 474 mil, mais uma pensão mensal de R$ 2.200 para Francisco das Chagas Souza. Doze deles terão uma parcela única, de R$ 78 mil, em média.

– Embora tardiamente, fizemos alguma justiça para a peãozada do ABC. Foi uma coincidência histórica muito grande eles terem sido anistiados exatamente neste governo do antigo companheiro de lutas deles – disse o presidente da Comissão, Paulo Abrão.

No total, foram julgados 41 processos, mas dois tiveram pedidos de vistas.

A “ex-companheira de Lula”, Zoraide Gomes de Oliveira, no entanto, ficou contente. Conseguiu a indenização e uma renda mensal (ela pede que os valores não sejam divulgados). Passou um ano e meio presa, desde uma atividade clandestina na Cofap, em Santo André, em 1971. A filha, que tinha um ano e meio, foi levada pelos militares e demorou anos para ser resgatada por Zoraide:

– Ela nunca me perdoou. Fala que eu não gosto dela, que gostava mais da causa operária. Mas agora vou pegar o dinheiro e dar um apartamento para a minha filhinha – disse Zoraide.

Não é a primeira vez que a Comissão de Anistia indeniza ex-metalúrgicos nem será a última. Outros 20 ex-metalúrgicos ainda reivindicam indenizações. Dezenas de outros, como o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já foram reparados.

Os julgamentos dos casos duraram todo o dia nesta terça-feira e só foi encerrado à noite. Em vez de acontecer na sede do Sindicato dos Metalúrgicos foi realizada na Câmara Municipal de São Bernardo do Campo, para evitar “distorções políticas”. No final, o presidente da Comissão fez um pedido de desculpas oficiais aos perseguidos políticos:

– Temos a certeza de que o movimento metalúrgico foi crucial para a democratização do país. Pedimos desculpas oficiais em nome da União, por esse erro histórico que estamos tentando reparar aqui.

OGlobo

Ministro receberá indenização por exílio no regime militar

O novo ministro da Cultura, Juca Ferreira, recebeu ontem uma boa notícia: a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, em visita à capital baiana, anunciou a concessão ao ministro de uma indenização de 270 salários mínimos, no valor aproximado de R$112 mil. Para obter a reparação, Juca relatou que foi processado pelo regime militar, perseguido e condenado diversas vezes, e que a vida no exílio teria provocado grande sofrimento e desequilíbrio em sua família, levando sua mulher, na época, a cometer o suicídio.

Juca Ferreira, ex-militante estudantil, sociólogo e ambientalista, foi preso na Bahia, em 1970, por envolvimento com grupos políticos de esquerda e viveu na clandestinidade até exilar-se no exterior. O ministro teve garantida a contagem de tempo de serviço durante o período em que esteve exilado para fins previdenciários, e o reconhecimento de seu diploma do curso de sociologia concluído na Universidade de Paris. Com isso, ele terá a possibilidade de se matricular no curso de mestrado em sociologia em qualquer instituição de ensino superior.

Durante os dois dias em que esteve em Salvador, a Comissão de Anistia avaliou 12 requerimentos, envolvendo 72 casos de perseguição política. Ontem, em sessão especial, foi avaliado o caso dos petroquímicos do Pólo de Camaçari, demitidos por justa causa em 1985, já no período de redemocratização brasileira, por uma greve que durou 23 dias. Os envolvidos na greve afirmaram que tiveram seus nomes incluídos em uma lista do Serviço Nacional de Informações (SNI) e, por isso, não teriam mais conseguido trabalhar em nenhuma outra empresa do ramo.

A Tarde

Tarso quer julgamento de torturadores

O ministro da Justiça, Tarso Genro, defendeu ontem, no Rio, o julgamento de torturadores que atuaram no regime militar brasileiro (1964-1985). Segundo ele, a tortura não pode sequer ser considerada crime político:

– Eles (torturadores) têm que ser julgados, receber uma pena. Depois, podem ser anistiados. Não podem é continuar escondidos por aí. A tortura não pode ser considerada crime político, acho que a lei não precisa ser modificada porque prevê anistia política. Não é necessário mudar a legislação para que esse crime seja punido – afirmou o ministro durante assinatura de portaria que cria o Memorial da Anistia Política na sede da União Nacional dos Estudantes.

O ministro também criticou a manutenção do sigilo, por tempo indeterminado, de documentos oficiais do período da ditadura militar, como prevê decreto do fim da gestão de Fernando Henrique mantido pelo atual governo. De acordo com Tarso, o sigilo eterno é antidemocrático:

– O sigilo eterno não serve ao estado democrático de direito. Já combinei com o ministro Nelson Jobim (Defesa) que vamos colocar à disposição dele peritos para examinar documentos, informações e relatórios para desvendar gradativamente os meandros do regime militar.

OGlobo

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