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Filme: Raul Seixas o início, o fim e o meio

 

Na onda dos novos documentários que fazem a arqueologia dos primórdios da cultura pop nacional, Raul – O Início, o Fim e o Meio, de Walter Carvalho, é o filme que vem para reaproximar a lenda histórica da emoção que um dia ela causou. Raul Seixas (1945- 1989), o mito fundador do rock nacional, ressurge inteiro em sua capacidade de mobilizar, causar ternura, rebelião, beleza, atração, repulsa, orgulho, piedade, espanto.

Para reproduzir uma definição do próprio artista, é um filme que deve catapultar uma nova onda de “raulseixismo”. Segundo dados da produção, mesmo 20 anos após sua morte, Raul Seixas é um dos artistas que mais vendem discos no País, cerca de 300 mil cópias ao ano. Seus álbuns podem ser encontrados na loja Amoeba de Los Angeles ou num shopping center de Gifu, no Japão.

Raul Santos Seixas morreu em 21 de agosto de 1989, aos 44 anos. Uma vida de excessos, dias intensos, paixões tórridas, bebedeiras homéricas, ressacas apocalípticas. O legado do maluco beleza do rock nacional é quase tão vivo quanto no seu auge, nos anos 80.

Quando o cineasta Walter Carvalho pensou em um título para seu documentário sobre Raul Seixas, que estreia amanhã em todo País, imaginou apenas estampar o primeiro nome do roqueiro. Seria simples e quase autoexplicativo. Depois, achou melhor o nome todo.

O subtítulo não veio para explicar muito, talvez, mais para confundir: Raul Seixas: O Início, o Fim e o Meio. Com Raulzito, como ele era conhecido desde os tempos de moleque arteiro nas ruas de Salvador, na Bahia, até seu primeiro grupo de rock (Raulzito e os Panteras), nada seguia uma lógica.

O documentário se propõe a narrar os dias de Raulzito, do garoto fã de Elvis a artista já corroído pelos vícios. Walter Carvalho não se furta de assuntos polêmicos, como casos extraconjugais, excessos de drogas (maconha, cocaína, ácido) e os tempos em que participava de rituais satânicos. Trata-se de um retrato humano do mito Raul Seixas – com uma trilha sonora que vale o ingresso por si.

“Ao começar, minha única intenção era conhecer Raul Seixas. Eu não faço filme para provar nada”, diz o diretor Walter Carvalho. “Achava e continuo achando que um mito como Raul não tem explicação e nem deve ter. Ele está no inconsciente das pessoas.”

O esforço biográfico desencavou imagens inéditas de diversos arquivos e cerca de 94 (50 estão no filme) entrevistas em Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro e no exterior (Suíça e Estados Unidos), reunindo ex-mulheres, filhos, amigos de infância, músicos, profissionais da área musical e parceiros, como Paulo Coelho. O desfile de familiares e amigos é vertiginoso – quando Dakota, o neto de Raulzito, surge em cena, exibindo a mesma cara desafiadora e alegre do avô, um colar de couro neo-hippie no pescoço, a disposição de ouvir os discos do velho no quarto, é como uma redenção para o espectador.

Raul não nutria grande simpatia por Caetano Veloso, um dos depoimentos mais marcantes do filme, e a MPB dita “universitária” sempre teve preconceito em relação à obra dele – considerada por intelectuais da música como simplista, “tresacordista” demais, escorada muitas vezes numa sonoridade típica do brega nacional. Ainda assim, é tocante a sinceridade de Caetano ao admitir a genialidade da canção Ouro de Tolo e do seu verso preferido (“Ah! Mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado: macaco, praia, carro, jornal, tobogã; eu acho tudo isso um saco”).

O documentário provoca grandes cenas de humor involuntário, como quando confronta Paulo Coelho, escritor e ex-parceiro de Raul Seixas, com seu contrato com uma seita satanista. Paulo Coelho não voltou para rescindir o contrato, diz seu ex-mestre, o que deixa o autor (que ficou muito rico) apreensivo.

A habilidade de colocar o dedo nas feridas traz rancores adormecidos à tona: traições conjugais, brigas, esquecimentos. A equipe do filme deixa sem graça o irmão vivo de Raul Seixas, Plínio, com a lembrança de que a canção Meu Amigo Pedro foi feita em sua “homenagem”. Diz assim: “Hoje eu te chamo de careta, Pedro/E você me chama vagabundo”.

As cenas que mostram os últimos shows de Raulzito, já decadente, são dolorosas. Mas sempre muito reveladoras. O encontro no palco com o antigo partner, Paulo Coelho, o surpreende e maravilha. Mas, no camarim, Paulo Coelho não consegue ser senão protocolar com Raulzito, que quer abraçá-lo, conversar com ele. Raulzito tinha se tornado um fardo, um constrangimento para os amigos.

Não é um documentário definitivo, haverá sempre uma parte inédita de Raul a ser revelada. Baiano alegre que, aos 9 anos, imitava Elvis Presley, e, aos 20, já tinha mudado a face da música brasileira, Raul contaminou gerações com seu toque libertário.

Preste atenção

1. Raul e Paulo Coelho, em turnê, brincando de dançar sapateado e fazendo micagens lembram os Beatles (Os Reis do Iê Iê Iê)

2. Foi o irmão de Raul, Plínio, quem forneceu cenas de Super-8 inéditas e gravações em fita (Raulzito mandando recados)

3. Atores são distribuídos pelo filme. No ritual de sacrifício de animais da seita satânica, quem atua é um sósia, e não Raulzito

4. No último show de Raulzito, em Brasília, o cantor vira o microfone para o público e capta áudio da multidão gritando “Raul”

5. A última mulher de Raulzito, Helena Coutinho, foi namorada de adolescência do diretor Walter Carvalho durante dois anos

RAUL – O INÍCIO, O FIM E O MEIO

Direção: Walter Carvalho.

Gênero: Documentário (Brasil/2011, 120 min.).

Classificação: 12 anos.

Estreia dia 23

 

 

CINEMA: RAUL SEIXAS – O INÍCIO, O FIM E O MEIO


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Tá a Folha de SP de hoje
MORRIS KACHANI

Vinte e dois anos após sua morte, finalmente Raul Seixas, ícone máximo do rock’n’roll brasileiro, está ganhando uma biografia a sua altura. E feita por um peso pesado do cinema nacional, o diretor Walter Carvalho, de “Janela da Alma” e “Cazuza”.

 

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“Raul Seixas – O Início, o Fim e o Meio” será exibido pela primeira vez no Festival do Rio, no dia 17. A Folha teve acesso exclusivo ao documentário. O filme cutuca vários vespeiros e elucida pontos obscuros de sua carreira.

“O Raul era um artista que tinha pressa, inquieto, provocador e libertário. A ideia foi filmar o mito do jovem artista que se consome e morre por sua obra”, diz Walter.

Há imagens inéditas e eletrizantes de Raul no palco, como as do festival de Saquarema em 1976, idealizado por Nelson Motta nos moldes de Woodstock.

O filme também realiza a proeza de entrevistar as cinco ex-mulheres e três filhas que Raul deixou, superando um histórico familiar de desavenças.

Outro trunfo é a tentativa de esclarecer a frutífera e conturbada parceria entre Raul e Paulo Coelho, iniciada em 73 e que rendeu clássicos como “Al Capone” ou “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás”.
Durante rara entrevista em que aceita falar sobre o ex-parceiro, Coelho entrega: “Era um casamento com tudo menos sexo. Mas era complicado, havia competição”.

“Não me arrependo de ter apresentado as drogas a ele. Um cara com aquela idade (25 ou 27) já sabia o que estava fazendo. Maconha, ácido, chá de cogumelo -aquilo fazia parte da minha cultura.”
Surpresa: a certa altura uma mosca invade não a sopa, mas a sala de sua casa na Suíça, e tenta pousar no rosto de Paulo, o que o irrita. Ele diz: “Curioso, primeira vez que aparece uma mosca em Genebra. Aqui não tem”.

Em outro recorte, fala sobre a Sociedade Alternativa, inspirada no satanismo, que fundou com Raul em 74.
“Foi um período negro. Aquilo era magia radical, fora de qualquer ética”, lembra, enquanto são exibidas imagens de rituais com animais de “Contatos Imediatos do Quarto Graal”, filme em super-8 feito à época.

Walter Carvalho diz ter reunido mais de 400 horas, entre filmagens e imagens de arquivo. Mais de 90 pessoas foram entrevistadas.
Começando pelos tempos da juventude em Salvador, gênese da sua exuberante mistura entre rock e baião, personagens esquecidos ressuscitam do baú.

Caso de Dalva Borges, que cuidou de Raul nos seus últimos suspiros. Para o filme, reconstitui “in loco” a manhã em que encontrou o músico morto no seu apartamento.

Há mais boas surpresas -como Caetano cantando “Ouro de Tolo”. E outra controversa parceria, com Marcelo Nova, é esmiuçada no filme.
Talvez a única lacuna seja a ausência do episódio de Caieiras, em 82, quando Raul foi confundido com um sósia em um show e quase acabou linchado. Mas disso os fãs não podem reclamar: Rita Lee interpreta Raul otimamente, nessa exata situação, no curta “Tanta Estrela por Aí” (1993), de Tadeu Knudsen.

RAUL SEIXAS – O INÍCIO, O FIM E O MEIO
DIREÇÃO Walter Carvalho
PRODUÇÃO Brasil, 2011
ESTRÉIA QUANDO no dia 17, às 21h15, no Odeon Petrobras

Bomba: Fiuk seria Raul Seixas no cinema

Depois alcançar o sucesso participando da série Malhação ID, o astro pop-juvenil Fiuk já definiu qual o próximo passo em sua carreira. O cantor voltará aos cinemas interpretando Raul Seixas, o maior astro do rock brasileiro.

O filme, com título provisório “Raul: A Metamorfose Ambulante”, será lançado em 2011, como parte da comemoração dos que seriam os 60 anos do roqueiro.

Fiuk afirmou não ter sido fácil ganhar o papel. “Para se viver um ícone do rock como o Raul, tem que ter muita energia e vibração”, revelou o artista.

Na disputa pelo papel, Fiuk teve como concorrentes outros atores-cantores como os vocalistas Di Ferrero do NXZero e Chorão do Charlie Brown Jr.

Além da performance, Fiuk credita a outros fatores a sua conquista. “Pelo o que eu estudei do personagem, ele era baiano, nascido em Salvador. Acho que isso tem tudo a ver comigo, eu adoro passar o Carnaval lá. Apesar de não ser a música que eu goste, adoro esse clima de festividade. Minhas fãs mostram grande carinho por mim quando estou lá”.

Segundo Fiuk, o preparo para entrar no personagem tem sido intenso. “Estive lendo algumas biografias do Raulzito e parece que ele tomava muita bebida alcóolica. Para entrar mais no clima do personagem, estou até deixando de tomar Yakult e investindo pesado na Smirnoff Ice. Tenho até que pegar leve, vai que eu sigo o mesmo caminho que ele viro alcoólatra? Seria uma decepção para minhas milhões de fãs”, ponderou.

As filmagens de “Raul: A Metamorfose Ambulante” terão início no próximo mês em Salvador.

PS: Respirem aliviados, fans de Raul Seixas: a noticia acima é falsa e saiu, originalmente, num site de humor e muita gente embarcou!

A repercussão foi tão grande que até veículos de notícias reais acabaram caindo na pegadinha. Sites como “O Tempo“, de Contagem (MG), e “Jornale“, de Curitiba (PR), replicaram a matéria do “Diário de Barrelas” como se fosse verdadeira. A página do Jornale acabou sendo retirada do ar posteriormente.

Conforme a descrição no próprio site, o Diário de Barrelas “é uma obra fictícia indicada para leitores com mais de 18 anos”. Os responsáveis explicam que os textos “são criados inadvertidamente” e que as imagens publicadas “são montagens feitas com fotos obtidas por aí na internet”.

Os Panteras no “20 anos sem Raul Seixas”

A 5ª edição da Virada Cultural, grande evento público da capital paulista, inclui na sua extensa programação uma caprichada homenagem a Raul Seixas, à altura do que representa este ícone do rock brasileiro. Toda a discografia do artista será executada na íntegra no Palco Toca Raul!, armado na Avenida Cásper Líbero, em apresentações de uma bela lista de atrações, entre as 18 horas do dia 2 de maio (sábado) e as 18 horas do dia 3.

O trio Os Panteras ( foto atual), que acompanhou o conterrâneo no começo da carreira, faz a abertura e o encerramento (neste momento final, ao lado do também roqueiro baiano Marcelo Nova) das 24 horas ininterruptas de música.

Assim, o baixista Mariano, o baterista Carleba e o guitarrista Eládio dão início ao calendário de eventos em memória aos 20 anos da morte de Raul Seixas e 40 anos do lançamento do disco Raulzito e Os Panteras.

A maior expectativa se concentra, aliás, na apresentação deste álbum lendário, o primeiro da discografia de Raul e único do então quarteto. As 12 faixas de Raulzito e Os Panteras nunca foram tocadas por eles, ao vivo, para o público. Este é, portanto, um show inédito e exclusivo, razão de emoção para a banda e prato cheio para os amantes do rock e da obra do “Maluco Beleza”.
IN: http://www.cidadedebocaina.com.br/variedadeA.htm

Ainda sobre Raul seixas,

Foram iniciadas no domingo passado, 19 de abril, as filmagem do documentário sobre a vida de um dos músicos mais importantes da MPB – “Raul Seixas, o início, o meio e o fim”. As primeiras entrevistas com familiares começaram a ser filmadas na Bahia, onde também acontecerá a reconstituição de um show histórico com a banda Raulzito (Cover) e Os Panteras. Além de rodar na Bahia, os diretores Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel filmarão no Rio de Janeiro e São Paulo até a segunda semana de maio.

No fechamento das filmagens em Salvador, haverá um show fechado em um dos principais palcos do rock da Bahia com a banda Os Panteras e com público integrado por formadores de opinião, mídia e parceiros. Já em São Paulo, haverá filmagens em estradas com cerca de 50 motos e também um evento realizado pela Secretaria de Cultura do Estado de SP. Na ocasião, será montado um palco exclusivo em homenagem a RAUL SEIXAS e serão 24 horas de musicas, onde diversos convidados irão se apresentar, tocando toda a discografia do artista.

RAUL SEIXAS entrou para a história da MPB ao criar uma obra originalíssima. Em vida, Raul construiu uma carreira singular e até hoje é um dos mais executados do mercado nacional, além de ser o artista póstumo que mais vende disco no país: cerca de 300 mil cópias por ano. O documentário mostrará as diversas facetas do homem e tentará desvendar a enorme comunicação que suas músicas estabeleciam e a legião de fãs que ele continua mobilizando, quase 20 anos depois de sua morte.

A direção da obra está a cargo de dois cineastas, Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel. O filme será lançado em 2009, ano da efeméride dos 20 anos da morte do Raul Seixas. Este documentário faz parte da estratégia internacional da Paramount Pictures de investir mais na produção nacional e que teve início, entre outros, com o lançamento do documentário “Vinícius”, sobre a vida de Vinícius de Moraes. Ainda este ano, a Paramount Pictures Brasil lançará outro documentário, “Coração Vagabundo”, sobre Caetano Veloso.

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