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Beira-Mar e Abadía formaram quadrilha contra juízes

A convivência dos reis do narcotráfico do Brasil, Fernandinho Beira-Mar, e da Colômbia, Juan Carlos Ramirez Abadía, compartilhando advogados, carcereiros e visitas sob o mesmo teto no presídio federal de Campo Grande, onde estão presos, acabou produzindo resultados nefastos. Os dois se uniram em um plano para aterrorizar juízes que atuam nos seus processos e autoridades que têm o poder de atrapalhar seus negócios milionários fora da prisão.

Para isso, os dois usaram os advogados e familiares de grupos criminosos diversos, cujos chefes estão no mesmo presídio, para ameaçar essas autoridades. O plano foi descoberto pela inteligência da Polícia Federal, que desencadeou nesta segunda-feira, 4, a Operação X e prendeu oito pessoas. Uma delas é o advogado Vladimir Búlgaro, defensor de José Reinaldo Girotti, um dos maiores financiadores de grupos criminosos do País, entre os quais o Primeiro Comando da Capital (PCC), que também está preso em Campo Grande.

O outro detento que cedeu laranjas para os dois megatraficantes é João Paulo Barbosa, especializado em assalto a bancos e também ligado ao PCC. Na operação, foram presos Leonice de Oliveira e Leandro dos Santos, familiares de Barbosa, como cúmplices do esquema. Ivana Pereira de Sá foi presa quando visitava o ex-marido, Beira-Mar, no presídio.

Os oito foram levados para a carceragem da PF em Campo Grande e a justiça decidirá onde cada um ficará. É possível que Abadía, que aguarda o julgamento de pedido de extradição feito pelo governo dos Estados Unidos, seja mandado para presídio diferente do de Beira-Mar.

Com capacidade para 208 presos, em celas individuais de segurança máxima, a Penitenciária Federal de Campo Grande é considerada uma fortaleza imune a rebeliões, fugas e ações criminosas. Os banhos de sol são individuais e praticamente não há contato físico entre detentos.

Beira-Mar e Abadía, porém, tiveram a idéia criativa de compartilhar advogados e familiares de outros presos. Contaram, para isso, com a assessoria de Girotti, também conhecido como Alemão, e do advogado Búlgaro. Alemão, foragido da Justiça há mais de cinco anos, era o primeiro da lista de procurados pela PF.

Segundo a inteligência da PF, Alemão é exímio planejador de assaltos a bancos. Ele é suspeito de arquitetar os principais assaltos a bancos ocorridos no país nos últimos anos, inclusive o do Banco Central de Fortaleza, de onde foram levados R$ 164,7 milhões em 2005.

Dependendo da ação, conforme a PF, Alemão formava um grupo e recrutava os “soldados do crime”. Uma das marcas de suas ações consistia em seqüestrar familiares de gerentes de bancos e empresas de segurança bancária antes dos roubos. Os nomes das autoridades ameaçadas e dados do esquema foram mantidos em sigilo por ordem judicial, por razões de segurança.

Vannildo Mendes – O Estado de S.Paulo

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