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Morre Mercedes Sosa. América chora!

A cantora argentina Mercedes Sosa, conhecida como ‘La Negra’, uma das vozes mais famosas da música contemporânea e defensora apaixonada dos direitos humanos, faleceu neste domingo, aos 74 anos, depois de passar duas semanas internada.

A artista recebirá as honras reservadas às principais personalidades da Argentina, com o corpo sendo velado neste domingo no Congresso.

Mercedes Sosa, conhecida como ‘La Negra’ por seu longos cabelos negros, foi uma das artistas argentinas mais populares das últimas quatro décadas

Nascida em 9 de junho de 1935, foi dona de uma das vozes mais representativas do cancionário popular argentino e da América Latina e gravou mais de 40 álbuns.

Em uma de suas últimas gravações para o disco “Cantora” com Caetano Veloso:

Mercedes Sosa lançou recentemente o álbum duplo “Cantora” e foi indicada este ano para o Grammy Latino por melhor álbum e melhor cantora de álbum folclórico.

Ativista política, entre os grandes momentos de sua carreira figuram as apresentações que fez na Capela Sistina do Vaticano (1994), no Carnegie Hall de Nova York (2002) e no Coliseu de Roma (2002) para pedir pela paz no Oriente Médio.

Sosa era considerada uma das maiores difusoras da obra da cantora e compositora chilena Violeta Parra, além de ter gravado junto a diversos artistas, como os cubanos Silvio Rodríguez e Pablo Milanés e os brasileiros Milton Nascimento, Fagner e Beth Carvalho.

Mercedes Sosa é internada com pneumonia

A cantora argentina Mercedes Sosa foi internada nesta segunda-feira em uma clínica de Buenos Aires com um quadro de desidratação e pneumonia, conforme informou sua gravadora.

Ela tem 73 anos e foi hospitalizada no Sanatorio de la Trinidad, onde realizou exames médicos. Sosa havia anunciado na semana passada a suspensão de uma apresentação em Buenos Aires para apresentar seu disco mais recente, “Cantora”, por causa de uma gripe.

“Tudo começou na quinta-feira com uma gripe da qual ela não conseguiu se recuperar e por isso decidiram interná-la”, disse a agência local Telam uma fonte próxima da cantora.

A gravadora Sony, responsável por seu último álbum “Cantora”, informou que Mercedes está sendo submetida a uma bateria de exames para se ter conhecimento da evolução do quadro e seu tratamento.

O mal-estar obrigou a cantora a suspender o lançamento do disco duplo, previsto para amanhã.

Em seu novo trabalho, Mercedes volta a interpretar vários gêneros musicais, como as folclóricas musicas “Corazón Libre” e “Acústico”, junto de convidados provenientes do rock, do pop e cantores latino-americanos e espanhóis. (ANSA)

SRZD

Mercedes Sosa recebe comenda no Brasil

O presidente  Lula  fez lobby para sua condecoração e até escolheu pessoalmente o repertório que a diva argentina Mercedes Sosa cantaria, na noite de terça,  na cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural, na qual foi uma das homenageadas.
Mas não a viu cantar. Por razões meteorológicas, seu avião não pôde decolar e o presidente não compareceu à festa.

Em entrevista ao Jornal do Brasil antes da cerimônia, que durou cerca de três horas no Teatro Municipal, Mercedes rasgou elogios ao líder petista, a quem conheceu durante a reunião de Cúpula do Mercosul em Tucumán, norte da Argentina, sua terra natal e de onde tirou inspiração para suas mais importantes canções.

Apesar da saúde frágil, que faz com que se apresente sentada, a cantora, 73 anos, cumpre este mês longa agenda em países da Europa e em Israel. Em novembro, volta ao Brasil para show no dia 28 de novembro, no Vivo Rio.

– É um orgulho muito grande receber esse prêmio do Brasil. – exalta Mercedes, confirmando a escolha do repertório pelo fã ilustre: – Ele pediu para eu cantar Gracias a la vida e Misionera.

Elo forte do país, desde os anos 60, com a cultura dos povos indígenas e o folk argentino, aspectos culturais de sua sagrada Tucumán, Mercedes Sosa continua a levar ao palco, mescladas a músicas de amor, letras que falam das mazelas da América Latina.

Resquícios do movimento Nueva Canción, cujas músicas de protesto influenciaram a MPB nos anos 70, principalmente nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento, entre outros.

Vítima da repressão durante a ditadura argentina, La Negra, como é chamada carinhosamente por causa do tom dos cabelos, tornou-se respeitada ativista de esquerda.  Por isso, não dispensa o noticiário.

– Acompanho tudo o que posso pela TV. Sei exatamente o que está se passando no Brasil, no Chile, no Uruguai. De todos os países, o Brasil sem dúvida é o que conseguiu estabelecer uma democracia mais forte nos últimos 20 anos.

Mais recentemente, seu discurso político voltou com toda a força para apoiar a presidente Cristina Kirchner. A cantora também defende as posturas adotadas pelos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia.

– Defendo a Cristina, Michele Bachelet (presidente do Chile) e demonstrei meu apoio quando Chávez ofereceu enviar tropas para a Bolívia – conta. – É um absurdo tentarem boicotar o Evo, esse homem não merece o que estão fazendo com ele, que foi eleito democraticamente. É um menino muito bom.

A cantora lançou seu último disco, Corazón libre, há três anos. Se, nas décadas de 70 e 80, estabeleceu parcerias com Milton Nascimento, Fagner e gravou diversos compositores brasileiros, como Chico e Caetano, hoje conta com o acordeonista gaúcho Luiz Carlos Borges (autor de Misionera), que a acompanha em turnês pela Europa.

JB/Monique Cardoso

JB

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