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Saúde: Quando o viciado é o médico

Há quem pense que, por compreender os riscos e os perigos das drogas melhor que ninguém, os médicos estejam livres de sua influência. Mas talvez o fato de tê-las estudado em profundidade seja na verdade a razão de esse mal estar tão disseminado na categoria. Ter acesso fácil, conhecer os sintomas do abuso e saber como escondê-los torna os médicos usuários perigosos.

Uma pesquisa feita na Inglaterra, publicada no jornal médico The Lancet, mostra que um número elevado de médicos, principalmente aqueles em formação, consome drogas como maconha, cocaína, LSD, ecstasy e anfetaminas, além de beber em  excesso. Cerca de

11% dizem fumar maconha regularmente e até 13% já fizeram uso de cocaína, ecstasy, LSD e anfetaminas. A maioria disse beber e se drogar por prazer. A pesquisa, no entanto, tocou em um ponto importante. Esses mesmos médicos que dizem fazer uso social das drogas demonstram níveis de ansiedade e depressão altíssimos — especialmente as mulheres: 45% (os homens somam 21%). Quando se trata de substâncias prescritas, quase 17% dos médicos declararam apresentar problemas relacionados ao uso de psicotrópicos e admitiram já ter feito uso de algum deles sem prescrição ou acompanhamento adequado (com destaque para os benzodiazepínicos, os “remédios para dormir”).

O autor do livro A Verdade sobre as Drogas, doutor Patrick Dixon, afirma que um médico viciado representa uma ameaça significativa à saúde pública, porque a vida de seus pacientes será colocada em risco. Cerca de 10% têm dificuldades em executar suas funções por causa do vício. Nos Estados Unidos, uma pesquisa de cinco anos mostrou que 12% dos médicos se viciam em drogas. Por essa razão, desde 1970 funciona por lá um programa de reabilitação.

Mas como garantir que os responsáveis por nossas vidas estejam sóbrios quando nos tratam? Precisamos primeiro entender que mecanismos são acionados quando alguém se entrega a qualquer tipo de excesso. O médico é, na maioria das vezes, ativo, ambicioso, competitivo, compulsivo, entusiasta e individualista — e por isso se frustra facilmente em suas necessidades de realização e reconhecimento. Isso pode ser suficiente para produzir ansiedade, depressão. Na maioria das vezes, em lugar de buscar cuidados psicológicos, ele se automedica com álcool e drogas. Alguns chegam ao extremo: suicídio. A morte é, por definição, familiar a quem pratica a medicina. Os médicos sabem exatamente o que fazer para eliminar a si próprios.

Um livro escrito por L. Wekstein (Handbook of Suicidology) mostrou que os elevados índices de suicídio encontrados entre estudantes de medicina e médicos estão relacionados à perda da onipotência, da onisciência e da virilidade idealizadas por muitos e à crescente ansiedade pelo temor em falhar.

Como foi minha experiência de quase 30 anos na profissão? Morremos de medo de falhar porque desempenhamos uma função única na vida das pessoas. Quando frustramos alguém, a queda é grande não somente para quem recebe a notícia. Nesse momento, faz diferença ter uma sólida formação e equilíbrio familiar e social. Caso contrário, simplesmente enlouqueceríamos. Conheço médicos incríveis que são totalmente dependentes de álcool e drogas, muitas vezes a ponto de precisarem tomar uma dose

para se “calibrar” antes de iniciar os trabalhos logo pela manhã…Acho que os médicos precisam relaxar e descansar mais. A verdade é que nunca fomos muito bons em cuidar de nossa própria saúde. A grande maioria tem um forte senso de dever e coloca os pacientes acima da própria saúde. Nós, médicos, deveríamos, acima

de tudo, buscar a construção de uma rotina pautada pela qualidade de vida, com equilíbrio entre as horas trabalhadas e as dispensadas ao lazer e à higiene mental.

No caso de quem já cruzou a linha do vício, faz-se necessária a criação de programas de apoio, com o duplo papel de ajudá-lo a alcançar a sobriedade e de dar garantias aos colegas, aos hospitais e ao público em geral de que poderá praticar um atendimento seguro. No estudo americano, três quartos dos médicos tratados tiveram resultados favoráveis ao longo de cinco anos. Tais programas parecem oferecer uma combinação adequada de tratamento e apoio para administrar a dependência.

Em um caso relatado nos Estados Unidos — muito parecido com algo que vivi no Brasil —, um jovem médico, totalmente dependente de álcool e drogas, pede ajuda a um colega. Este sugere que ele tome um remédio “para dormir”. O que o jovem médico faz? Toma o frasco inteiro… Termino com uma frase que circula há tempos nos hospitais: “Nenhuma forma de tratamento é efetiva com um paciente morto”.

* Cardiologista, faz parte da equipe do Instituto do Coração e dirige a Escola de Ciências da Saúde e Medicina na Universidade Anhembi Morumbi, ambos em São Paulo

Fonte:ALFA

Laboratórios não poderão mais bancar viagens de médicos

imagem meramente ilustrativa

Médicos brasileiros só poderão viajar para congressos com as despesas pagas pela indústria farmacêutica se forem prestar serviço de cunho científico, como dar uma palestra ou um curso.
Com isso, ficará proibido o patrocínio de viagens para o profissional que só for assistir a um evento. Nesta semana, cerca de cem médicos brasileiros estão em Orlando (EUA), assistindo ao congresso de diabetes, a maioria a convite de laboratórios.

A proposta, inspirada em um modelo que vigora há 11 anos em Portugal, está sendo costurada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), a AMB (Associação Médica Brasileira) e a Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa). Será apresentada na plenária do conselho, no dia 16 de julho.
O presidente do CFM, Roberto D’Ávila, diz que a restrição a viagens é um caminho sem volta. Se não houver acordo com a indústria, ela virá em forma de resolução.

Antônio Britto, presidente da Interfarma, está de férias e não foi encontrado ontem para falar sobre o assunto. Ele tem dito, porém, que a entidade está empenhada em fechar o acordo, por considerar essencial que a relação entre indústria e médicos fique dentro do campo ético.

REGRAS TRANSPARENTES
Nos últimos anos, estudos têm demonstrado que, ao aceitar favores da indústria, o médico fica mais predisposto a retribui-los, prescrevendo seus produtos.
“Só pode pagar passagem, hospedagem e inscrição para quem vai falar [no congresso]. Por que [a indústria] paga a minha ida e não paga o do colega ao lado? Por causa dos meus olhos verdes? O critério é a caneta. Ou pagam para quem já prescreve os produtos deles ou para quem não prescreve e precisa ser cativado”, diz D’Ávila.

A ideia, ele explica, não é fechar as portas à indústria, mas criar regras transparentes. “A indústria pode ajudar de maneira genérica, dando, por exemplo, um subsídio para a comissão científica do evento. Com isso, a inscrição custaria a metade.”
Para José Luiz Gomes do Amaral, presidente da AMB, já há leis que tentam disciplinar essa questão, inclusive uma declaração da Associação Médica Mundial da qual o Brasil é signatário.
“Não precisamos de novas leis. Precisamos que sejam cumpridas as existentes, que são absolutamente claras.”

Ele diz que a indústria precisa do médico para se desenvolver. E que esse precisa dela para acompanhar as novas tecnologias. “Precisamos encontrar o equilíbrio dessa relação, que é positiva, e evitar que seja má utilizada.”

CLÁUDIA COLLUCCI/FSP

Polêmica: Médico nao é Dr. mas bacharel?

Os estudantes de Medicina gaúchos são contra a troca de diploma de médico pelo de bacharel em Medicina. A posição foi aprovada em assembléia no Sindicato Médico do RS (SIMERS). Eles decidiram deflagrar um grande ato nesta sexta ( 17 ), na capital, que marcará o Dia do Médico, comemorado no dia 18 deste mês, e a luta pela reversão de resoluções de universidades que já mudam a titulação.

Foi feito um documento contra a mudança, que segundo eles, só desqualifica a formação do médico e não se ajusta ao caráter de atuação da área. O documento será enviado a todos os deputados federais e senadores.

Estão mobilizados Diretórios Acadêmicos das faculdades da UFRGS, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), da PUCRS e da Ulbra, além de estudantes de diversas anos e ATMs (Associações de Turmas de Medicina).

O SIMERS e Federação Nacional dos Médicos (Fenam) vão solicitar audiência com o ministro da Educação, Fernando Haddad, para mostrar o prejuízo aos estudantes e a médicos já formados que receberam diploma com bacharel em Medicina. No RS, as faculdades de Medicina da UFRGS e da UFCSPA já alteraram o nome. Acadêmicos cobraram justificativa. A desculpa foi que o MEC exigiu.

Um abaixo-assinado está percorrendo as 11 escolas médicas do Estado em busca de apoio ao movimento, que é inédito no País.  Amanhã haverá passeata e ato para mostrar à população a importância de manter o diploma de médico e que o foco deve ser a maior qualidade do atendimento e mais recursos para o SUS.

O SIMERS ingressará com ações judiciais para restabelecer o diploma para formados em 2007 e 2008 e para assegurar que quem fez vestibular e ainda cursa a faculdade não tenha de receber a denominação de “bacharel em medicina”. As ações serão impetradas nas próximas semanas pela assessoria jurídica da entidade.

Cremers

44 % dos médicos têm distúrbios psíquicos

Pesquisa do Conselho Federal de Medicina (CFM), realizada com 7.700 profissionais, revela que 44% sofrem de depressão ou ansiedade e 57% têm estafa e desânimo com o emprego.

Os distúrbios psíquicos nos médicos superam em quase 11 pontos porcentuais a incidência na população em geral

Os índices de depressão em quem não tem diploma de Medicina é de 33,4%, apontou pesquisa internacional utilizada como referência pelo CFM. O autor da pesquisa, Genário Barbosa, pede políticas públicas específicas para a saúde dos médicos. “Garantir a saúde do médico é garantir a saúde da população. É importante ser tratado por alguém em perfeitas condições psicológicas”, diz Barbosa.

Além da saúde mental, os problemas físicos dos médicos também são alarmantes. Um em cada cinco sofre de doenças cardíacas. A mesma parcela apresenta alterações no sistema circulatório e 21,8% convivem com o mau funcionamento do aparelho digestivo.

Os especialistas falam que uma das origens da “medicina doente” é a falta de tempo dos médicos. Segundo o Sindicato dos Médicos de São Paulo, 82% dos profissionais atuam em três ou mais empregos.

O Estado de S. Paulo

Estudo revela que faltam médicos no país

Faltam médicos no país. A conclusão é de um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), que foi divulgado nesta terça-feira (15). Segundo reportagem da Agência Brasil, pelos dados da pesquisa, referentes a 2005, naquele ano havia um médico para 595 habitantes no país.

 

Segundo o economista Marcelo Neri, responsável pelo levantamento, embora o número não esteja tão distante do que se considera ideal (cerca de 300 habitantes por médico), o problema mais grave é que esses profissionais estão mal distribuídos.

Entre as regiões brasileiras, o líder é o Distrito Federal, com 292 habitantes por médico, seguido pelo Rio de Janeiro (299 por um) e São Paulo (448 por um). O Rio Grande do Sul apresenta 445 moradores por profissional. O Maranhão está na pior colocação, com 1.786 habitantes por médico.

AGB

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