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Reforma ortográfica tá valendo

O alfabeto  incorpora as letras ‘k’, ‘w’ e ‘y’. As pessoas não vão mais esquecer de colocar o trema sobre o ‘u’, porque as únicas palavras em que o sinal será admitido serão os nomes próprios e derivados. Paroxítonas com os ditongos abertos ‘ei’ e ‘oi’, como a palavra ‘assembléia’, por exemplo, perderão o acento agudo.

Essas são algumas mudanças do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, chamado de reforma ortográfica, cuja implantação no Brasil começou em janeiro de 2009.

O acordo é o terceiro envolvendo a língua portuguesa. Os anteriores ocorreram em 1943 e em 1971.

SEgundo a Comissão para Definição de Ensino-Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa (Colip), ligada ao MEC, e representante brasileira nas negociações do acordo, a partir de 01 janeiro de 2009, os textos produzidos passam a ser escritos com as novas normas.

Mas os livros didáticos distribuídos pelo governo este ano e que foram adquiridos em 2008 poderão estar com as regras antigas. Nesse caso, a adaptação irá ocorrer a partir de 2010. Concursos, vestibulares e avaliações aceitarão as duas regras como corretas por um período de três anos, ou seja, até 31 de dezembro de 2011. A partir de 2012 é que passam a ser obrigatórias as novas regras.

O português é a única língua ocidental de importância a ter duas ortografias oficiais: a brasileira e a portuguesa.

Os lingüistas garantem que as alterações  só irão mexer em pouco menos de 0,5% do vocabulário dos brasileiros. Já os nossos amigos “de além mar” vão ter de se preocupar com outras “cositas más”, não apenas as que seguem.
ALFABETO
Passa a ter 26 letras, ao incorporar as letras “k”, “w” e “y”.
TREMA
Deixa de existir (tem gente que não usava há horas!), a não ser em nomes próprios e seus derivados. Mas a pronúncia continuará igual.
ACENTO AGUDO
Não se usa mais
1. nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, como “assembléia”, “idéia”, “heróica” e “jibóia” (olha que economia de tempo: assembleia, ideia, heroica, jiboia);
2. nas palavras paroxítonas, com “i” e “u” tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: “feiúra” e “baiúca” passam a ser grafadas “feiura” e “baiuca” (fica frio; só mais uma meia dúzia dessas);
3. nas formas verbais que têm o “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i”. Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem.
ACENTO CIRCUNFLEXO
Não se usa mais
1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos “crer”, “dar”, “ler”, “ver” e seus derivados. A grafia correta será “creem”, “deem”, “leem” e “veem”;
2. em palavras terminados em hiato “oo”, como “enjôo” ou “vôo” – se tornam “enjoo” e “voo”.
HÍFEN
Não se usa mais
1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em “antirreligioso”, “antissemita”, “contrarregra”, “infrassom”.
Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r , ou seja, “hiper-“, “inter-” e “super-” como em “hiper-requintado”, “inter-resistente” e “super-revista”.
2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente.
Exemplos: “extraescolar”, “aeroespacial”, “autoestrada”.
OBS.: Mas acho bom a gente esperar mais um pouquinho (pode até 2012) pra tirar os tracinhos ou colocá-los, porque a turma está, ainda, meio confusa. Falta o “OK” final da Academia Brasileira de Letras.
ACENTO DIFERENCIAL
Não se usa mais para diferenciar
1. “pára” (flexão do verbo parar) de “para” (preposição);
2. “péla” (flexão do verbo pelar) de “pela” (combinação da preposição com o artigo);
3. “pólo” (substantivo) de “polo” (combinação antiga e popular de “por” e “lo”);
4. “pélo” (flexão do verbo pelar), “pêlo” (substantivo) e “pelo” (combinação da preposição com o artigo);
5. “pêra” (substantivo – fruta), “péra” (substantivo arcaico – pedra) e “pera” (preposição arcaica).
Viu só? Rapidinho.
S e você que tá se preparando pra prestar o vestibular pode se tranqüilizar. As universidades não irão cobrar agora as mudanças impostas pelo Acordo Ortográfico. Universidades como a PUCRS e a UFRGS, por exemplo, só deverão começar a aplicar as alterações em concursos subseqüentes. Na redação, no entanto, o uso das duas grafias será aceito por um tempo, enquanto durar o período de transição estimado pelo decreto presidencial, até 2012.

Professora Maria Tereza Faria

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