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Teatro Oficina: Zé Celso vence Silvio Santos

O diretor teatral José Celso Martinez Corrêa, um dos maiores nomes do teatro nacional, venceu a briga com Silvio Santos pela posse do terreno no qual fica o Teatro Oficina, na Bela Vista, região central de São Paulo. O Conselho Consultivo do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) decidiu nesta quinta-feira (24) transformar o Teatro Oficina em patrimônio cultural do país. Agora, o imóvel não pode mais ser derrubado.

Logo após o anúncio, Zé Celso falou com o R7, do Rio, onde foi acompanhar a decisão do Iphan.

– Foi uma vitória sobre o Grupo Silvio Santos. Estou muito feliz com o relatório inteligentíssimo feito por Jurema Machado. O parecer dela foi sensato e inteligente. Estou vibrando até agora.

Zé Celso ainda ressaltou a importância do ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, que, segundo ele, ajudou a acelerar o projeto de tombamento, que estava em trâmite havia oito anos.

– E ainda tem algo melhor: tudo que for acontecer no entorno do teatro agora terá de passar pelo Iphan. Esse dia é histórico para o Oficina e o teatro nacional. Vim ontem de Salvador e nem dormi direito. Volto para a Bahia cansado, mas feliz.

Satisfeito, o diretor está a caminho de Salvador, onde apresenta a turnê Dionisíacas.

Um ponto, contudo, ainda não foi definido. A área de preservação do entorno do prédio – algo pleiteado por Zé Celso e sua trupe – ainda será discutida pelo Iphan com o Estado e a Prefeitura de São Paulo. O Grupo Silvio Santos, dono do quarteirão, já chegou a projetar um shopping para o local, mas desistiu temporariamente da ideia após vários protestos do grupo teatral.

O Teatro Oficina funciona em um casarão do bairro Bexiga desde 1961. Em 1984, o local foi transformado em teatro público, sob administração do Grupo Oficina, dirigido por José Celso Martinez Corrêa.

O prédio foi reconstruído em 1986, com base em projeto da arquiteta Lina Bo Bardi, em que se manteve a fachada simplória de uma casa do Bexiga, mas ergueu-se no interior uma arquitetura de desenho moderno, cuja marca é a parede envidraçada de 150m². A vegetação presente no lote, que emoldura a visão externa do teatro, também será protegida.

Colaborou Camilla Carvalho

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