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Brasil tem 190 línguas sob risco, diz Unesco

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, comemorou no sábado o Dia Internacional da Língua Materna. Para marcar a data a agência da ONU divulgou o seu primeiro guia interativo online de idiomas sob risco de extinção no mundo.

Segundo a Unesco, o Brasil tem 190 línguas em perigo, muitas delas em áreas indígenas. Um dos exemplos, é o idioma cinta larga, que é falado por cerca de 1400 índios Aripuanã, no leste de Rondônia e no oeste do Mato Grosso.

Pelo Atlas das Línguas Mundiais em Perigo, a situação do puruborá é ainda mais grave. O idioma é falado apenas por duas pessoas no oeste do Brasil. O líder indígena, Marcos Terena, disse à Rádio ONU, do Mato Grosso, que é preciso criar um sistema de transcrição facilitado para os índios.

Direito à Oralidade “Desde a aldeia, até os índios que vão para as universidades e a própria academia, precisam prestar a atenção para criar um sistema programático. Nós chamamos isso de direito indígena à oralidade.

As línguas indígenas não são escritas porque o índio não tem o costume de escrever. Mas é preciso criar um sistema menos técnico, pois se for técnico, o índio não vai ler”, afirmou.

Segundo a Unesco, cerca de 2,5 mil idiomas estão sob perigo de desaparecer. Diversidade O atlas revela que dos cerca de 6 mil idiomas no mundo, 200 já foram extintos nas últimas três gerações.

Estima-se que 10% das línguas faladas na África Sub-Saariana possam sumir no próximo século. Pelo guia, Índia, Estados Unidos, Brasil, Indonésia e México são os países com maior diversidade linguística e com mais chances de idiomas em extinção.

Nos outros países de língua portuguesa, Guiné-Bissau figura no atlas com três idomas sob risco incluido a língua kasanga ou haal.

No Timor-Leste, o maior perigo é o maku’a ou lovaya falado por apenas 50 pessoas. Já em Portugal, o atlas dá sinal amarelo para o asturiano-leonês, falado também na Espanha, por um total de 150 mil pessoas. Em Portugal, a língua é conhecida como mirandês.

Mônica Villela Grayley,  Rádio ONU em Nova York

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