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Sem-teto recebe herança ao descobrir que é filho de multimilionário

O holandês Jerry Winkler, de 28 anos, vivia nas ruas de Amsterdã quando descobriu, no ano passado, que era o único filho de um homem de negócios multimilionários com quem sua mãe tivera uma aventura amorosa.

A vida de Winkler, um ex-dependente de drogas, teve então uma reviravolta. “Foi um giro de 180 graus… Um dia estou dormindo nas ruas e poucos dias depois dormia em um apartamento no centro de Amsterdã, tinha dinheiro no banco… Pude voltar a viver”, contou ele em entrevista à BBC.

Apesar de ter comprovado ser o único filho biológico do empresário Alfred Winkler (de quem adotou o sobrenome após a descoberta), Jerry não tinha, pela lei holandesa, direito à herança , por não ser registrado como filho.

Ainda assim, recebeu uma ajuda da fundação para a qual o pai biológico havia deixado sua fortuna ao morrer.

“Decidiram que por razões morais deveriam me dar uma porcentagem, que para mim é muito dinheiro”, diz, sem especificar o valor que recebeu.

Infância

A infância de Jerry foi traumática. Quando sua mãe foi diagnosticada com um tumor cerebral, ele foi viver com um homem que pensou que era seu pai.

Mas a relação com a nova família era difícil e ele acabou em um abrigo para menores.

Durante cinco anos ele foi levado de uma casa a outra até cair na delinquência e na dependência às drogas.

Foi após uma discussão familiar que ele descobriu que o homem que acreditava ser seu pai não era quem pensava.

“Tive uma série de brigas com minha madrasta e meu padrasto, e logo depois meu padrasto me disse que não era meu pai biológico”, conta Jerry.

“Por um lado eu pensei ‘Agora entendo porque estavam tão contra mim’, mas também foi como se tivessem me dado outro golpe”, afirma. “Primeiro sua mãe morre e depois seu pai diz que não é seu pai”, observa.

A partir de então, passou a se dedicar à tarefa de tentar encontrar seu verdadeiro pai.

Investigação

Primeiro descobriu que sua mãe havia tido um caso amoroso no trabalho.

As pistas o levaram ao diretor da companhia, Alfred Winkler, um empresário milionário que havia morrido sem deixar herdeiros.

“Meu segundo nome é Alfred, e nunca soube porque minha mãe havia me dado esse nome, então era uma pista”, disse.

Logo depois, encontrou um artigo em um jornal de 2006 sobre o homem que poderia ser seu pai e entrou em contato com o jornalista que o escrevera.

“Combinamos de nos encontrar e assim que eu cheguei ele viu que eu me parecia muito com a pessoa que ele havia entrevistado”, disse.

Alfred Winkler havia deixado sua fortuna a uma fundação, cujos advogados, após ouvir a história de Jerry, pediram que ele se submetesse a um exame de DNA.

O exame mostrou uma probabilidade de 99,999% de que ele fosse filho de Alfred Winkler.

“Nunca esquecerei esse momento. O advogado me chamou e quando me contou o resultado comecei a chorar, a sentir-me furioso, louco, tudo ao mesmo tempo”, conta.

Para Jerry, mais que o dinheiro que recebeu, o que mais o emocionou foi finalmente saber quem era seu pai.

“Todos queremos saber de onde viemos. Ainda que lamentavelmente meu pai já estivesse morto, posso comparar sua história com a minha e ver como somos parecidos”, disse.

O dinheiro recebido por ele o permitiu “ter uma casa, um carro, sair de férias… e uma geladeira cheia de comida”, observa.

“Às vezes, quando desperto pela manhã em minha própria cama, ao lado de minha namorada, tenho que me beliscar para ver se estou acordado. Não sei se é real ou um conto de fadas”, diz.

Inspirado por sua própria história, Jerry também criou uma fundação “para jovens sem-teto que não têm meios para fazer algo de suas vidas”.

Rap brasileiro: sucesso e polêmica na Holanda


O Rap das Armas, de Cidinho & Doca, que ficou conhecido do grande público por estar na trilha sonora original do filme Tropa de Elite, está entre as músicas mais tocadas na Holanda nos últimos meses – é a número 1 nas rádios em um remix feito por Quinten van den Berg, mais conhecido como DJ Quintino. O refrão também é, atualmente, um toque de celular bastante popular entre os jovens holandeses.

A aparentemente inocente ‘musiquinha do parapapa’ (parapapa liedje), como é comumente chamada na Holanda, está causando polêmica. O rap, que fala da guerra do tráfico nos morros cariocas, fazendo apologia ao uso de armas e violência, não tocou nas rádios brasileiras justamente por isso, mas para a grande maioria dos holandeses, que não entende uma palavra de português, soa apenas como uma música alegre e ritmada.

O remix caiu no gosto dos holandeses, mas quando se descobriu do que falava a letra, e que o refrão ‘parapapa’ faz referência a tiros de metralhadora, a polêmica começou.

Esta semana, a ‘musiquinha do parapapa’ foi tema do Jeugdjournal, o jornal dedicado ao público infantil da televisão holandesa. A matéria rendeu uma centena de comentários no site do programa, com opiniões bem variadas. Em comum, a surpresa da maioria dos espectadores em saber do que fala a ‘musiquinha do parapapa’.

Alguns dos comentários postados no site do Jeugdjournal:

“Achava uma música legal, mas quando soube que falava de tiros e violência, fiquei me achando burra por um dia ter gostado disso.” (Isabella)

“Eles não têm outra opção lá além de matar e traficar. Quem já foi alguma vez ao Rio de Janeiro entende isso. Acho que a música tem intenção de ser sarcástica para mostrar que não há escolha e que a polícia é tão ruim quanto os traficantes, ela também mata muita gente inocente. Portanto, acho que uma música alegre sobre violência é bom, porque de outra forma esta mensagem não chega até as pessoas.” (Uriël)

“Acho bem grave. Acho a música superboa, mas agora que sei do que se trata e que ando cantando uma coisa assim, acho bem estranho.” (Endale)

“Acho que é uma música bacana, mas acho que uma coisa assim não poderia tocar nas rádios holandesas.” (Inge)

Mariângela Guimarães/Radio Nederland

Anouk a ‘Amy Winehouse’ da Holanda

O nome dela é Anouk e a moça, que lançou o primeiro cd em 1997, chama cada vez mais atenção com seu vozerio potente.

Anouk é natural de Haia e interessou-se pela música porque sua mãe era uma cantora de blues. Começou sua carreira cantando em casamentos e festas com a banda Shotgun Wedding.

Não à toa ela tem sido constantemente comparada à problemática Amy, dez anos mais nova, cem vezes mais conhecida e talvez mil vezes mais descontrolada.

Tal comparação é injusta e inapropriada, não somente pelos estilos diferentes – Anouk é pop-rock, Amy é mais soul, jazz e R&B – mas também pelo simples fato da Amy ter qualquer coisa de genial, deixando qualquer “concorrente” no chinelo, a chorar nos cantos do ringue. Com todo o risco de exageros de fã, arrisco dizer que na atual indústria fonográfica, a Amy é incomparável.

Assim, deixando deuses e gênios de lado, fiquemos de olho na holandesa Anouk, que lidera o ranking de vendas do seu país natal com surpreendentes 140 mil cópias. O clipe abaixo é do single “Modern World”, lançado em abril, e faz parte do cd “Who’s your Mamma”.

Claudia Siuves/Da Holanda

Holanda: terra onde um centavo não existe


Autores desconhecidos, montagem Cláudia Siúves

Ao contrário da maioria dos países da União Européia que adotaram o Euro como moeda local, na Holanda as moedas de um centavo não circulam.  A justificativa para isto:  o De Nederlandsche Bank, banco nacional holandês, calculou que poderia economizar 36 milhões de euros por ano ao não produzir e nem manter em circulação as moedas menores, de um e dois centavos.

É curioso notar que apesar das moedinhas menores não circularem, os varejistas holandeses – como o supermercado Albert Heijn – continuam a usar a estratégia mundial de “1,99” para atrair os clientes.  Quando os mesmos não pagam com cartão, nem ao menos ouvem o “posso ficar te devendo?”, bastante comum no Brasil: por aqui, nestes casos, sempre é permitido arredondar para o valor mais próximo (geralmente o valor mais alto).

Muito espertinhos…

Claudia Siuves/Amsterdã

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