Arquivos de tags: HIV

SAÚDE: Aprovada a 1ª pílula de prevenção ao vírus da aids

Antes só usado no tratamento, Truvada pode agora ser utilizado para evitar a doença. No Brasil, a droga já foi registrada e, portanto, pode ser comercializada

Medicamento Truvada
Truvada: medicamento poderá ajudar pessoas com alto risco de contrair o vírus HIV a evitar a doença (Divulgação)

O FDA, órgão do governo americano que controla drogas e alimentos, anunciou nesta segunda-feira a aprovação do Truvada, fabricado pelo laboratório Gilead Sciences, como primeira pílula para ajudar a prevenir a contração do HIV em grupos de alto risco. O órgão ressalta, porém, que o medicamento é incapaz de evitar a doença sozinho: deve ser usado com outros meios, como a camisinha.

 

Saiba mais

TRUVADA
O Truvada, comercializado desde 2004, é a combinação de outras duas drogas, mais antigas, usadas no combate ao HIV: Emtriva e Viread. Os médicos normalmente receitam a medicação como parte de um coquetel que dificulta a proliferação do vírus, reduzindo as chances de a aids se desenvolver.

A capacidade de prevenção do Truvada foi anunciada pela primeira vez em 2010 como um dos grandes avanços médicos na luta contra a epidemia de aids. Um estudo de três anos descobriu que doses diárias diminuíam o risco de infecção em homens saudáveis em 44%, quando acompanhados por orientação e pelo uso de preservativo.

O Truvada costuma provocar, como efeito colateral, vômitos, diarreia, náuseas e tontura.  Há casos também de intoxicação do fígado, perda óssea e alteração da função renal.

O remédio já está no mercado para tratar a doença. A aprovação do FDA permite que a empresa Gilead Sciences, fabricante da medicação, venda a droga formalmente nas condições estabelecidas pelo órgão.

“O Truvada é para ser utilizado na profilaxia prévia à exposição, em combinação com práticas de sexo seguro, para prevenir as infecções do HIV adquiridas por via sexual em adultos de alto risco. O Truvada é o primeiro remédio aprovado com esta indicação”, afirmou o FDA.

Com a decisão do FDA, médicos estão autorizados a prescrever o Truvada nos Estados Unidos a grupos como prostitutas ou casais em que um dos parceiros é soropositivo. Ricardo Shobbie Diaz, infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), porém, afirma que, como os estudos mais conclusivos até o momento dizem respeito a homens que fazem sexo com homens, a droga deve inicialmente ser indicada para esse grupo. José Valdez Madruga, infectologista e coordenador de Pesquisa em Novos Medicamentos do Centro de Referência e Tratamento de Aids (CRT), de São Paulo, também afirma que, por enquanto, os estudos com resultados mais fortes analisaram grupos homossexuais.

A posição definitiva do FDA veio dois meses após o órgão ter se mostrado favorável a um estudo que indicou que o medicamento pode reduzir de 44% a 73% o risco de contração do HIV em homens homossexuais. Na mesma semana, um comitê do FDA se reuniu e os especialistas se posicionaram a favor do uso do Truvada para esses fins.

O Truvada é encontrado no mercado americano desde 2004 como tratamento para pessoas infectadas com HIV. O medicamento é usado em combinação com outros remédios antirretrovirais. Agora, com a aprovação do FDA, a droga passa a ser recomendada também para pessoas não infectadas.

Apesar de comemorada por grande parte da comunidade científica, a nova indicação para o Truvada foi rejeitada por alguns grupos de prevenção a aids, como a Aids Healthcare Foundation, dos Estados Unidos. De acordo com a organização, o uso contínuo do medicamento pode induzir a uma falsa sensação de segurança. Isso levaria, segundo a organização, a um menor uso de métodos preventivos mais eficazes, como a camisinha.

Brasil — Em maio, logo após o primeiro sinal verde do FDA em relação ao uso do Truvada para a prevenção do HIV, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou o medicamento no Brasil. A droga, no entanto, não passou a ser utilizada automaticamente no país. De acordo com o Ministério da Saúde, a inclusão do medicamento no coquetel distribuído no país foi analisada há dois anos e não foi encontrada a necessidade na troca das drogas.

Segundo Diaz, o Truvada é uma alternativa mais cara para o coquetel que já é distribuído pelo Ministério da Saúde. “Ele encarece o tratamento sem necessidade, já usamos medicamentos similares e mais baratos”, diz. Mas, como a droga é devidamente registrada no país, ela pode ser receitada e comercializada.

(Com agência France-Presse)

Veja On Line

HIV: tratamento reduz em 96% chances de transmissão em casais

Pesquisa pioneira internacional mostra que o tratamento com remédios reduz em 96% as chances de transmissão do vírus HIV em casais sorodiscordantes (quando um tem o vírus e o outro não).

Riegel participou dos estudos Crédito: ARTHUR PULS

Riegel participou dos estudos Crédito: ARTHUR PULS

O resultado foi bem recebido pela equipe do Serviço de Infectologia do Hospital Conceição, de Porto Alegre, que integrou a pesquisa.

Segundo o chefe do Serviço, Breno Riegel Santos, a principal mudança, a partir do resultado da pesquisa, está relacionada à distribuição de remédios, uma vez que os pacientes que têm a doença dentro de limites considerados seguros, com baixa carga viral e reduzida possibilidade de desenvolver uma doença associada, não recebem medicamentos.

A pesquisa iniciada em 2005 envolveu mais de 1,7 mil casais da América, da África e da Ásia. Apenas pelo Hospital Conceição, foram indicados 90 casais participantes. O projeto integra a rede de estudos “HIV Prevention Trials Network”, responsável por diversos estudos sobre como prevenir a transmissão da doença.

Os casais foram separados em dois grupos. Em um, os pacientes soropositivos recebiam a medicação; em outro, não. Na última comparação, haviam ocorrido 28 transmissões do vírus – uma no grupo medicado e 27 no outro. “Somente este dado já suspendeu a pesquisa, mostrando que ela já havia alcançado os resultados oficiais”, disse Riegel.

HIV: Saúde distribui medicamento atazanavir

Antirretroviral é usado por 33.250 pacientes com aids no país; primeiro lote garante estoque até junho e duas novas remessas devem chegar no fim de abril

Todas as 700 unidades dispensadoras de medicamentos do Brasil, presentes em todos os estados e no Distrito Federal, já estão abastecidas com o medicamento antirretroviral atazanavir 300 miligramas – um dos 20 utilizados no tratamento da aids, fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Cerca de 2 milhões de cápsulas, componentes do primeiro lote do medicamento previsto para entrega em 2011, tiveram a distribuição concluída no fim da última semana. A quantidade é suficiente para abastecer o Brasil até meados de junho (veja a grade de distribuição abaixo, por unidade federada). Outros 2,9 milhões de cápsulas, também do primeiro lote, aguardam certificação do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) e devem ser entregues nas próximas semanas.

Uma segunda remessa da formulação de 300mg, com 4,9 milhões de cápsulas, está prevista para chegar ao país até o fim de abril. O terceiro e quarto lotes do medicamento (também com 4,9 milhões de cápsulas, cada um) deverão ser entregues no segundo semestre, em agosto e dezembro.

No total, ainda serão distribuídas mais 14,7 milhões de cápsulas, até o final do ano. Cada remessa garante estoque por aproximadamente quatro meses.

Atualmente, 33.250 pessoas com aids tomam o atazanavir 300mg no Brasil. A droga é utilizada, geralmente, em esquemas terapêuticos iniciais, ou seja, em pacientes adultos que estão começando o tratamento.
O medicamento existe, também, na formulação de 200 miligramas, cujo estoque está regularizado em todo o país. Aproximadamente 7,5 mil pacientes utilizam a formulação de 200mg.

No início de março, o Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, emitiu nota técnica orientando os serviços de saúde para a substituição, quando necessário, do atazanavir 300mg por outros medicamentos de mesma classe e eficácia.

“Adotamos todas as medidas para que não houvesse descontinuidade no tratamento dos pacientes de aids do país que utilizam este medicamento”, afirma o diretor do Departamento, Dirceu Greco.

O Brasil é um dos países que oferecem acesso universal ao tratamento da aids. Todos os portadores do HIV residentes no país que desenvolvem a doença recebem os medicamentos por meio do SUS.

Atualmente, 200 mil pessoas recebem os medicamentos antirretrovirais. Metade deles é produzida por laboratórios nacionais e a outra metade é importada – como é o caso do atazanavir.

LOGÍSTICA – O levantamento do quantitativo de medicamentos suficientes para abastecer o Brasil é realizado por meio de relatórios gerenciais, enviados pelos estados e pelo Distrito Federal.

O Ministério da Saúde é responsável pelas compras e pelo repasse dos antirretrovirais às Coordenações de DST e Aids de cada unidade da federação, que por sua vez têm a atribuição de encaminhá-los para os municípios.

Antes de serem encaminhados aos estados, os lotes de medicamentos importados precisam da aprovação e liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Receita Federal. Com a documentação regularizada, seguem para o Almoxarifado Central do Ministério da Saúde, em Brasília. Posteriormente, são enviadas aos almoxarifados dos estados.

No caso dos medicamentos nacionais, eles partem diretamente dos laboratórios produtores para os almoxarifados estaduais. O transporte para as unidades dispensadoras de medicamentos é aéreo ou rodoviário.

Portador de HIV tem vida estável

Estudo feito com pacientes da Casa da Aids, do Hospital das Clínicas de São Paulo, mostra que eles estão inseridos na sociedade do ponto de vista afetivo e econômico, afirma a diretora da entidade, Eliana Gutierrez; para ONGs, há preconceito velado

Quase 60% das pessoas que vivem com HIV possuem relacionamento afetivo estável. A maioria delas com parceiros soronegativos. Cerca de 75% estão empregados e 68% residem com familiares ou amigos, ou seja, contam com apoio de pessoas próximas. Os dados são de um levantamento feito com 292 pacientes em tratamento na Casa da Aids, do Hospital da Clínicas de São Paulo.

“Os resultados mostram que esses pacientes estão inseridos na sociedade do ponto de vista afetivo e econômico, seja porque dissimulam sua condição ou porque estão sendo aceitos”, afirma Eliana Gutierrez, diretora da Casa da Aids.

Para ela, isso pode ser explicado pelo fato de os soropositivos, hoje, estarem fisicamente mais aptos para o trabalho e demais atividades do dia a dia. “Com os avanços na terapia antirretroviral, a aids se tornou uma doença crônica. Muitos portadores estão envelhecendo e se tornando pacientes complexos”, avalia.

Mas, continua ela, apesar das complicações causadas pelo vírus, pelo uso prolongado de medicamentos e pela idade avançada, a situação é melhor hoje do que há 20 anos. “Os infectados pelo vírus já se permitem pensar no futuro.”

A maioria dos 3,3 mil pacientes acompanhados pelo serviço é formada por homens (70%) que têm, em média, 44 anos e há mais de 10 convivem com a doença. Mais da metade tem 11 anos ou mais de estudo.

Especialistas ouvidos pelo Estado, no entanto, afirmam que a realidade dos soropositivos no País, de forma geral, não é tão animadora. “A epidemia está crescendo principalmente entre aqueles com baixa escolaridade e menor acesso à informação”, afirma o infectologista Ronaldo Hallal, assessor técnico do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. “Ainda se percebe uma grande fragilidade no que se refere ao apoio social a esses pacientes.”

Preconceito velado. O diretor do Fórum de ONG Aids do Estado de São Paulo, Hugo Hagstrom, diz que, embora a maioria dos infectados tenha vida afetiva estável e more com parentes, a qualidade dessas relações é muito ruim. “Eles são julgados e julgam a si mesmos. O peso da culpa interfere em seus relacionamentos”, conta Hagstrom, portador do HIV há 25 anos.

Esse é o caso do contrarregra Laerte Vicente, de 54 anos ? 10 deles convivendo como HIV. “Quando revelei para a família que era soropositivo, apenas meu pai aceitou bem. Depois que ele morreu, os demais assumiram o preconceito de vez”, conta. A maioria de seus empregadores também lhe virou as costas, revela.

Embora velado, afirma Hagstrom, o preconceito ainda é muito presente, principalmente por se tratar de uma doença sexualmente transmissível. “Tivemos grandes avanços no tratamento e na legislação que protege o soropositivo. Mas duas coisas não mudaram: a ideia de que aids é uma sentença de morte e de que é uma doença de homossexuais e de pessoas promíscuas, que mereceram ser infectadas”, conta.

Para Américo Nunes, fundador do Instituto Vida Nova e portador do vírus da aids há 25 anos, cabe aos portadores não se colocar no papel de vítima e buscar sua cidadania. “Quando recebi o diagnóstico, decidi encarar de frente. Busquei me informar sobre a doença e passei a atuar como militante. Isso me proporcionou perspectiva de vida e trabalho”, conta.

De acordo com os dados do Ministério da Saúde, 35 mil novos casos são diagnosticados anualmente e 190 mil pacientes estão em tratamento com antirretrovirais. Em 2010, R$ 884 milhões serão gastos com esses medicamentos.

Gel pode reduzir em até 54% contagio da AIDS

Substância contém 1% de antirretroviral, usado no coquetel anti-HIV

Um gel germicida, que contém 1% de um antirretroviral, reduz em até 54% o risco de contágio do HIV em comparação a um gel vaginal que não contém nada, revelou nesta segunda-feira um estudo divulgado em Viena, onde está sendo realizada a conferência internacional sobre a Aids.

O estudo, intitulado CAPRISA 004, que começou no dia 27 de fevereiro de 2007, tinha como objetivo estabelecer a eficácia e a segurança de um gel com 1% de tenofovir, um componente muito utilizado como antirretroviral, para a prevenção do vírus entre as mulheres.

Ele foi realizado com mulheres sul-africanas de 18 a 40 anos saudáveis e sexualmente ativas. Das mulheres analisadas, 445 receberam um gel com ARV; e 444, um gel sem a substância.

A incidência do HIV foi 54% mais baixa entre as mulheres que fizeram o tratamento completo, de 38% entre as que seguiram o tratamento parcialmente e de 28% entre as que recorreram pouco ao tratamento. Em média houve uma redução de incidência de 39%. Não houve efeitos negativos.

Segundo os autores do estudo, o gel com ARV poderá “preencher um grande buraco na prevenção do HIV, principalmente para as mulheres incapazes de negociar com êxito uma monogamia mútua ou o uso do preservativo”.

As mulheres representam 60% das pessoas contaminadas pelo HIV na África, onde há 70% dos casos de contaminação registrados no mundo.

France-Presse

Governo vai estimular portador de HIV a ter filho

O Ministério da Saúde elabora documento em que estimula portadores de HIV que queiram ter filhos a fazer sexo desprotegido em condições específicas, informa reportagem de Fernanda Bassette e Gabriela Cupani, publicada nesta terça-feira pela Folha  de SP.

Segundo o texto, se o casal planejar a gravidez na melhor fase clínica do tratamento, o risco de transmitir o vírus é muito menor.

Isso inclui estar com a quantidade de vírus baixa e o total de células de defesa elevado, não ter doenças crônicas associadas nem infecções no trato genital. A relação deve ocorrer no dia do período fértil da mulher.

Após o sexo sem proteção, devem ser tomados cuidados para prevenir a doença.
Segundo as informações mais recentes do Ministério da Saúde, em 2008, aproximadamente 3.000 mulheres soropositivas engravidaram.

Documento da OMS (Organização Mundial da Saúde) de 2006 recomenda autoinseminação e outras técnicas de reprodução assistida para esses casos.

Para Andrea da Silveira Rossi, consultora do ministério, é necessário orientar as pessoas sem acesso a essas técnicas sobre formas seguras de engravidar.

Os tratamentos reprodutivos em clínicas custam muito caro, diz ela.

Folha OnLine

Remédio para Aids liberado para hepatite

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a dosagem de 300 miligramas de fumarato de tenofovir desoproxila para o tratamento da hepatite B crônica em adultos. A resolução está no Diário Oficial da União desta terça-feira, 27.

O pedido para que o medicamento – utilizado no tratamento de pacientes com a aids – pudesse ser destinado também a doentes hepáticos foi feito à Anvisa pelo próprio Ministério da Saúde. Segundo a Anvisa, é a primeira vez que esse pedido parte do próprio ministério, e não do fabricante.

O fumarato de tenofovir desoproxila já é utilizado nos países da União Europeia e nos Estados Unidos nos casos de hepatite. No Brasil, até então, o uso estava restrito ao tratamento da aids. A previsão é de que pelo menos 2,5 mil pessoas com hepatite recebam a indicação do uso desse medicamento, já no primeiro ano.

Saúde: soja produz substância anti-HIV

Novas variedades de soja transgênica produzem e armazenam nos grãos substâncias capazes de neutralizar o vírus da aids.

As plantas, desenvolvidas pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, servirão como fábricas vivas do princípio ativo de um gel anti-HIV, produto promissor para prevenir o contágio em mulheres. O trabalho é fruto da cooperação da Agência Nacional de Saúde (NIH, na sigla em inglês) dos Estados Unidos com a Embrapa.

O instituto americano tem realizado um grande inventário de potenciais microbicidas naturais. Duas proteínas mostraram particular eficácia no combate ao HIV: a cianovirina-N – extraída da alga azul Nostoc ellipsosporum – e a griffithsina – obtida de algas vermelhas do gênero Griffithsia. Elas aderem à cápsula do vírus e impedem que invada as células. O NIH patenteou os genes que produzem as duas substâncias.

Em 1998, pesquisadores americanos criaram variedades de bactérias Escherichia coli com o gene da cianovirina-N. Surgiram, depois, as linhagens transgênicas de milho e tabaco capazes de fabricar o microbicida anti-HIV. Em 2005, cientistas identificaram a segunda molécula – a griffithsina – e comprovaram sua eficácia dez vezes superior à cianovirina-N. Um artigo publicado no mês passado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) revelou como mais de 9 mil pés de tabaco transgênico produziram apenas 60 gramas da proteína.

“Ainda é pouco”, afirma Elibio Leopoldo Rech Filho, coordenador da pesquisa brasileira com a soja. “Precisamos produzir em larga escala.” Rech Filho recorda que o continente mais afetado pela epidemia – a África – é marcado pela pobreza. “Um gel caro será inútil.” O cientista considera o milho e o tabaco alternativas pouco eficientes para a produção dos microbicidas.

O NIH parece dar-lhe razão. O instituto americano licenciou as patentes dos genes para a Embrapa e firmou uma parceria de cooperação científica para a produção de soja transgênica com a técnica de biobalística.

AE

Novo tratamento de HIV: pausa maior em terapia

Pesquisadores apresentaram na 17ª Conferência Internacional sobre a Aids na Cidade do México uma vacina que permitirá aos pacientes com HIV uma interrupção mais longa no uso de medicamentos sem apresentar efeitos colaterais.

A vacina foi desenvolvida por uma companhia de biotecnologia baseada na Noruega, a Bionor Immuno.

Ao todo, 345 pacientes em 21 centros de tratamento nos Estados Unidos e Europa vão participar do teste da vacina, o maior deste tipo já realizado. Os resultados serão divulgados no final de 2009.

Barry Peters, do Kings College de Londres, lidera a pesquisa na Grã-Bretanha. “Mesmo se esta vacina não for a resposta final, pode ajudar na caminhada em direção a uma vacina imunoterapêutica contra o HIV.”

Uma pausa da terapia tradicional para pacientes com HIV poderia diminuir os efeitos colaterais associados aos medicamentos, como problemas do coração e fígado, diarréia, náusea e perda de gordura.

Também pode adiar o surgimento de vírus resistentes à medicação, além de significar economia para serviços públicos de saúde.

A vacina estimula uma resposta do sistema imunológico. Os remédios tradicionais de combate ao HIV bloqueiam a reprodução do vírus.

A nova vacina já foi testada duas vezes em uma escala mais reduzida, em 11 pacientes e depois em 38 pacientes com o HIV e os resultados foram promissores. A maioria dos pacientes conseguiu evitar o uso dos remédios habituais da terapia anti-retroviral por um período de, em média, 31 meses.

Durante este período de pausa, o nível de células CD4+, importantes na luta contra a infecção, permaneceu acima do nível que estes pacientes apresentavam quando iniciaram a terapia anti-retroviral.

Quarenta e quatro meses depois da interrupção do tratamento 34% dos pacientes ainda não tinham voltado à terapia anti-retroviral. Alguns pacientes ainda não voltaram à terapia anti-retroviral, cinco anos depois de o teste ter sido completado. Geralmente a terapia anti-retroviral não pode ser interrompida por mais de três a quatro meses sem apresentar efeitos colaterais. Ainda não se sabe se a vacina vai funcionar, mas a pesquisa é promissora.

BBB/UK

Antidepressivo na ajuda contra câncer e HIV

Um estudo conduzido por pesquisadores americanos sugere que os antidepressivos podem ajudar o sistema imunológico a lutar contra doenças graves, como câncer e HIV/Aids.

Os cientistas da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, afirmam que as células brancas – que uma vez instaladas em células infectadas provocam sua autodestruição – podem ser mais eficazes sob o efeito de antidepressivos.

A pesquisa foi motivada por estudos anteriores que concluíram que o estresse e a depressão podem acelerar os malefícios do câncer e do vírus HIV.

Para testar a hipótese de que os antidepressivos podem ajudar no combate dessas doenças, os especialistas recrutaram um grupo de mulheres infectadas com o vírus HIV. Algumas apresentavam quadro depressivo e outras não.

As voluntárias foram tratadas com três medicamentos contra depressão e estresse.

Dois deles, o citaloprama e a antagonista de substância P CP – 96345, aumentaram a atividade das células do sistema imunológico. Já o terceiro antidepressivo, o esteróide RU 486, não produziu efeitos.

“A pesquisa nos fornece evidências de que as funções das células de defesa podem ser ampliadas sob o efeito de inibidores específicos da recaptação da serotonina em pacientes depressivos e não-depressivos”, disse o coordenador da pesquisa, Dwight Evans.

O estudo foi publicado na revista especializada Biological Psychiatry.

BBC Brasil

%d blogueiros gostam disto: