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Nobel Medicina: Descoberta do HIV e o HPV no câncer

O prêmio Nobel de Medicina de 2008 foi atribuído ao alemão Harald zur Hausen e aos franceses Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier por suas descobertas separadas sobre dois vírus, o HIV (Aids) e o HPV (câncer do colo de útero), anunciou nesta segunda-feira (6), em Estocolmo, o Comitê Nobel.

O Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina deste ano parece ter sido talhado especialmente para recompensar as idéias que vão contra o senso comum e, quem sabe, corrigir uma injustiça histórica. O prêmio vai ser dividido pelo alemão Harald zur Hausen, responsável por mostrar que o HPV (papilomavírus humano) é capaz de causar câncer no colo do útero, e pelos franceses Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier, por sua descoberta do HIV, o até hoje temido e invicto vírus causador da Aids.

Contrariando o dogma de que os vírus não tinham relação nenhuma com tumores, Hausen, pesquisador do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer nascido em 1936, mostrou que o HPV era responsável por alterações genéticas nas células, as quais levavam à doença (entenda melhor no infográfico animado abaixo). Hoje já existem vacinas que podem prevenir o câncer ligado ao HPV impedindo a infecção pelo vírus.
A prova dos noves para flagrar o vilão microscópico veio da percepção de que o DNA do vírus havia se fundido às células cancerosas extraídas do colo do útero humano. A integração do material genético do vírus às células humanas é justamente o primeiro passo para a cadeia de reações que levam à formação do tumor.

O pesquisador alemão também identificou as variantes de HPV que são mais prejudiciais — os tipos 16 e 18, que juntos estão ligados a 70% das formas de câncer do colo do útero no mundo. O problema é o segundo tipo mais comum em mulheres, perdendo apenas para o de mama, atacando a cerca de 500 mil vítimas anualmente.

Já Barré-Sinoussi, do Instituto Pasteur e nascida em 1947, e Montagnier, da Fundação Mundial de Pesquisa e Prevenção da Aids e nascido em 1932, deram os primeiros passos para entender a misteriosa epidemia que aterrorizou o mundo no início dos anos 1980.

Os trabalhos da dupla francesa mostraram que a doença, caracterizada por devastar o sistema de defesa do organismo de suas vítimas, era causada por um vírus que invadia os linfócitos T — justamente células importantes para as defesas do corpo contra invasores. Os dados obtidos sobre o HIV, como o vírus acabou sendo batizado, levaram à capacidade de detectar rapidamente o patógeno (causador de doenças) e de combater sua multiplicação no organismo, embora a erradicação completa do vírus da Aids ainda seja um sonho distante.

É significativo que o prêmio tenha ido para a dupla francesa e não para o americano Robert Gallo, normalmente considerado um dos co-descobridores do HIV mas sobre quem já pairaram suspeitas de ter se apropriado indevidamente das descobertas de Montagnier. Coincidência ou não, a contribuição de Gallo nem chegou a ser mencionada no material distribuído à imprensa pelo Instituto Karolinska, órgão sueco que gere o Prêmio Nobel. De sua parte, o pesquisador francês deixou de lado qualquer conflito com Gallo há anos, e os dois têm trabalhado juntos na tentativa de incentivar mais recursos para as pesquisas sobre a Aids.

O alemão receberá metade do prêmio, enquanto a dupla francesa dividirá a outra metade. O valor total da premiação é de 10 milhões de coroas suecas (pouco menos de US$ 1,5 milhão).
G1

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