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Morre Flávio Alcaraz Gomes, um guerrilheiro da noticia

O jornalista Flávio Alcaraz Gomes morreu na manhã desta terça-feira, 5, em casa, aos 83 anos.

O ex-apresentador do programa Guerrilheiros da Notícia, da TV Pampa, será cremado amanhã, às 11h, no Crematório Metropolitano. O velório será realizado a partir das 16h de hoje.

Flávio havia retornado há poucos dias para casa, após ter ficado internado por cerca de um mês no hospital Moinhos de Vento, vítima de pneumonia.

O jornalista foi um dos fundadores da Rádio Guaíba e da Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e TV (Agert). Também teve passagens por outros veículos da Caldas Júnior, além do Grupo RBS. Nos anos 1970, Flavio destacou-se por suas coberturas internacionais , como a Guerra do Vietnã e o lançamento da nave espacial em Cabo Canaveral, nos Estados Unidos.

Trajetória:

Flávio começou como repórter de polícia do jornal Folha da , vespertino de Porto Alegre da Companhia Jornalística Caldas Jr., dirigida por seu primo, Breno Caldas. Depois de ter concluído o curso de Direito, foi estudar na Sorbonne,em Paris, nos anos 50. Já formado em Direito em 1949, participou de uma excursão da Faculdade a alguns países da Europa, de navio, em terceira classe, por 17 dias, ao lado de imigrantes que voltavam decepcionados com a América do Sul.

Voltou para Porto Alegre e começou a trabalhar no principal jornal do Estado de jornal Companhia Jornalística Caldas Júnior, o Correio do Povo; Em 1957 a Caldas Jr. fundou a Rádio Guaíba e Flávio foi ser seu primeiro diretor comercial. Em 1958 foi cobrir a “Copa do Mundo” da Suécia. Devido aos relacionamentos que tinha, conseguiu a façanha de montar um circuito exclusivo para o Rio Grande do Sul da PTT-e Post, Telegraph and Telephone, grande organização de comunicações da Europa.

Em 1967 foi ao “Vietnam cobrir a guerra, convidado pelo governo americano para visitar o Vietnam do Sul. A caminho do Vietnam, em escala no aeroporto de Rma, viu as manchetes dos jornais que diziam que o presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser tinha decretado o bloqueio do Golfo de Acaba, o que significaria a asfixia de Israel. Deduziu que a guerra seria iminente. Naquela ocasião se encontrava na Faixa de Gaza, numa zona mantida pela ONU, uma tropa de 500 soldados do Rio Grande do Sul, os “boinas azuis”, então concluiu que a notícia estava lá. Conseguiu  um visto e se deslocou ao Cairo. Dali mandava 3 matérias diariamente para o Correio do Povo e Folha da tarde, além de boletins para a Rádio guaiba.

Quando voltou à Porto Alegre foi trabalhar em todos os meios da Caldas Jr., atuando como repórter e comentarista dos jornais Correio do Povo e Folha da Tarde e da rádio Guaíba AM.

Correspondente internacional, escritor de sucesso, diretor de uma das rádios mais importantes de Porto Alegre, empresário bem sucedido… de repente veio a tragédia…nos anos setenta cometeu um homícidio. Matou um rapaz que estava namorando dentro do carro, no escuro, em frente a sua casa. Foi condenado a dez anos de prisão. (…)

Convidado por Mauricio Sirotsky, Flávio foi trabalhar na Rádio Gaúcha da RBS. Voltou à emissora do Grupo Caldas Júnior em 1988, ali trabalhando durante 19 anos. Durante o período que se prolongou até meados de 2007, sua carteira profissional năo foi assinada e os pagamentos eram sempre feitos em nome de uma empresa. Quando a Rede Record comprou a empresa, Flávio se sentiu desprestigiado pelos novos donos por ter tido o horário de seu programa de rádio mudado para as 9 da manhã, quando a maioria dos ouvintes já está ocupado com suas tarefas e desligados de seus aparelhos.

Por isso, Flávio entrou com uma ação na justiça contra a Record e em seguida transferiu seus programas para a rádio e TV Pampa onde vinha apresentado, até adoecer, o programa Guerrilheiros da Noticica na TV e na Rádio Pampa AM

Coletiva/Net

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