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Dilma convidou companheiras de cela para posse

Um grupo de 11 antigas militantes de esquerda e ex-companheiras de cela de Dilma Rousseff na ditadura militar está entre os convidados especiais da presidente eleita e acompanhará sua posse no sábado, no Palácio do Planalto.

Juntas com Dilma, elas estiveram presas na década de 70 na Torre das Donzelas, como era chamado o conjunto de celas femininas no alto do Presídio Tiradentes, em São Paulo. Para o local eram levados os presos políticos, depois de passarem por órgãos da repressão como o Dops e o DOI-Codi.

Entre as convidadas, que também estarão no coquetel no Itamaraty, está a economista Maria Lúcia Urban, que, na época, chegou grávida ao presídio e recebeu todos os cuidados de Dilma.

– A Maria Lúcia e a Dilma tinham uma relação muito forte, que se manteve – disse a socióloga Lenira Machado, outra integrante do grupo e responsável pelo convite da posse às outras colegas do Tiradentes.

Maria Lúcia hoje é diretora do Centro de Formação Estatística do Paraná. Lenira trabalha com projetos e programas do Ministério do Turismo.

Dilma ficou presa, foi condenada e passou três anos na cadeia. Antes de seguir para o Tiradentes, foi torturada durante 22 dias seguidos. A chegada da companheira à Presidência da República é motivo de orgulho para as colegas de militância política, ainda que atuassem em grupos de esquerda distintos e com pensamentos diferentes sobre como enfrentar o regime militar.

– Éramos de diferentes organizações, mas ocupávamos o mesmo espaço. Se não fosse a cadeia, jamais teríamos nos encontrado. Essa coisa nos unia – disse Rita Sipahi, que atuou na Ação Popular.

Dilma era da Var-Palmares. Rita é advogada e integra a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

” Naquela época, Dilma já tinha uma presença forte. Era naturalmente uma líder e muito solidária. Quando a vi num cargo importante no governo Lula, não tinha dúvida que chegaria a presidente do Brasil “


Os grupos de esquerda divergiam em especial sobre a adesão ou não à luta armada. Lenira e Dilma tinham uma posição idêntica e defendiam o confronto com os militares.

– Eu e ela concordávamos com a luta armada, embasada na formação de quadros. Não para ser uma simples aventura – disse Lenira, que foi torturada no DOI-Codi e, em 2008, reconheceu seu torturador e o denunciou publicamente.

A jornalista Rose Nogueira, que também estará na festa da posse, ficou alguns meses no presídio e tem muitas lembranças de Dilma. Ela se recorda do apego da petista aos livros. De todos os tipos, de teorias da economia aos clássicos da literatura universal. Nos trabalhos manuais na cela, Dilma tinha predileção, segundo Rose, pelo crochê. Fazia bordados em pano.

– Naquela época, Dilma já tinha uma presença forte. Era naturalmente uma líder e muito solidária. Quando a vi num cargo importante no governo Lula, não tinha dúvida que chegaria a presidente do Brasil – disse Rose, que lembrou ainda do gosto de Dilma pela música.

– Ela gostava de cantar “Chico mineiro” – contou Rose, citando uma música caipira que fez sucesso com a dupla Tonico e Tinoco.

As outras colegas de cela que estarão na posse são: a arquiteta Maristela Scofield; a uruguaia Maria Cristina de Castro, que trabalha no Ministério das Minas e Energia; a psicóloga Lúcia Maria Salvia Coelho; a arquiteta Ivone Macedo; Francisca Eugênia Soares e as irmãs Iara de Seixas Benichio e Ieda de Seixas, de uma família que atuou na oposição aos militares.

O Globo

Novo Governo: Giles Carriconde Azevedo será chefe de gabinete de Dilma

O gaúcho Giles Carriconde Azevedo vai ser o chefe de gabinete de Dilma Rousseff na Presidência.

Ao lado de Dilma Rousseff há 20 anos, Giles oferece contraponto à personalidade forte da presidente eleita.

Nem a rotina de doze horas de trabalho diárias e as centenas de noites mal dormidas durante a campanha eleitoral tiram a calma do auxiliar, chamado a compor a equipe de transição de Dilma como coordenador técnico.

Continua a cargo dele, portanto, a função de organizar a atarefada agenda da presidente, como uma espécie de homem-calendário, com salário de 11.179 reais. O talento tende a ser aproveitado no governo Dilma. É um dos mais cotados nomes para a chefia de gabinete da Presidência. Avesso a entrevistas, ele evita tocar no assunto, mas não nega ter currículo para o cargo.

Amizade – A longevidade da amizade entre Dilma e Giles garante a confiança da presidente nele. O auxiliar foi uma das raras pessoas a quem ela confidenciou que seria candidata à Presidência da República. E uma das únicas a conversar com a presidente eleita sem intermediários e fora do horário de serviço. Giles costuma ser o primeiro a saber de (quase) tudo o que se passa na cabeça de Dilma.

A relação da dupla começou na Secretaria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, seguiu adiante no Ministério de Minas e Energia e na Casa Civil, onde ele foi chefe de gabinete e secretário-executivo adjunto. Subordinados o definem como incansável, justo e profissional.

Fora do escritório, Giles faz questão de preservar os laços familiares. Avalia como hobby buscar os dois filhos – um de quatro anos e outro de sete – na escola. Geólogo por formação, costuma se aventurar em trilhas.

Nas vezes em que viajou com Dilma, contudo, o roteiro foi bem diferente. Eles foram juntos para Alemanha, Itália e Canadá. As fotos das viagens estão guardadas a sete chaves – o que convém ao estilo reservado de Giles.

Em pelo menos uma ocasião ele substituiu a chefe. Em 28 de dezembro de 2009, durante as férias de Dilma, Giles assumiu o posto de ministro da Casa Civil. A secretária-executiva da pasta, Erenice Guerra, foi preterida. Estranhou-se em Brasília o fato – sinal de que Giles já era mais forte do que se imaginava.

Charge: Tucanos & Urubus

Do Blog: Julinho & Seus desenhos:
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