Arquivos de tags: Gordura Trans

Saúde: gordura trans tem que ser banida

As indústrias rechaçam qualquer prazo para eliminar a gordura trans dos alimentos consumidos no país. O presidente da Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação), Edmund Klotz, reage com ironia ao comentar os planos do Ministério da Saúde de ver, em pouco tempo, o Brasil livre da mais danosa das gorduras.

“Se for fixado um prazo para acabar com a gordura trans, vamos ter de criar porco de novo e voltar à velha banha”, afirma Klotz. “Ainda não temos nada com um resultado final parecido com o dessa gordura.”

Neste ano, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, convocou os fabricantes e defendeu o modelo do Canadá, que deu três anos para que o ingrediente fosse banido.

O empenho do ministro se justifica pelos gastos com o tratamento dos brasileiros que comem mal. Cerca de 168 mil pessoas foram hospitalizadas em 2007 em decorrência de acidente vascular cerebral –uma das conseqüências do colesterol alterado–, o que custou R$ 118 milhões aos cofres públicos.

A indústria reagiu dizendo que os três anos são um prazo curto demais. Já há alternativas para a gordura trans, como os óleos de girassol e de palma. O problema é que são mais caros..

A gordura trans é ingrediente de boa parte dos alimentos industrializados. Está nos biscoitos, nos sorvetes, nas margarinas, nos requeijões, nas frituras, nos salgadinhos e até nas misturas para bolos.

Surgiu como uma alternativa –acreditava-se– mais saudável à gordura animal, por ser obtida de óleos vegetais. A gordura animal aumenta o LDL (o colesterol ruim) no sangue.

Mais que isso, a nova gordura foi amplamente adotada por ser pastosa, quase sólida, e não líquida. É o atributo que deixa a margarina cremosa e o biscoito crocante. Além disso, aumenta o prazo de validade e deixa o sabor mais agradável.

Nos anos 90, porém, estudos científicos descobriram que a gordura trans é extremamente prejudicial à saúde. Mais até que a gordura animal. Além de aumentar o LDL, reduz os níveis de HDL (o colesterol bom).

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que um adulto não consuma mais que dois gramas de gordura trans por dia -quantidade que se alcança comendo três biscoitos recheados de morango.

FSP

Nova Iorque proíbe gordura trans em cardápios

A partir de primeiro de julho entra em vigor na cidade de Nova Iorque a etapa final da proibição do uso de gorduras trans artificiais em comidas de restaurantes.

A antiga gordura vegetal foi banida com o propósito de reduzir as doenças cardíacas por causa de seu alto conteúdo de gordura industrial.

Assim, produtos como a manteiga, o azeite de dendê e a banha voltam ao cardápio e, desta vez, legalizados. A multa para os estabelecimentos que não se adequarem as novas normas chega a US$ 2 mil.

A cruzada contra a trans faz todo o sentido e tem sua justificativa. Esta gordura surge a partir da transformação da gordura vegetal, que é líquida, em um ácido graxo sólido. Isso ocorre graças ao processo industrial de hidrogenação parcial, que dá origem à gordura vegetal hidrogenda, a trans.

Criada para dar mais sabor, melhorar a consistência e prolongar o prazo de validade de diversos alimentos, a gordura trans está na pipoca de microondas, nos salgadinhos de pacotes, nos donuts, nos biscoitos, nas bolachas, nos sorvetes, nas margarinas e em vários itens das refeições de lanchonetes fast-food, como a batata frita, os nuggets e as tortinhas doces. E os óleos de cozinha, mesmo os vegetais, se usados mais de uma vez, acabam se transformando em trans. Apesar de ter criado várias vantagens para a indústria alimentícia, a substância é um verdadeiro inimigo silencioso do organismo.

– Além de aumentar o nível de triglicerídeos e do colesterol total, essa gordura eleva o a taxa do LDL (colesterol ruim) e diminui a do HDL (bom colesterol). Não há combinação pior para a saúde do coração – explica o cardiologista Marcus Bolívar Malachias, que coordena, na Sociedade Brasileira de Cardiologia, o serviço do selo de qualidade de produtos industrializados.

Nova York não está sozinha no combate à trans. A Dinamarca impôs em 2003 uma proibição a todos os alimentos industrializados que apresentassem mais de 2% de gordura trans para cada 100 gramas de gordura total, e o Canadá já considera uma proibição semelhante.

NYTimes

%d blogueiros gostam disto: