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Vi, gostei e colei: Bodas gay no RS em 1891


Tá no Blog do mestre em jornalismo, Jayme Copstein com o título:

Tempos de antanho

Nestes tempos de debate sobre o casamento de gays, vale retroceder a uma notícia curiosa, publicada pelo jornal “A Época”, em outubro de 1891, e reproduzida por Alfredo Ferreira Rodrigues no seu “Almanak Litterario e Estatistico do |Rio Grande do Sul, edição de 1894:

O leitor não deve tomar por pilhéria esta notícia que é o que de mais verdadeiro possa haver. Pessoa muito respeitável, chegada no Mercedes e residente em Canguçu, informa-nos que em dias deste mês celebrou-se ali um casamento civil entre dois homens, sendo que o que representava a noiva estava vestido de mulher.

Fez-se a competente habilitação pelo cartório do juiz de casamentos, correram as proclama, e os nubentes assim preparados foram à presença do juiz de paz com grande e festivo acompanhamento. O juiz de paz nenhuma desconfiança teve e celebrou o casamento. A noiva portou-se irrepreensível; não lhe faltou a imprescindível pudicícia, o choro e a ternura ao se deixar abraças pelas senhoras.

Não ficou somente aqui o caso: finda a cerimônia, houve grande bródio (= banquete) nupcial e só mais tarde, chegadas as cousas a certo ponto e depois de se beber muito vinho é que o caso fez explosão. Repetimos: o caso é verdadeiro.

Não se sabe o que aconteceu depois porque o jornal não contou em que consistiu a “explosão”. Considerando-se, porém, o espírito da época, é de se imaginar a festa terminando na delegacia, como em Porto Alegre, em 1946, quando casamento semelhante foi interrompido pela polícia em um velho pardieiro da Rua da Praia. Aqui, os protagonistas foram logo soltos porque a “noiva” era filho de autoridade da própria polícia.

Em nenhum dos dois casos esteve em debate o direito da união entre gays, como acontece hoje. Fatos assim mereciam publicação pelo inusitado.

Jayme Copstein

http://www.jaymecopstein.com.br

Gaúchos preocupados com influência gay nos CTGs

Está se multiplicando nos meios gauchescos, mais do que fofoca em boca de comadre, um artigo alertando contra o que chamam de “avanço assustador do homossexualismo”, inclusive nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs).

O texto, publicado no dia 6 pelo tradicionalista Ademir Canabarro no site www.coxixogaucho.com.br, é polêmica em estado puro com as ONGs que defendem os direitos dos homossexuais. O autor, um comerciante gaúcho radicado em Santa Catarina, diz que a liberdade de escolha sexual “invadiu” o tradicionalismo.

Apesar de se afirmar favorável à livre expressão da sexualidade, Canabarro critica muitos peões que dançam nos CTGs como se “disputando com a prenda doçura e meiguice”, a tal ponto que parecem “duas prendas dançando”.

— Os peões mais delicados, por assim dizer, não devem se esquecer que neste momento estão interpretando um homem heterossexual que prefere mulher — argumenta Canabarro.

Nascido em Santo Ângelo (RS), o “cataúcho” Canabarro vive há 22 anos em Navegantes (SC) e ressalta que não é porta-voz do MTG, sequer ligado ao movimento, “apenas um tradicionalista”. Ele acredita que o “jeito de ser gaúcho” só sobrevive porque os CTGs criaram regras, ao ponto de o MTG ser “o maior movimento cultural regional do mundo”.

— O que não pode é descaracterizar. Tempos atrás, um CTG de Brasília sediou um baile gay. Ora, aquilo é lugar para tradição gaúcha, não para cultura homossexual — diz Canabarro.

Ele não teme ser taxado de preconceituoso, até porque não está isolado em sua opinião. O artigo que ele escreveu tem sido reproduzido em correntes de e-mails Brasil afora e em outros sites.

Ao saber do artigo o coordenador-geral do Grupo Gay  Somos, o advogado Gustavo Bernardes, mostrou-se “perplexo, mas não surpreso” com a postura do tradicionalista.

— Não entendo o medo deles, se são tão machos. A homossexualidade não é contagiosa. Não é doença nem perversão, já provado pelo Conselho Federal de Medicina e pela Organização Mundial da Saúde. Se fosse contagiosa ou capaz de influenciar, não haveria gays, porque eles vêm de um casal hétero — afirma.

Bernardes avalia que o preconceito com gestos femininos dentro dos CTGs deve-se a uma visão machista, que vê a mulher como um ser inferior ao homem. Segundo ele, as práticas sexuais entre pessoas do mesmo sexo não são recentes:

— Há casos desde a Grécia antiga. Nos CTGs, isso também não é de agora, só está aparecendo mais.

Para o presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Oscar Gress, o artigo de Canabarro é um alerta para a preservação dos costumes gaúchos e contra os “excessos de maneirismos” de alguns homens nos CTGs. O líder maior dos tradicionalistas diz que ninguém é contra os gays, “desde que não tentem transformar os CTGs num mundo cor-de-rosa”.

Mas Bah!

Humberto Trezzi/Zh

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