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Igreja católica ganha concessão de FM em Porto Alegre

Três dias depois de o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, suspender a concessão de novas licenças de rádio e TV por suspeita de fraudes, o pai do advogado-geral da União foi contemplado com uma emissora FM em Porto Alegre.

O beneficiado nega ter solicitado o pedido ao filho – Luís Inácio Lucena Adams –, e a pasta alega que a concessão foi decidida anteriormente. A autorização, obtida pela Fundação Cultural MIR, sediada na Capital, foi publicada no Diário Oficial da União no dia 31 de março.

No dia 28, o ministro havia anunciado a suspensão de novas outorgas, em razão de reportagens publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo que revelaram o uso de laranjas na compra de rádios e TVs do governo, além da revenda ilegal de emissoras educativas.

De acordo com o ministério, a portaria estava assinada desde 3 de março e sua publicação depois do anúncio foi “uma infeliz coincidência”. Essa foi a única outorga de emissora educativa autorizada, até o momento, no governo Dilma Rousseff. O advogado-geral da União foi secretário-executivo-adjunto de Paulo Bernardo no Ministério do Planejamento, no governo Lula.

A fundação MIR é vinculada à Igreja Católica, e tem como diretor-geral Reinaldo Ignácio Adams, pai do advogado-geral da União. O pedido da emissora educativa tramitava desde 2004. Economista com doutorado na Universidade de Ohio, Reinaldo Adams aposentou-se como professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e há 15 anos dirige outra fundação que tem duas rádios no Interior.

Em entrevista, o secretário de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Genildo Luiz Albuquerque, disse que desconhecia que a Fundação Cultural Mir era comandada pelo pai do ministro Adams. Albuquerque considerou, no entanto, o parentesco “irrelevante” para o processo de concessão. “Não foi dada uma concessão para o pai do ministro. Foi outorgada a uma fundação que tem convênio com uma universidade, que vai produzir informações”, afirmou o secretário. “O fato de a fundação ser dirigida pelo pai do ministro não muda nada”, completou. “Não é informação relevante no processo”.

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