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Dunga: o rancor da imprensa

O terceiro tempo já começou e será muito mais desagradável do que o segundo, o inesquecível pesadelo em Nelson Mandela Bay, Port Elizabeth, África do Sul.

A seleção argentina e especialmente o seu técnico, Diego Maradona, foram literalmente humilhados pelos alemães em campo e nas manchetes da imprensa internacional. Mesmo assim, foram recebidos no domingo (4/7) com muito respeito. Dez mil torcedores foram ao aeroporto de Ezeiza, Buenos Aires, solidarizar-se com o ídolo caído.

Nosso fiasco no gramado foi muito menor, o placar foi menos vexatório, a mídia mundial não nos espezinhou, apenas lamentou, mas aqui a indignação contra Dunga e seus pupilos é gritante.

Há um clima generalizado de malhação e uma raivosa caça aos bodes expiatórios que não condiz com a nossa cordialidade e bonomia. E quem está vocalizando a exibição de rancor é a imprensa.

Convém lembrar que no mesmo dia em que nossos guerreiros/cervejeiros foram obrigados a engolir a laranjada holandesa, a Folha de S.Paulo publicava uma sondagem segundo a qual Dunga tinha 69% de aprovação popular.

Erro de tabulação, inconstância da opinião pública ou perfídia de uma imprensa que esquece os verdadeiros culpados pela lambança – os cartolas – e investe apenas contra seus medíocres prepostos?

Faxina nos bastidores

Dunga foi desastrado e desastroso no trato com a imprensa, disso não há menor dúvida. Mas quem escolheu Dunga e deu-lhe cobertura em todas as crises foi o chefão da CBF, Ricardo Teixeira.

No antigo Japão quem cometia o haraquiri era o chefe supremo, aquele que escolhia o responsável pelo fracasso (quando não os dois).

Maradona soube interpretar magistralmente a vocação melodramática argentina, por isso está sendo amparado, ao menos neste início da ressaca. A imprensa o ataca por tabela para atingir seus padrinhos, o casal Kirchner, empenhado numa queda de braço com os meios de comunicação.

Mas a indicação do casmurro, bronco, zangado e incompetente Dunga contrariou radicalmente todos os arquétipos e paradigmas da alma brasileira; infame foi quem o preferiu, contrariando toda a lógica e esmagadoras evidências.

Qual o grande grupo brasileiro de mídia que terá a coragem de peitar o caudilho Ricardo Teixeira?

De nada adiantará a renovação total do plantel de jogadores para o Mundial de 2014 sem o indispensável saneamento dos bastidores do futebol. E para levar este processo às últimas conseqüências será preciso repensar o papel dos jornalistas na cobertura do espetáculo desportivo.

Por Alberto Dines. Observatório da Imprensa

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