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Artigo: Miriam Leitão a louca

por Miguel do Rosário, no Óleo do Diabo

Miriam, a louca

Durante toda minha vida convivi com o medo da loucura. É uma coisa de família, uma paranóia horrível. No entanto, nunca surtei, nunca perdi um milímetro de minha lucidez.  Em momentos de depressão, todavia, a paranóia insiste em voltar. Hoje descobri quão ingênuo tenho sido. Doida é a Miriam Leitão. E se uma louca como ela pode ser a principal colunista econômica do país, eu, se eu for louco (e o Frank Sinatra dizia que todos o somos), também posso ter minhas ambições. Leiam a matéria abaixo:

O peso da máxi

Já é maxidesvalorização. De 26 moedas emergentes, o real foi que mais perdeu: 35%. Desde agosto, se a conta do PIB for feita em dólar, é como se o Brasil tivesse perdido US$ 309 bi. Parte é efeito dos derivativos dos exportadores, um problema que ninguém sabe a dimensão. Um exportador me disse o seguinte: “O BC pede serenidade como o capitão do Titanic mandava a orquestra tocar.”

O Banco Central fez ontem várias operações no mercado de câmbio e não reduziu a pressão do dólar. Quanto mais o dólar sobe, mais os exportadores que fizeram operações especulativas com câmbio perdem dinheiro.

— O exportador estava apostando a favor da moeda brasileira. Quem está ganhando dinheiro são os bancos estrangeiros. Além disso, os exportadores não estão conseguindo se financiar para produzir; a exportação vai parar — disse o presidente de uma das maiores empresas brasileiras.

O BC, segundo me garantiu ontem um dos seus dirigentes, não tem qualquer compromisso em defender a queda do dólar. Não está fazendo leilões para evitar que o dólar suba, mas sim para suprir a falta das linhas de crédito internacionais para o comércio. O problema é que não tem adiantado.

Nathan Blanche, especialista em câmbio, acha que o BC tem que vender dólar líquido, em operações direcionadas aos exportadores. Com mais oferta, o dólar pode cair, reduzindo a cotação e o prejuízo das empresas.

Leram? Acreditam nisso? Durante seis anos, a senhora PIG vociferou contra o dólar baixo, dizendo que as exportações brasileiras seriam fortemente prejudicadas. Fazia, sistematicamente, previsões catastróficas para a balança comercial, que, segundo ela, não resistiria ao câmbio desfavorável. Os números sempre contradiziam suas previsões. O Brasil ampliou e ainda vem ampliando suas vendas externas mesmo com moeda forte. A razão é a enorme diversificação de nossos produtos, e a melhora da qualidade deles. Em muitos setores, como carnes, autopeças e aviões, produto brasileiro é sinônimo de excelência e o mundo aceita pagar um pouco mais caro.

Mas, como todos sabem, exportadores ganham em dólares. Quando o dólar cai, portanto, eles perdem. Eles têm resistido, nos últimos tempos, através do aumento da produtividade e redução de custo. Agora, com essa disparada do dólar, a senhora PIG quer nos convencer, na contra-mão de tudo que afirmou por anos a fio, que os exportadores terão prejuízo com a alta do dólar e cita empresários que teriam “especulado” com o câmbio.

Ora, senhora PIG, no mercado cambial existem diversas ferramentas para evitar riscos com o câmbio. São os chamados hedge, onde você faz um seguro para evitar sustos com dólar baixo ou alto. Os exportadores prudentes fazem hedge, os especuladores especulam. Há séculos que exportadores brasileiros que especulam com o câmbio acabam quebrando uma hora ou outra. Com isso, surgiu uma classe de empresários que prefere dispensar o lucro fácil e arriscado e fazer negócios de maneira mais segura e estável. Não se trata apenas de capitalismo, mas da própria vida. De valores. Concorrência.

Pegue dois empresários que competem no mercado de exportação de um determinado produto. Um deles especula e procura, com o lucro, prejudicar seu concorrente, que não especula e, por isso, não pode oferecer os descontos que o outro oferece aos clientes. Quando ocorre uma crise cambial que dá prejuízo ao especulador, há uma justiça.

No fundo de todo movimento, há uma justiça, uma busca pelo equilíbrio. A senhora quer defender os especuladores? E ainda afirmar que os exportadores estão perdendo dinheiro com o dólar alto? Ora, o dólar está pouco mais de R$ 2. Há seis anos era R$ 4!!!! O exportador que não especulou, ao contrário, poderá ganhar muito mais com o dólar alto, pela razão óbvia de que o preço de seu produto é cotado em dólar.

A ideologia vendida por nossa mídia é estarrecedora. Dinheiro para melhorar salários e assistência social é considerado “aumento de gastos”. Mas sempre que o governo acena com empréstimos paternalistas (ou mesmo doações, sob o título de pacote anti-crise sistêmica), os mesmos colunistas e editorialistas reagem com indisfarçável entusiasmo.
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Do Blog Óleo do Diabo

BIRD põe US$ 7 bilhões à disposição do Brasil

O Banco Mundial (Bird) e o governo brasileiro chegaram a um acordo sobre a “estratégia de assistência” relativa ao Brasil. Com isso, a instituição vai colocar US$ 7 bilhões em financiamentos à disposição do país até 2011, segundo comunicado emitido pelo banco nesta quinta-feira (1º).

O cronograma foi elaborado em conjunto entre o Bird e o governo brasileiro, destacou a nota do banco.

O Banco Mundial também diz que também vai garantir seu “selo de aprovação” ao programa de etanol, a ajuda social do Bolsa-Família, o combate à AIDS e programas comunitários de redução da pobreza.

O anúncio do banco vem um dia depois de a agência americana de classificação de riscos financeiros Standard & Poor’s ter concedido o grau de investimento ao Brasil. O Brasil é considerado hoje um país seguro pelos investidores internacionais, graças a uma maior “maturidade” de suas instituições e de suas políticas.

Deste montante, US$ 976 milhões serão destinados a Minas Gerais, para promover o crescimento econômico e a redução da pobreza; US$ 84 milhões para um programa nacional que melhora o acesso da população a serviços de saúde; e US$ 550 milhões ao estado de São Paulo, com o objetivo de melhorar o serviço de trens da região metropolitana, informou o Bird.

Os estados receberão a maior parte dos dinheiro concedido em forma de empréstimo – cerca de 70% -, desde que estejam em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

BC

Estados Unidos: prejuízo de US$ 1 trilhão

A fatura do estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos está cada vez maior. Ao divulgar ontem o relatório semestral Estabilidade Financeira Global, o Fundo Monetário Internacional (FMI) assegurou que as perdas com crédito nos Estados Unidos, que, de início, pensou-se restritas aos financiamentos de alto risco (subprimes), já chegaram a US$ 945 bilhões até março, valor correspondente a 62% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

Segundo Jaime Caruana, diretor do Departamento de Mercado de Capitais do Fundo, o calote se expandiu do mercado de hipotecas residenciais para os financiamentos à empresas e ao consumo. “À medida que o ciclo de crédito gira, a taxa de inadimplência aumenta”, afirmou.

Pelas contas do FMI, dos quase US$ 1 trilhão em prejuízos, US$ 565 bilhões se referem a financiamentos imobiliários, parte deles concedida a mutuários classificados pelos bancos americanos como de excelente histórico de pagamento. Outros US$ 240 bilhões deixaram de ser honrados por companhias que compraram imóveis comerciais.

Nos cálculos do FMI, além de um crescimento menor da economia global (de apenas 3,7% em 2008), os bancos, fundos de pensão e companhias de seguros de todas as partes do mundo que se envolveram com os subprimes terão prejuízos entre US$ 440 bilhões e US$ 510 bilhões.

Correio Braziliense

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