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Projeto “Brasil Nunca Mais” todo acervo digital na internet

O Arquivo Público do Estado de São Paulo, o Ministério Público Federal e o Armazém Memória realizam no próximo dia 14 de junho, às 14h30, o “Ato Público de Repatriação do Acervo do Brasil Nunca Mais”. Durante o evento será anunciado o início do projeto Brasil Nunca Mais Digital, que irá digitalizar e colocar na internet o acervo do projeto Brasil: Nunca Mais, formado por cópias em microfilme de 707 processos judiciais do Superior Tribunal Militar. Também serão digitalizados cerca de 4 mil documentos do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) sobre o mesmo tema.

O projeto Brasil Nunca Mais Digital é uma iniciativa do Ministério Público Federal, Armazém Memória e do Arquivo Público do Estado de São Paulo, com o apoio da OAB/RJ, do Center for Research Libraries (EUA), do Conselho Mundial de Igrejas (Suíça) e do Instituto de Políticas Relacionais. O objetivo do projeto é disponibilizar ao público, pela internet, o acervo integral do Brasil: Nunca Mais, assim como os documentos que registraram o seu desenvolvimento. O prazo estipulado para o término do projeto é de um ano após o seu início, no dia 14 de junho.

Caberá ao Arquivo Público a digitalização de cerca de 1 milhão de páginas dos processos datados de 1961 a 1976, que contêm informações e evidências de violações dos direitos humanos praticadas por agentes do Estado durante a ditadura militar. Já o acervo do CMI é formado principalmente por correspondências trocadas entre os responsáveis pelo projeto Brasil: Nunca Mais durante os seus seis anos de execução.

Participará do ato o Procurador-Geral da República, Roberto Monteiro Gurgel, entre outras autoridades. Na ocasião, o Conselho Mundial de Igrejas e o Center for Research Libraries (EUA) irão entregar cópias de seu acervo mantido no exterior ao Procurador-Geral, a fim de que elas sejam digitalizadas para compor o projeto Brasil Nunca Mais Digital.

Durante o evento, também serão prestadas homenagens a algumas pessoas que se dedicaram a este projeto: Dom Paulo Evaristo Arns, Rev. Jaime Wright (in memoriam), Paulo Vannuchi e Eny Raimundo Moreira.

Projeto Brasil: Nunca Mais

O projeto Brasil: Nunca Mais, coordenado pelo arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns e pelo Pastor Jaime Wright, foi realizado clandestinamente entre 1979 e 1985 durante o período final da ditadura militar, gerando um importante acervo sobre a história do país. O projeto pretendia evitar o possível desaparecimento de documentos durante o processo de redemocratização.

Após seis anos de trabalho em sigilo, a tarefa foi finalizada, resultando na cópia de mais de um milhão de páginas de processos do Superior Tribunal Militar. Diante da preocupação com a apreensão do material, a alternativa encontrada foi microfilmar os documentos e remeter os filmes para o exterior.

Serviço

“Ato Público de Repatriação do Acervo do Brasil Nunca Mais”

Data: 14 de junho, às 14h30

Local: Auditório da Procuradoria Regional da República – 3º região

Endereço: Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, 2020, térreo, Bela Vista, São Paulo/SP

Não é necessária inscrição.

Veja a programação completa do evento aqui.

Arquivos da ditadura no Brasil serão abertos

O governo brasileiro conclui os últimos prepararivos para, ainda este ano, autorizar a abertura dos arquivos relativos ao período da ditadura. O ministro interino da Justiça, Luís Paulo Teles Barreto, afirmou, ontem, que nos próximos dias serão definidos os critérios para a abertura dos documentos. Porém, Barreto adiantou que os arquivos considerados secretos e ultra-secretos serão mantidos sob sigilo para segurança do Estado.

– Nós próximos dias nós teremos um avanço a respeito disso – afirmou o ministro, que participou de uma sessão de julgamento da Comissão de Anistia, realizada na sede da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB).

Barreto afirmou que um grupo coordenado pela chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, já está em fase de conclusão dos estudos sobre a abertura dos arquivos. Mas ressaltou que os documentos caracterizados como secretos e ultra-secretos serão preservados da revelação pública de detalhes.

– Os estudos são para que todos os documentos públicos possam ser abertos e dar acesso à população, ressalvando aqueles que, porventura, podem ser secretos e ultra-secretos que deve ser mantidos (preservados) por interesse de segurança do Estado – explicou. – Mas esse assunto está em avançado estágio de discussão e devemos ter em breve uma solução – afirmou Barreto.

Críticas ao Exército

O chefe da Secretaria de Direitos Humanos, ministro Paulo Vannuchi, reclamou da falta de informações por parte das Forças Armadas. Segundo ele, apesar do apelo de Dilma Rousseff para que fossem enviadas informações sobre os registros ocorridos no período da ditadura, os dados não foram remetidos sob a alegação de que “não havia informações”.

– Isso realmente não convence – afirmou ele, que também participou da reunião na CNBB.

Segundo Vannuchi, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, está empenhado em obter os dados referentes aos registros militares do período da ditadura e remetê-los à comissão que organiza a abertura dos arquivos da ditadura.

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Geraldo Lyrio Rocha, e Carlos Moura, do grupo Justiça e Paz, defenderam ontem um esforço coletivo para evitar que episódios de violência, registrados durante a ditadura, voltem a ocorrer. – Tortura d Repressão nunca mais – afirmou d. Lyrio.

Folhapress

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