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Homens são 80% dos demitidos no Brasil


Protesto em Brasília contra demissões de janeiro

De cada dez vagas fechadas no Brasil após o início da crise financeira
mundial, oito eram ocupadas por homens. Dados do Caged (Cadastro Geralde Empregados e Desempregados) mostram também que entre novembro de 2008 e janeiro deste ano, o mercado perdeu 797.515 postos de trabalho.
Desses, 79% eram preenchidos por trabalhadores com ganhos entre 1 e 3 salários mínimos (de R$ 415 a R$ 1.245 à época).

Os setores que mais demitiram foram a construção civil e a indústria, atividades em que predominam as pessoas do sexo masculino.

Além disso, dizem os especialistas,historicamente os trabalhadores de renda mais baixa são os que mais entram e saem do mercado, inclusive na crise.

Gasto com seguro-desemprego é recorde

O gasto do governo federal com o seguro-desemprego atingiu R$ 1,417 bilhão em fevereiro, o maior valor desde janeiro de 2008. O montante representa uma alta de 19% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em janeiro deste ano, foram registrados 658,3 mil novos pedidos de seguro-desemprego, outro recorde histórico.

Trabalhadores deixam de sacar R$ 273 milhões

Em tempos de crise e aumento do desemprego, 658 mil trabalhadores parecem não dar importância a um dinheiro extra, no valor de um salário mínimo. Esse é o número de pessoas que têm direito ao abono salarial do PIS e ainda não sacaram. São R$ 465, que dá um total de R$ 273 milhões. É importante lembrar que o abono não sacado até 30 de junho não é incorporado às cotas do PIS, mas devolvido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador.

Antes de ir aos locais de atendimento, o trabalhador deve verificar se recebeu ou não o benefício antecipadamente, por meio de crédito em conta. Para se certificar, basta olhar os extratos bancários de julho e novembro de 2008 e os contracheques dos salários de julho, agosto ou setembro de 2008.

O abono pode ser sacado com o cartão do cidadão nas máquinas de auto-atendimento, casas lotéricas e Caixa Aqui, inclusive em fins de semana. Quem não tem o cartão do cidadão deve procurar uma agência da Caixa com documento de identidade e comprovante de inscrição no PIS.

Recebe o abono o trabalhador cadastrado no PIS ou Pasep até 2003, que trabalhou pelo menos 30 dias, consecutivos ou não em 2007 com carteira assinada por empregador contribuinte do PIS-Pasep, recebeu, em média, até dois salários mínimos mensais e a sua empresa informou corretamente seus dados de emprego na Rais do ano-base 2007.

Já os rendimentos do PIS podem ser sacados pelo trabalhador cadastrado no PIS-Pasep até 4/10/1988 e tenha saldo de PIS. Diferentemente do abono, o trabalhador que não sacar os rendimentos não perde o dinheiro. Ele é creditado na sua conta do PIS.

Finalmente, as cotas (o saldo total depositado na conta do PID) podem ser sacadas por motivo de  aposentadoria, invalidez permanente, reforma militar, transferência para a reserva remunerada, aids ou câncer do titular ou de seus dependentes, morte do titular, benefício assistencial à pessoa portadora de deficiência e ao idoso e participante com idade igual ou superior a 70 anos.

Governo amplia seguro-desemprego para até sete meses

O Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) aprovou, a pedido do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o pagamento do seguro-desemprego por um período de cinco a sete meses para setores que estão enfrentando sérios problemas de desemprego. Atualmente, o benefício é pago de três a cinco meses e o valor máximo é de R$ 870,01.

Carlos Lupi disse que se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sentir necessidade, é possível ainda estender o benefício por até 10 meses, com medida provisória. Ele refutou a possibilidade de redução no valor do benefício. Serão beneficiados os setores que estão em situação crítica quanto às demissões ocorridas em dezembro, janeiro e fevereiro, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O ministro citou como exemplo a siderurgia e a mineração.

– Não podemos fazer aleatoriamente, pois podem ocorrer solicitações indevidas. Alguns setores, como construção civil e serviços, já estão revertendo a situação – explicou.

Lupi lembrou que os dados de emprego de janeiro são negativos, mas ‘infinitamente’ melhores que os de dezembro.

Continental demite 120 em Hortolândia

Fábrica da BSH Continental

Fábrica da BSH Continental

A fabricante de eletrodomésticos BSH Continental informou hoje ter demitido em dezembro passado 120 funcionários de sua fábrica instalada no município de Hortolândia, no interior paulista. Segundo a empresa, os cortes vieram após uma série de “atividades de contenção de custos e racionalização”.

O número revelado pela empresa, entretanto, difere das informações distribuídas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, de que 200 funcionários com doenças profissionais ou seqüelas de acidente de trabalho teriam sido desligados da unidade.

“A demissão atinge cerca de 200 trabalhadores com problemas de LER (Lesões por Esforços Repetitivos), de coluna, perda de audição e da capacidade laboral em conseqüência de acidente de trabalho, etc.”, diz nota encaminhada pela entidade.

A BSH Continental, por sua vez, alega desconhecer a demissão de qualquer funcionário que tenha estabilidade legalmente reconhecida em razão de doença profissional.

(Valor Online)

Gerdau vai demitir no Rio Grande do Sul

A Gerdau adotou novas medidas como parte de ajustes feitos desde dezembro para adaptar a produção aos efeitos da crise financeira mundial sobre a demanda. Na Aços Especiais Piratini, em Charqueadas (RS), a mudança foi no regime de trabalho, que passou a ter duas turmas, em vez de três.

Na Gerdau Riograndense, em Sapucaia do Sul (RS), o grupo informou que serão demitidos alguns funcionários, sem detalhar o número. Entre os funcionários, circulou a previsão de que haverá 40 demissões hoje, de um total que pode passar de 120. Os metalúrgicos terão reunião com a empresa na próxima semana.

A Riograndense tem cerca de 1.200 empregados. Conforme a Gerdau, a decisão foi adotada ?após a tomada de uma série de medidas para reduzir custos e adequar a produção à menor demanda por aço?. A Gerdau Riograndense havia antecipado manutenções e adotado férias entre 15 de dezembro e 4 de janeiro.

Na Piratini, a mudança reduziu as turmas de trabalho de três para duas em áreas industriais, mantendo os mesmos dois turnos. Com isso, o adicional de turno pago aos funcionários envolvidos na mudança caiu de 15% para 6% sobre a remuneração, explicou o grupo. A Gerdau ressaltou que a medida não resultará em demissões e será feita mediante antecipação de férias. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Charqueadas, Jorge Luiz Silveira de Carvalho, disse que a modificação está legalmente amparada nos contratos de trabalho, mas o ideal é que fosse negociada antes com a categoria.

SANDRA HAHN

Crise: Volks dá férias; em Manaus folga para 10 mil

A Volkswagen anunciou hoje que vai conceder férias coletivas a 900 trabalhadores que fazem o terceiro turno na unidade de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, como uma forma de “adequação do processo produtivo”. Os trabalhadores ficarão em casa durante dez dias entre 3 e 13 de novembro.

A empresa monta na unidade paranaense aproximadamente 810 veículos por dia nos três turnos. De acordo com a assessoria, a Volks tem “flexibilidade” para evitar qualquer descontinuidade no fornecimento de veículos durante o período das férias coletivas. Segundo a direção do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, a Volks já tinha cortado as horas extras desde a semana passada.

Na nota em que comunicou as férias em São José dos Pinhais, a empresa ressaltou que também há previsão de descanso de 12 dias entre o Natal e Ano Novo na unidade de São Bernardo do Campo (ABC paulista), “decorrente de plano de compensação de dias”.

Entre as outras montadoras de veículos que têm unidades no Paraná, a Renault, que trabalha em dois turnos, informou que não houve nenhuma alteração na programação da empresa. Também a Volvo, que fabrica caminhões em dois turnos, ônibus em um turno, e cabines e motores em três turnos, mantêm a produção normal e somente concederá as férias coletivas de fim de ano.

Manaus: Mais de 10 mil trabalhadores de 16 empresas do distrito industrial de Manaus estão ou entrarão em férias coletivas neste mês, como reflexo da crise mundial, que já freia a produção e coloca o mercado de trabalho tenso, na expectativa de possíveis demissões. Só o grupo Honda, uma das maiores empresas do pólo industrial de Manaus, é responsável por ter suspendido as operações de 5 mil trabalhadores (de Moto Honda, Honda Lock e Honda Componentes). “Essas férias são além das coletivas de fim de ano, que começam próximo ao Natal”, explica o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, João Brandão.

Segundo Brandão, entre as empresas que já teriam anunciado ou começado as férias coletivas, de 15 a 20 dias, estão, além do grupo Honda, Yamaha, Elgin, Denso, Federal Mogul, Keihin, MCD, Mitsuba, Musashi, Nippon, Nissin, Scorpios, Showa e Sodécia. A Yamaha concedeu férias coletivas a 55% dos funcionários, ou cerca de 700 trabalhadores do pólo industrial de Manaus.

Retorno dos demitidos por Collor está próximo

O governo federal resolveu acertar as contas com o passado e está decidido a quitar uma dívida histórica com o funcionalismo. Até o fim deste ano, todos os demitidos durante o governo Collor terão a chance de voltar ao trabalho. A Comissão Especial Interministerial (CEI), responsável pela análise dos pedidos de anistia, passou por modificações estruturais, ganhou novos integrantes e melhorou sua produtividade.

Até hoje, 14 mil servidores bateram à porta da comissão. Na CEI, de janeiro a junho deste ano, 3.175 pedidos foram analisados. Restam 11,4 mil. O número total de desligamentos feitos no início da década de 1990, no entanto, é desconhecido. Associações de ex-servidores e sindicatos acreditam que entre 25 mil e 40 mil pessoas deixaram a administração pública naquele período.

O trabalho é minucioso. Em salas cedidas dentro do edifício-sede do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), um grupo de técnicos, estagiários e advogados se debruça sobre fragmentos da vida profissional de milhares de brasileiros que tiveram de entregar o crachá e esvaziar as gavetas. Com o aval da comissão, e dependendo da necessidade e do orçamento, os órgãos podem convocar os servidores a qualquer momento.

Luciano Pires/CB

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