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Deputados ganham R$ 26,7 mil mesmo após deixarem Câmara

Deputados federais estão aproveitando uma brecha da Constituição para se tornar “supersecretários” de Estado, ganhando salário de R$ 26,7 mil, mais do que os próprios governadores, seus chefes daqui para frente.

Até a tarde de ontem, 18 deputados haviam pedido para continuar a receber o salário de congressista, embora tenham se afastado da Câmara para trabalhar como secretários de Estado, cujo salário é, em geral, bem menor.

Levantamento da Folha mostra que pelo menos 30 deputados irão se licenciar para atuar nos Estados.

A Constituição permite ao parlamentar escolher entre o salário de secretário ou o da Câmara, cujo valor foi reajustado em 62%, passando de R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil.

Todos os que até ontem haviam informado a decisão à Câmara optaram pelo contracheque maior.

“O fato de eu estar secretário é uma circunstância. Posso estar hoje e não estar amanhã. A delegação que recebi da população é para ser deputado”, disse José Aníbal (PSDB), que se licencia da Câmara para assumir a Secretária de Energia de SP.

Ele diz ter defendido apenas a reposição da inflação no reajuste para os congressistas, que embora tenha entrado em vigor agora, foi aprovado em dezembro.

O salário do cargo de Aníbal, R$ 15 mil, é quase R$ 12 mil menor do que o pago no Congresso. O governador Geraldo Alckmin ganha R$ 18,7 mil, R$ 8.000 a menos do que o subordinado.

Só no governo de São Paulo haverá cinco “supersecretários” oriundos da Câmara.

“Escolhi o salário da Câmara porque o de secretário é menor”, declarou Márcio França (PSB), secretário de Turismo de Alckmin.

DIFICULDADE

A diferença é maior ainda no Rio Grande do Sul, onde os secretários do governo ganham R$ 11 mil ao mês.

“Fica difícil, né?”, disse Luiz Busato (PTB), que assumiu a Secretaria de Obras e receberá R$ 15,7 mil a mais por mês –R$ 9.700 superior ao que ganha o chefe, o governador Tarso Genro (PT).

No Rio de Janeiro, o secretário de Habitação, Leonardo Picciani (PMDB), afirmou que sua decisão é técnica.

“É mais cômodo receber pela Câmara, porque, quando eu volto para o mandato, não preciso reabrir conta bancária. O salário maior não é o mais importante.”

Além das secretarias de Estado, seis deputados federais haviam pedido licença da Câmara para assumir o cargo de ministros do governo Dilma Rousseff. Mas, nesse caso, o salário é o mesmo.

Clodovil propõe corte de deputados

O deputado Clodovil Hernandes (PR-SP) protocolou ontem na Mesa da Câmara proposta de emenda constitucional que propõe o corte de 263 vagas na Câmara, reduzindo o número de deputados dos atuais 513 para apenas 250. Clodovil alega que o corte permitiria uma economia grande de gastos e ainda reduziria o nível de corrupção no país.

A proposta foi subscrita por 279 parlamentares (o mínimo é de 171 assinaturas), muitos deles expressivos e experientes como o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), o ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo (PCdoB-SP), os líderes Luciano Castro (PR-RR) e Fernando Coruja (PPS-SC), além de nomes como Miro Teixeira (PDT-RJ), Ciro Gomes (PSB-CE) e Sarney Filho (PV-MA).

Clodovil lembra que, hoje, cerca de 20% dos deputados estão em campanha, e que a Câmara funciona perfeitamente com menos da metade da atual composição, se houver realmente interesse de trabalhar. Reconhece que muitos dos que assinaram a proposta podem retirar o apoio numa votação no plenário.

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