Arquivos de tags: Cotas |Universitárias

EUA: Universidades para afro-americanos

Enquanto o Brasil discute as cotas em universidades federais, aprovadas na Câmara no mês passado, os Estados Unidos debatem a existência de instituições somente para negros.

O Estado da Geórgia, no sudeste do país, tem duas universidades estaduais centenárias que atendem apenas os chamados afro-americanos. O jornal The New York Times publica matéria mostrando que um senador causou polêmica ao apresentar um projeto que pretende fundir as duas universidades negras a duas outras, majoritariamente brancas.

O senador Seth Harp, que preside a comissão de Educação Superior da Geórgia, justificou o projeto dizendo que o Estado não tem condições financeiras de sustentar tantas universidades separadamente. Geórgia registra um déficit de US$ 2 bilhões no orçamento.

“Instituições bancadas pelas pessoas que pagam impostos deveriam promover a diversidade e a educação para homens e mulheres de todas as cores e credos. Não existe mais nenhuma razão para universidades só de negros ou só de brancos”, disse Cynthia Tucker, intelectual que escreve artigos em jornais locais. Já quem apóia as universidades separadas por cor diz que elas têm um papel importante na comunidade e no país. “Elas permitiram que um grande número de jovens homens e mulheres que nunca frentariam universidade tivessem acesso à educação”, afirmou Dwayne Ashley, de uma instituição que sustenta bolsas para universidades negras.

O projeto do senador propõe a junção da Savannah State University (só para negros e que existe desde 1890 e tem 3.200 estudantes) com a Armstrong State University. A Albany State University (também só para negros, criada em 1917) com o Darton College.

Renata Cafardo/Estadão

Aprovada cota em universidade para aluno de escola pública

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira o projeto que reserva metade das vagas em universidades públicas federais a alunos que cursarem todo o ensino médio em escolas públicas. O projeto prevê também subcotas raciais para negros, pardos e indígenas.

Os partidos fecharam um acordo e o projeto foi aprovado em votação simbólica na Câmara. De acordo com o texto, as universidades públicas federais têm que reservar metade das vagas em cada curso e turno para estudantes que fizerem o ensino médio em escolas públicas.

Essas vagas serão distribuídas de acordo com dois critérios: para alunos que se declarem negros, índios ou pardos, de acordo com a proporção desses grupos na população de cada estado, estabelecida pelo IBGE; e para alunos de famílias com renda de até um salário mínimo e meio por pessoa.

Em caso de empate entre dois estudantes, o mais pobre ficaria com a vaga. As escolas técnicas federais também teriam que aplicar os mesmos critérios. O projeto segue agora para o Senado.

“Essa falsa omissão pode levar a um processo de acomodação e retardar, portanto, a solução verdadeira definitiva, que é a escola pública de boa qualidade para todos”, afirma o deputado Aldo Rebelo, do PC do B de São Paulo.

“A solução encontrada foi valorizar a escola pública e, na divisão dessas vagas, atender os dois critérios: o racial e de renda per capita familiar”, explica o deputado Maurício Rands, do PT de Pernambuco.

Entre os especialistas, polêmica. Para a professora da universidade de Brasília Débora Santos, o projeto ajudaria a reduzir as desigualdades entre os candidatos. “É a mesma coisa de você começar uma corrida no qual você dá para um uma escada com todos os degraus e para outro você dá uma escada em que está faltando alguns degraus. Agora a gente tem na verdade essa possibilidade de ter esses alunos concorrendo conjuntamente”, ela afirma.

Já para o professor Demetrio Magnoli, o critério de raça criaria na lei uma divisão no Brasil. “Acho que as cotas para escolas públicas são uma medida tolerável desde que provisória e que não nos impeça de discutir a melhoria do ensino público que é a verdadeira solução para o problema. O que não se pode é fazer cota de raça”.

%d blogueiros gostam disto: