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Aracruz perde R$2 bi e revê expansão de Guaiba

A crise continua na Aracruz. Após perder quase R$ 2 bilhões em operações com derivativos de câmbio, a empresa cancelou ontem o pagamento de juros sobre capital próprio no valor de R$ 84 milhões, anunciado em comunicado em 19 de setembro. As informações estão em fato relevante divulgado pela empresa. “Essa decisão mostra que a situação financeira da Aracruz não é mais confortável”, avaliou a corretora Ágora, em relatório.

A corretora já espera a perda do grau de investimento da Aracruz por todas as agências de rating.

A Ágora também questiona se o projeto de expansão da capacidade produtiva da unidade de Guaíba no RS, com investimento de R$ 1,8 bilhão, será ou não mantido.

A Moody’s rebaixou, nesta quarta-feira (15), a classificação de risco da  Aracruz Celulose, de Baa2 para Baa3 em sua escala global e de Aaa.br para Aa1.br em sua escala nacional brasileira. Segundo a agência de classificação de risco, os ratings continuam em revisão para possível rebaixamento.

A revisão original do rating foi iniciada em 3 de outubro de 2008 após o anúncio pela Aracruz de potenciais perdas substanciais com instrumentos derivativos de moedas bem como da planejada fusão com a Votorantim Celulose e Papel S.A. (VCP), informa a agência em comunicado.

No início do mês, a empresa informou um prejuízo de R$ 1,95 bilhão com operações de derivativos cambiais, que apostavam na continuidade do dólar baixo.

Mercado Aberto

Votorantim oferece R$ 2,7 Bi pela Aracruz

A intenção do grupo Votorantim de controlar a maior fabricante de celulose de eucalipto do mundo – que pode nascer da fusão entre sua controlada Votorantim Celulose e Papel e a sua coligada Aracruz Celulose – depende de um sobrenome com forte tradição financeira: Safra.

Ao anunciar ontem que o grupo de acionistas liderados pela família Lorentzen aceitou vender por R$ 2,71 bilhões os 28% das ações ordinárias que detém na Aracruz, o grupo brasileiro, controlado pela família Ermírio de Moraes e que já possui igual participação na fabricante de celulose, terá de esperar pelo movimento dos banqueiros Joseph e Moise Safra no único e último negócio que ainda une os dois irmãos.

O grupo Safra, que já possui 28% das ações com direito a voto da Aracruz, terá 90 dias para se manifestar. Nesta situação, a Votorantim chegará a 84% das ações de controle da Aracruz.

Às vésperas do fim do acordo, começaram as especulações sobre os rumos do controle da Aracruz, que hoje já é a maior fabricante de celulose de eucalipto do mundo.

Se a Votorantim for bem sucedida na operação de compra de ações de seus sócios na Aracruz, a intenção do grupo é reunir as operações das duas companhias, pretendendo capturar R$ 4,5 bilhões.

Caso a fusão das duas companhias ocorra, o acionista de Aracruz receberá de 0,22 a 0,24 de ação da VCP por cada papel. O banco ABN Amro foi o responsável pela avaliação. A consultoria financeira Estáter, a mesma que ajudou a montar a complexa engenharia financeira que levou à venda do grupo Ipiranga, assessorou a Votorantim. Além dos acionistas privados, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) possui 12,5% das ações ordinárias da Aracruz.

As duas fabricantes teriam faturado conjuntamente US$ 3,2 bilhões em 2007, o que colocaria esta empresa na 31ª posição entre as 100 maiores companhias do setor de papel, celulose e de produtores florestais no mundo. A Aracruz era, sozinha, a 51ª do mundo no setor enquanto a VCP ocupava 64ª colocação da lista das 100 maiores.

Valor

Aracruz investirá US$ 3 bi em fábrica no RS

A Aracruz Celulose divulga hoje o investimento de quase US$ 3 bilhões, na construção de uma nova fábrica em Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre. O anúncio oficial será feito às 10 horas no Palácio Piratini. Na nova unidade a empresa produzirá 1,3 milhão de toneladas de celulose branqueada, a partir de fibras de eucalipto.

 

A confirmação do investimento ocorre cinco dias após ter sido aprovado o novo zoneamento para florestas pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema). A Aracruz é a primeira das três grandes empresas com projetos no Estado a anunciar a construção de sua planta industrial. As outras duas são a Votorantim e a Stora Enso.

AE

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