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Ex-refém acusa Ingrid de mentir sobre o cativeiro

A ex-refém colombiana Clara Rojas, seqüestrada em 2002 junto com Ingrid Betancourt, censurou a companheira política por contar “histórias falsas” do cativeiro e, num tom crítico, convidou o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, a se envolver mais na busca da paz na Colômbia diante do desgaste do mandatário venezuelano Hugo Chávez.

– É preciso buscar meios de comunicação alternativos com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) – indicou Clara, libertada há cinco meses por mediação do presidente venezuelano, ao qual se diz “muito agradecida”. – Chávez está desgastado, o presidente equatoriano, Rafael Correa, também. Só resta Lula.

Segundo a ex-refém, o Brasil poderia adotar medidas mais efetivas no conflito, com uma maior aproximação militar e política. “Militar pelas fronteiras, e política para que seja um facilitador”, descreveu:

– As Farc estão debilitadas e precisam de um pouco de ar, só o suficiente para que tomem decisões absurdas e façam algo que acabe mal.

Resgate

Há uma semana, o Exército colombiano resgatou 15 reféns do grupo rebelde, entre eles a franco-colombiana Ingrid Betancourt. Clara lamentou as “histórias falsas” contadas por Ingrid – de quem já foi assessora política – referindo-se a declarações em que a ex-candidata à Presidência afirmou ter salvo Emmanuel, filho de Clara nascido em cativeiro.

Em referência a Ingrid e ao ex-senador Luis Eladio Pérez, libertado em janeiro passado, Clara assegurou, em entrevista à RCN, que “eles deviam ter sido solidários, e não foram”.

– O que passou, passou, e o que eles estão dizendo é totalmente falso. Dói na minha alma, porque não tenho nada contra eles – criticou.

Clara mencionou também uma reportagem em que o ex-senador Pérez disse que tinha lavado fraldas de Emmanuel. Ela ainda falou sobre uma declaração de Ingrid a um canal de televisão de Paris de que teria salvado a vida a Emmanuel.

– Não sei de onde eles tiram isso, mas Ingrid é boa de teatro.

A ex-assessora explicou que “o nível de proximidade tanto de Pérez quanto de Ingrid com Emmanuel era zero” e acrescentou:

– Eles estavam na zona de fumantes e eu, na de não fumantes. Não tínhamos nada a ver.

Ingrid e Clara foram seqüestradas em 23 de fevereiro de 2002 no departamento de Caquetá, sul da Colômbia. Clara Rojas foi libertada pelas Farc no dia 10 de janeiro e, desde então, vive em Bogotá com a mãe e com o filho, enquanto Ingrid, resgatada em uma operação do Exército no dia 2 de julho, viajou com a família dois dias depois para Paris.

Ingrid disse ontem que não descarta concorrer à Presidência da Colômbia, mas garantiu que isto não é uma “prioridade” no momento, durante entrevista ao apresentador da TV americana Larry King. Pérez chegou a Miami, onde vai morar depois de deixar seu país por causa de ameaças de morte.

JB

Manteve filha presa por 24 anos na Áustria

A Áustria amanheceu em estado de choque nesta segunda-feira, menos de dois anos depois do caso da jovem Natascha Kampusch, que ficou oito anos em um cativeiro também na Áustria.

A polícia austríaca disse nesta segunda-feira que o homem que supostamente manteve a própria filha presa por 24 anos em um porão confessou tê-la aprisionado e, segundo fontes policiais citadas pelas agências de notícias internacionais, também admitiu ser pai de seus sete filhos.

O oficial da polícia austríaca Franz Polzer disse que o suspeito, Josef Fritzl, 73, também afirmou aos investigadores ter jogado o corpo de uma das sete crianças no incinerador do seu prédio após ela ter morrido logo depois de nascer.

“Ele admitiu ter trancado sua filha, que tinha 18 anos na época, no porão, que fazia sexo repetidamente com ela, e que é pai de suas sete crianças”, disse Polzer. “Ele também admitiu ter queimado uma das crianças no incinerador do prédio”, afirmou.

A polícia divulgou nesta segunda-feira fotos do local onde Elisabeth Fritzl, desaparecida desde 1984 e que tem hoje 42 anos, ficou aprisionada com três de seus seis filhos. O local não tinha janelas.

O suspeito, detido neste domingo, compareceu a uma audiência com um juiz nesta segunda-feira. Após a detenção, Fritzl manteve silêncio e só revelou o código da fechadura eletrônica do porão.

Os investigadores aguardam ainda os resultados dos exames de DNA que permitirão estabelecer os vínculos de parentesco de três homens e três mulheres, com idades entre 5 e 20 anos, que seriam fruto de incesto.

Três crianças viviam com o pai e a mulher dele, Rosemarie, enquanto os outros três moravam trancados com a mãe no porão. Eles nunca nunca tiveram o direito de deixar o local.

 

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