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Carmen Monegal não morreu

Artista foi alvo de boatos, inclusive com notas de pessoas se dizendo da familia. Estas pessoas corrigiram dados biográficos e até agradeceram a nota há alguns meses dada neste blog de que a  atriz estaria morta, uma notícia replicada pela internet

Carmen Monegal, em São Bento do Sul, em Santa Catarina. Foto: Denis Ferreira Netto/AEVejam o que diz o jornal Estado de São Paulo:

SÃO PAULO – A veterana atriz uruguaia Carmen Monegal, que mora em Nova York, nos Estados Unidos, está no Brasil para passar o Natal em família.

Em breve, vai dar uma entrevista ao Caderno 2 de O Estado, para contar sobre seus projetos atuais. Carmen foi alvo de notícias falsas que davam conta de sua morte, na Grécia, em 15 de maio de 2008, o que causou transtornos consideráveis em sua vida pessoal e profissional.

Até hoje consta na internet a notícia de sua morte, e não se consegue mais apurar ao certo como tudo começou. Uma nota foi publicada também no Caderno 2 e repetida neste Portal. Pedimos desculpas à atriz e aos leitores pelo lamentável equívoco.

Em entrevista ao portal estadao.com.br, falando por telefone desde São Bento do Sul, em Santa Catarina, Carmen conta que recebeu a notícia de sua própria morte assim que foi publicada, por meio de seu blog e e-mail, quando recebeu orientação de seu advogado para fechar o blog para comentários. “Imediatamente comuniquei à polícia e ao Google, pois queria que tirassem meu nome da busca do site”, diz.

“De início não achei tão grave”, comenta, mas ao ver a notícia se alastrar cada vez mais pela internet, decidiu agora fazer o caminho inverso e entrar em contato com os grandes jornais brasileiros. Segundo a atriz, “os jornais estrangeiros publicaram o desmentido logo em seguida; aqui deveria ter feito o contrário do que fiz”, lamenta.

A atriz Carmen Monegal, em cena da novela ‘Helena’, da extinta TV Manchete. Foto: Arquivo/AE

Apesar de ter nascido em Montevidéu, no Uruguai, Carmen fez sua carreira artística no Brasil, atuando na televisão, no cinema e no teatro por cerca de 19 anos. A atriz fez sucesso na TV dos anos 70 e 80, época em que as novelas faziam parte da programação de praticamente todos os canais da TV aberta, a única que existia, por sinal. Entre as produções de maior destaque, A Moreninha, na Globo, uma novela das seis escrita por Marcos Rey e dirigida por Herval Rossano em 1975-76 e Floradas na Serra, minissérie baseada no clássico romance de Dinah Silveira de Queiróz, adaptada para a TV Cultura por Geraldo Vietri, em 1981. Trabalhou ainda na Bandeirantes e nas extintas Tupi e Manchete, onde fez uma de suas últimas participações em novelas: Helena, adaptação do romance de Machado de Assis feita por Mário Prata, Dagomir Marquezi e Reinaldo Moraes, com direção dos agora globais Denise Saraceni e Luiz Fernando Carvalho, em 1987 – pouco antes de se mudar para os Estados Unidos. No cinema, atuou em Beto Rockfeller (1970) e Jeca e Seu Filho Preto (1978).

No Brasil, Carmen ainda estudou filosofia e teologia na PUC de São Paulo, interesses que a fizeram montar o The Pilgrim Gospel Theatre. “Há 18 anos peregrino com o teatro, andando de cidade em cidade. Recentemente estivemos no sul da França, vamos muito aos países nórdicos, à Grécia, ao Chile”. Como o nome sugere, trata-se de uma peregrinação teatral que divulga textos do evangelho. Segundo Carmen, a ideia surgiu da tradição de contar histórias de New England, região nordeste dos Estados Unidos, que guarda influências da colonização britânica e é uma região onde Carmen trabalha boa parte do tempo quando está nos Estados Unidos. “A gente divulga as escrituras sagradas e as profecias que se cumprem com o tempo… A Bíblia é o livro mais vendido do mundo”, justifica. O grupo teatral é formado em cada ponto de parada e o núcleo é composto por ela e seu produtor, o advogado americano John Kostner.

No momento, em São Bento do Sul, a atriz se dedica à escrita de seu quinto livro. Depois de ter escrito prosa elogiada por Otto Lara Resende e poesia, por Ferreira Gullar, Carmen Monegal pretende lançar um livro sobre teologia, Duração Ordinária da Vida n.º 3, e a despeito do título, provar que está bem viva e trabalhando mundo afora.

Estadao

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