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Alemanha anuncia recursos para Amazônia

O governo brasileiro espera arrecadar US$ 1 bilhão já no primeiro ano de existência do Fundo Amazônia, que será criado para receber verbas destinadas à proteção da Amazônia.

O fundo, anunciado anteontem pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, estará condicionado ao compromisso brasileiro de diminuir os índices de desmatamento. Quanto mais o Brasil reduzir a emissão de gás carbônico gerado pelo desmatamento e pelas queimadas, maior o volume de recursos a serem doados pelos governos, entidades privadas e ONGs estrangeiras e nacionais.

O diretor do Programa Nacional de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Tasso Azevedo, deve fechar hoje a primeira parceria do Fundo Amazônia, com o governo da Noruega, que doará US$ 100 milhões. Azevedo reúne-se hoje com o primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, em Oslo, para selar o compromisso. Dirigentes de ONGs norueguesas também participarão do encontro. 

O Greenpeace deve escolher até amanhã o país merecedor do título de “motosserra de ouro” da Conferência de Biodiversidade. Além do Canadá e da Austrália, o Brasil, escolhido ontem a “motosserra do dia”, é um forte candidato. O título é uma ironia pelos crimes de desmatamento na Amazônia, e deverá ser entregue ao Brasil exatamente no dia da visita de Carlos Minc a Bonn.

O escolhido para o prêmio de grande desmatador foi Blairo Maggi, governador de Mato Grosso. O Greenpeace escolheu o Brasil inteiro também para o titulo pela destruição da floresta, e pelo fato de o país não aceitar qualquer tipo de compromisso internacional no que se refere à Amazônia. 

O Globo

” De quem é a Amazônia ?” pergunta ‘NY Times’

Uma reportagem publicada neste domingo no jornal americano The New York Times afirma que a sugestão feita por líderes globais de que a Amazônia não é patrimônio exclusivo de nenhum país está causando preocupação no Brasil.

No texto intitulado “De quem é esta floresta amazônica, afinal?”, assinado pelo correspondente do jornal no Rio de Janeiro Alexei Barrionuevo, o jornal diz que “um coro de líderes internacionais está declarando mais abertamente a Amazônia como parte de um patrimônio muito maior do que apenas das nações que dividem o seu território”.

O jornal cita o ex-vice-presidente americano Al Gore, que em 1989 disse que “ao contrário do que os brasileiros acreditam, a Amazônia não é propriedade deles, ela pertence a todos nós”.
“Esses comentários não são bem-aceitos aqui (no Brasil)”, diz o jornal. “Aliás, eles reacenderam velhas atitudes de protecionismo territorial e observação de invasores estrangeiros escondidos.”

O jornal afirma que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta aprovar uma lei para restringir o acesso à floresta amazônica, impondo um regime de licenças tanto para estrangeiros como para brasileiros.
“Mas muitos especialistas em Amazônia dizem que as restrições propostas entram em conflito com os próprios esforços (do presidente Lula) de dar ao Brasil uma voz maior nas negociações sobre mudanças climáticas globais – um reconhecimento implícito de que a Amazônia é crítica para o mundo como um todo”, afirma a reportagem.

O jornal diz que “visto em um contexto global, as restrições refletem um debate maior sobre direitos de soberania contra o patrimônio da humanidade”.

The New York Times

Lula vai mudar comandos para punir Heleno

O presidente Lula decidiu antecipar para dezembro próximo a mudança dos comandos militares, prevista apenas para março de 2009.

 

O objetivo é finalmente punir o general Augusto Heleno, retirando-o do comando militar da Amazônia, com sua transferência. O general irritou Lula ao criticar sua política indigenista, classificando-a de “caótica”. Os recentes conflitos na reserva Raposa Serra do Sol mostram que Heleno tem razão.

 

Lula estaria decidido a transferir o general Heleno para uma função burocrática em Brasília mas ele suspendeu a punição. A expectativa de punição do general Heleno levou os comandantes de unidades militares na Amazônia a ameaçarem demissão em massa.

 

O comandante do Exército, general Enzo Peri, advertiu Lula para uma crise militar, com a solidariedade de generais e coronéis a Heleno.

 

Claudio Humberto

 

Artigo: A praia de Minc é outra

Sai a cabocla Marina Silva, herdeira de Chico Mendes, criada descalça na Amazônia, só alfabetizada na adolescência, contaminada por malária e por mercúrio. Entra Carlos Minc, o ambientalista do Leblon e de Ipanema. Digamos que a Amazônia não é exatamente a praia dele.

Os dois são do PT e respeitados por ambientalistas de diferentes cores, mas os contrastes podem, em vez de diminuir, aumentar as reações e a perplexidade diante da queda de Marina, principalmente fora do país. Acrescente-se que Minc tem fama de ser rápido na concessão de licenças ambientais. Para alguns, um grande mérito. Para outros, um risco.

Lula preferia o ex-governador Jorge Viana por uma questão mais política do que ambiental. Ele também é do PT do Acre e cresceu sob o simbologismo de Chico Mendes, o que ajudaria a neutralizar as reações externas.

Mas, desta vez, a decantada habilidade de encantador de serpentes não funcionou, e Lula não convenceu Viana a aceitar a cadeira de Marina. Com Viana fora, Lula agora tem de convencer gregos e troianos, não só acreanos, de que a prioridade de Minc, dele próprio e do Brasil é a Amazônia -que é o que interessa ao mundo.

Para isso, Lula precisa admitir que errou. Ou que o seu “problema” não era só o endereço do ministério; tinha cara e nome: Marina Silva.

Eliane Cantanhede 

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