Arquivos de tags: alimentos

SAÚDE: 70% do sal consumido no Brasil é adicionado aos alimentos pelo consumidor

sal-alimento-rico-em-iodo[1]O brasileiro consome duas vezes mais sódio do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e a maior parte disso deve-se à adição de sal de cozinha à comida pelos próprios consumidores, segundo um levantamento feito pela Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia). Apenas um quarto é proveniente de alimentos industrializados, segundo a pesquisa, que transfere para os consumidores a maior responsabilidade sobre a redução do consumo excessivo de sódio e dos seus efeitos malignos sobre a saúde.

“O grande inimigo é o sal comprado”, disse ao Estado o presidente da Abia, Edmundo Klotz. “Não nos isentamos da nossa parcela de responsabilidade, mas é uma verdade que precisa ser dita. Não somos nós que estamos envenenando as pessoas.”

O estudo foi compilado pela Abia, mas é baseado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – mais especificamente, da Pesquisa Anual de Serviços de 2009 e da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2008-2009. “Inventava-se um monte de histórias sobre nós e não tínhamos uma pesquisa para rebater essas críticas. Então pegamos uma pesquisa neutra, feita pelo governo por outros motivos, e achamos as respostas que precisávamos”, afirma Klotz. “Os dados são incontestáveis e altamente confiáveis.”

 

Questionamentos. Outros especialistas discordam do cenário apresentado pela pesquisa. “Não é isso que a gente vê no dia a dia do consultório ou nas avaliações clínicas do hospital”, afirma o médico Luiz Bortolotto, diretor da Unidade de Hipertensão do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da USP. “A fonte principal costuma ser o produto industrializado, inclusive o pão francês.”

“É um parecer da indústria. Não concordo do ponto de vista médico”, avalia a nutricionista Cristiane Kovacs, responsável pelo Ambulatório de Nutrição Clínica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. “Não é essa a realidade que vemos nas entrevistas com os pacientes. Quando você coloca tudo na ponta do lápis, o maior vilão é o alimento industrializado.”

Ela chama atenção para o fato de que o sódio, por si só, não tem sabor (é usado na indústria principalmente como um conservante), e por isso muita gente consome a substância sem saber, acreditando que o que faz mal à saúde é o sal. “O paciente reduz o sal na comida, mas acaba comendo sódio de outras maneiras”, explica Cristiane. Um erro comum, segundo ela, é trocar o sal de cozinha por temperos prontos, industrializados, que possuem alto teor de sódio. Por isso, é importante olhar o rótulo dos produtos antes de consumi-los – e não apenas dos produtos salgados. “Até adoçante tem sódio”, aponta Cristiane.

Os alimentos com maior teor da substância, segundo ela, são os prontos para consumo e com prazo de validade mais longo (que utilizam o sódio como conservante), como salsichas, nuggets, bolachas e salgadinhos. “As mães precisam pensar muito na hora de preparar a lancheira dos filhos”, alerta.

“Todo mundo tem culpa, a indústria, o governo e o consumidor”, diz a nutricionista Marcia Fideliz, presidente da Associação Brasileira de Nutrição (Asbran). “Ainda que a parcela da indústria seja menor, isso não a exime de culpa. Tem um monte de produtos no mercado com muito mais sal e sódio do que deveria, porque assim fica mais gostoso e é mais fácil de vender. Por que só lançam produtos com sal? Por que não oferecem opções mais saudáveis para o consumidor?”

Acordos de redução. Nos últimos dois anos, a indústria assinou com o Ministério da Saúde três acordos para redução de sódio em uma série de alimentos, incluindo macarrão instantâneo, pães, bolos, salgadinhos, cereais matinais, margarina, maionese, caldos e temperos preparados. Os acordos estabelecem limites máximos de sódio para cada tipo de produto, de modo que o porcentual de redução exigido varia de acordo com os teores de cada marca.

No caso dos biscoitos doces recheados, por exemplo, o teor máximo acordado (para ser atingido até 2014) é de 265 miligramas de sódio para cada 100 gramas de alimento, o que exigirá uma redução de até 55% dos teores atuais, no caso de algumas marcas, segundo informações da Abia. Nas margarinas vegetais, o corte poderá chegar a 56% até 2015, enquanto que no pão francês, a redução média chegará próximo de 10%.

As metas são estabelecidas com prazo de cumprimento de dois anos. Um quarto acordo está sendo negociado agora para redução de sódio em embutidos, laticínios e refeições prontas.

Segundo a coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Patricia Jaime, os produtos selecionados são aqueles que mais contribuem para o consumo de sódio na dieta da população.

O objetivo é reduzir gradualmente os níveis de sódio dos alimentos brasileiros, até atingir os níveis mais baixos praticados no mundo. “Não dá para fazer uma redução drástica de uma vez só; tem de haver um tempo de adaptação do paladar do consumidor e das tecnologias de produção na indústria”, ressalta ela, lembrando que o sódio é um ingrediente básico de consistência, estabilidade e conservação dos alimentos.

Segundo o estudo, o brasileiro consome em média 4,46 gramas de sódio por dia (o limite recomendado pela OMS é 2 gramas), sendo que 23,8% disso é ingerido por meio de produtos industrializados ou semielaborados (como macarrão, pães, salsichas, bolachas, salgadinhos, carne ou frango temperados), 4,7% via alimentos in natura (como frutas e verduras) e 71,5%, via sal de cozinha, que é adicionado à comida na forma de tempero.

“É basicamente na sua casa que você está consumindo muito sal”, diz o endocrinologista Alfredo Halpern, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, convidado pela Abia a comentar o estudo. “O mais importante é educar o consumidor; não adianta só jogar a culpa na indústria porque isso não vai resolver o problema.”

“O vilão não é a indústria, é o estilo de vida”, diz o médico Daniel Magnoni, chefe dos serviços de Nutrologia e Nutrição Clínica do Hospital do Coração (HCor). Um dos principais problemas, segundo ele, é a tendência cada vez maior de as pessoas comerem fora de casa, em lanchonetes, padarias e restaurantes self-service. “O alimento fora de casa costuma ter mais sal, porque é mais ao gosto do brasileiro”, diz.

 

FONTE  Herton Escobar / O Estado de S. Paulo

Nutrição: Acordo limita uso de substância para engorda de animais

Após quatro anos de disputas entre exportadores e importadores agrícolas, uma negociação internacional realizada ontem em Roma decidiu estabelecer limites para o uso da ractopamina, substância que estimula a engorda de animais destinados ao consumo humano.

A discussão envolve milhões de dólares em exportações e o assunto pode acabar em disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC), a julgar pelas reações apresentadas na capital italiana. A utilização da substância que promove o crescimento dos animais e reduz os custos de produção, principalmente o de suínos, é autorizada no Brasil, EUA, mas proibida na União Europeia e na China, grandes importadores. O Codex Alimentarius, órgão que estabelece os padrões de qualidade dos alimentos como base para o comércio internacional, concluiu por meio de pesquisas científicas que o uso da substância não tem impacto sobre a saúde dos consumidores.

Durante a reunião anual do Codex, Brasil e EUA fizeram forte campanha para conseguir limites máximos para o uso da ractopamina. Dessa forma, um país importador não pode proibir a entrada da carne que contenha a substância dentro dos padrões autorizados. Após intensas negociações, a votação terminou apertada (69 votos contra 67), para estabelecer os limites da ractopamina presentes em músculos, gordura, rins e fígado. Os chineses, consumidores de pulmões de suínos, se opuseram aos novos índices e garantiram a prevalência da legislação do país.

No sábado, o Codex Alimentarium vai aprovar formalmente a decisão obtida durante a negociação. Porém, ela demorará anos para ser implementada pelos países. A União Europeia avisou que vai manter a proibição da entrada de carnes que contenham a ractopamina nos 27 mercados do bloco comunitário. Isso significa que no futuro poderá haver uma disputa comercial, com exportadores como Brasil e EUA, denunciando os europeus na Organização Mundial do Comércio (OMC) por desrespeito a um acordo internacional.

O Codex aprovou, ainda, novas regras para proteger a saúde dos consumidores em vários setores. Entre elas, o nível máximo de melamina (composto usado na fabricação de plástico) de 0,15 mg por quilo, na fórmula de leite líquido para bebês. Em relação à aflatoxina, substância tóxica produzida por fungos, foi estabelecido o limite de 10 mg por quilo, em figos secos. Frutas secas armazenadas de forma incorreta são suscetíveis a este tipo de contaminação.

No caso de melões, a comissão da ONU recomenda que as frutas sejam embaladas logo que cortadas e mantidas em temperatura de 4º C. A higiene de produtos extraídos do mar, como as ostras, recebeu recomendações rígidas de conservação e o descarte imediato em casos de suspeita de contaminação por bactérias.

Outra recomendação é que os produtores globais de alimentos insiram selos em seus produtos com maiores informações nutricionais. A comissão do Codex Alimentarium é dirigida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Agência da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO), para estabelecer as bases da segurança alimentar que, por sinal, exerce forte influência sobre o comércio mundial.

Atuns em conserva têm novo regulamento para comercialização

Legislação inédita também contempla a espécie bonito e busca oferecer produtos de melhor qualidade para os consumidores.

 As conservas de atuns e de bonitos destinadas ao comércio nacional e internacional contam com um novo regulamento técnico de identidade e qualidade. A nova regra está descrita na Instrução Normativa nº 46, publicada no Diário Oficial da União (DOU), no dia 16 de dezembro (sexta-feira).

A nova legislação elaborada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estabelece que os produtos devem conter, no mínimo, 54% de carne em relação ao peso líquido declarado. As definições de conserva, recipiente hermético, esterilidade comercial, sangacho, caldo vegetal, cristais de estruvita e salmora fraca também são apresentadas no texto.

A IN determina as espécies da matéria-prima (fresca ou congelada) e classifica as conservas, de acordo com a sua forma de apresentação, em sólido, em pedaços ou ralado. Os meios de cobertura permitidos são azeite ou óleo, ao natural, em salmoura com óleo comestível, em molho e vinho branco.

O regulamento técnico trata, ainda, dos ingredientes opcionais que podem compor os alimentos e informa os requisitos obrigatórios para o processamento de atuns e bonitos em conserva. Os peixes utilizados na elaboração devem ser submetidos aos métodos de inspeção prescritos no Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA). Os lotes que não cumprirem com os padrões exigidos e apresentarem irregularidades, como nível de histamina superior ao permitido e número total de embalagens defeituosas acima do índice de aceitação, serão rejeitados.|Marcos Giesteira/MA.

Vai acabar o monitoramento dos transgênicos

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) votará, nesta quinta-feira, o fim do monitoramento dos efeitos adversos de organismos geneticamente modificados sobre a saúde humana e animal, o ambiente e os vegetais. A modificação desobrigará as empresas de biotecnologia de realizar estudos científicos de avaliação de risco e de apresentar planos de monitoramento pós-liberação comercial de transgênicos no país.

A nova regra deve “anistiar” os 25 produtos transgênicos (plantas, vacinas e enzimas) que já obtiveram liberação comercial e beneficiará outros 11 pedidos sob análise do colegiado, vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. A alteração na Resolução Normativa nº 5, em vigor desde março de 2008, dependerá do voto de apenas 14 dos 27 membros titulares da CTNBio. O grupo favorável à mudança somaria hoje 16 votos.

A iniciativa da CTNBio dispensará as empresas de de apresentar informações complementares e novos dados científicos para atender às exigências dos estudos de análise de risco sobre os efeitos adversos potenciais de transgênicos e seus derivados nos vários aspectos. A medida também beneficiará diretamente a indústria alimentícia brasileira. Dirigentes da associação da indústria (Abia) escreveram ao ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, para reclamar o fim do monitoramento e ameaçariam derrubar a exigência na Justiça.

O presidente da CTNBio, o médico bioquímico Walter Colli, confirma a proposta de alteração na regra. “Essas coisas não fazem mal. E, se fizerem, ninguém vai saber porque não tem como monitorar todo mundo. O argumento jurídico que se coloca é que monitorar só se justificaria se houvesse dúvida na análise de risco. Se o produto é idêntico ao convencional, não há razão para monitorar”, diz. “Estamos propondo deixar isso como não obrigatória. A comissão dirá em quais casos seria necessário”.

Professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), Colli está no segundo mandato de presidente da comissão. “É um absurdo fazer monitoramento de efeitos em humanos porque 15 mil produtos têm derivados de soja na sua composição. Como saber se o problema é do produto ou da água que uma pessoa bebeu?”, questiona.

O presidente da CTNBio garante que o fim dos monitoramentos não causará problemas à população. “O monitoramento humano e animal foi uma esparrela, uma bobagem que fizemos. Cedemos pelo cansaço. Agora, a indústria alimentícia está sujeita a uma ação jurídica do Ministério Público por uma regra inepta da CTNBio. Cometemos um erro e quero corrigir isso”, afirma.

A proposta de alteração reacendeu a disputa política e a oposição de um grupo minoritário de cientistas e ONGs dentro da CTNBio. Representantes dos ministérios da Saúde, do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário e da Pesca prometem questionar o fim do monitoramento. E acusam Colli de usar como pretexto uma carta do governo do Canadá contra a resolução para “retalhar” as normas.

Colli diz que “essa resolução sempre me incomodou” e admite que a atual regra só foi criada porque o processo de liberações comerciais de transgênicos passou a exigir, por iniciativa do Ministério Público, “monitoramento” das aprovações. “Senão não poderia liberar”. Colli afirma que a resolução “está errada” e que “dá responsabilidade a quem não tem obrigação, interfere na cadeia onde não temos direito”. “Isso cai em qualquer instância da Justiça”.

Fome no mundo alcança recorde histórico

A fome no mundo alcançará um recorde histórico em 2009, com 1,2 bilhão de pessoas passando fome, segundo dados publicados nesta sexta-feira, dia 19, pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Isso quer dizer que um sexto da humanidade sofre com a desnutrição – o maior número já registrado até então.

Segundo a FAO, o resultado não é consequência das más colheitas, mas sim da crise econômica mundial, que provocou entre outras coisas o aumento do desemprego, reduzindo o acesso dos pobres aos alimentos.

“Uma parte explosiva da desaceleração econômica mundial e o preço dos alimentos que muitos países insistem em manter altos empurraram mais de 100 milhões de pessoas para a fome e a pobreza”, disse Jacques Diouf, diretor-geral da FAO. De acordo com a organização, os preços internacionais dos alimentos básicos estão 24% mais caros do que em 2006 e 33% acima dos registrados em 2005.

“Essa crise silenciosa – que afeta 1 a cada 6 pessoas – representa um sério risco para a paz e a segurança mundiais. Precisamos criar um plano de emergência e um amplo consenso para a erradicação rápida e completa da fome no mundo”, completou Diouf.

Os países pobres, segundo Diouf, “precisam de ferramentas de desenvolvimento econômico e político necessárias para impulsionar a produção agrícola e a produtividade. É preciso aumentar o investimento no setor agrícola, já que na maioria dos países pobres um setor agrícola saudável é a chave para vencer a fome e a pobreza”, afirmou.

“Muitos dos que sofrem com a pobreza e a fome são pequenos camponeses de países m desenvolvimento. Para reduzir o número de vítimas, os governos, com o apoio da comunidade internacional, precisam proteger os investimentos na agricultura, de forma que as crianças tenham acesso não só a sementes e fertilizantes como também a tecnologias adaptadas, infra-estrutura, financiamento e mercado’, explicou Kanayo Nwanze, presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).

“O rápido avanço da fome continua provocando uma enorme crise humanitária. O mundo precisa trabalhar unido para garantir que as necessidades emergenciais sejam atendidas”, disse Josette Sheeran, diretora-executiva do Programa Mundial de Alimentos (PMA).

A fome no mundo

A fome aumentou lenta, mas constantemente entre 1995 e 1997 e entre 2004 e 2006 em todas as regiões do mundo, exceto na América Latina e no Caribe, segundo a FAO.
Segundo a FAO, quase toda a população desnutrida do planeta vive nos países em desenvolvimento. Na Ásia e no Pacífico calcula-se que 642 milhões de pessoas sofrem de fome crônica, seguida da África Subsahariana (265 milhões), da América Latina (53 milhões), da África do Norte e do Oriente Médio (42 milhões) e dos países desenvolvidos (15 milhões).

Tomate: o grande vilão

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), encerrou 2008 em 6,07%. O superaquecimento da economia mundial e a disparada internacional das commodities (produtos básicos com cotação em bolsa) ajudaram a puxar a alta do indicador. A expectativa é de que, com a crise financeira, a demanda caia, pressionando bem menos o bolso do consumidor brasileiro nos próximos meses.

No ano passado, os protagonistas da elevação de preços foram os alimentos. Eles acumularam alta de 10,15%. O tomate, apontado como o grande vilão, variou 110,47% por causa da sazonalidade da produção, clima e variações no custo do frete. Já o pão francês subiu 21,52% e a comida de restaurante, de acordo com o levantamento, ficou 10,27% mais cara. Entre os produtos que ajudaram a conter uma elevação ainda maior do IPC-S estão o feijão carioquinha (-26,69%) e a batata-inglesa (-17,80%).

Outras classes de produtos ou serviços também registraram elevações. Foi o caso do grupo “saúde e cuidados pessoais”, que subiu em 2008 6,27%. O terceiro colocado no ranking dos que mais contribuíram para o salto do IPC-S no ano foi o item “educação, leitura e recreação”, com alta acumulada de 5,77%. O aluguel residencial subiu em 2008 6,04%.

Neste início de ano, despesas com educação, transportes e habitação ainda vão subir um pouco, mas as projeções dos economistas indicam que, ao longo do semestre, esses gastos tendem a equilibrar-se. O IPC-S é considerado a inflação mais sensível ao consumidor. Para medi-la, a FGV faz levantamentos em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife.

Luciano Pire/CB

Consumo de soja afetaria fertilidade masculina

Comer diariamente mais de meia porção de alimentos à base de soja pode resultar numa redução significativa do número de espermatozóides saudáveis, revela um estudo realizado por cientistas da Universidade de Harvard.

Os investigadores compararam a quantidade de soja consumida por 99 homens nos três meses anteriores ao estudo com o número de espermatozóides presentes no seu sémen.

Os resultados, publicados na revista científica Human Reproduction, mostram que os homens que consumiam em média mais de meia porção de alimentos à base de soja por dia apresentavam cerca de menos 41 milhões de espermatozóides por mililitro do que os que não comiam soja.

De acordo com os cientistas, a concentração considerada “normal” de espermatozóides no semen é de entre 80 a 120 milhões por mililitro.

Os investigadores acreditam que estes resultados podem estar relacionados com a uma substância química chamada isoflavona, que está presente em alimentos à base de soja e poderá ter efeitos similares aos do estrogénio, a hormona sexual feminina, e interferir na produção de esperma.

O estudo também revela que os homens com excesso de peso ou obesos apresentam uma maior susceptibilidade a estes efeitos, algo que poderá estar relacionado com o facto de produzirem mais estrogénio natural que os homens magros.

Jorge Chavarro, que liderou o estudo, sublinhou no entanto a necessidade de se realizarem mais pesquisas para determinar os efeitos da soja na fertilidade masculina.

Informação adicional:
Reuters
Telegraph

ONU: Batata alimento do futuro

Uma Conferência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) sugere que a batata pode ser considerada o ‘alimento do futuro’. O motivo seria a relação da quantidade de produção do alimento com o espaço ocupado pelas plantações.

O encontro, que ocorreu em Cusco, no Peru, é parte das comemorações do Ano Internacional da Batata, declarado pela ONU em 2008. De acordo com a FAO, o interesse no alimento se intensificou após o aumento nos preços dos cereais em todo o mundo.

Uma pesquisa do Centro Internacional da Batata sugere que o alimento pode ser usado para alcançar as Metas do Milênio das Nações Unidas, principalmente para terminar com a fome e a pobreza.

Segundo a FAO, a produção da batata bateu recorde, em 2007, de 320 milhões de toneladas. Cultivada em mais de 100 países, a batata é parte integral do sistema global de alimentação por seu fácil cultivo e resistência.

De acordo com a agência da ONU, o consumo está aumentando nos países em desenvolvimento. Juntos, eles somam mais da metade da colheita mundial. O maior produtor de batata do mundo é a China, com 72 milhões de toneladas.

Rádio ONU

Argentina: greve bloqueia caminhões do Brasil

 

O conflito entre os agricultores e o governo argentino vai ultrapassar as fronteiras do país e atingir o comércio com o Brasil. Os produtores em greve baseados na província de Entre Ríos, na fronteira com o Uruguai, decidiram em assembléia ontem à noite que vão fechar a passagem de todos os caminhões estrangeiros que chegam pela Rodovia do Mercosul.

O objetivo é impedir a entrada de alimentos (alvo da paralisação), e segundo disse o líder do movimento grevista em Gualeguaychú, Alfredo de Angelis, ao canal de TV Todo Notícias, seria inviável selecionar caminhões estrangeiros com e sem alimentos. Por isso decidiu-se parar todos. 

O protesto dos produtores, que hoje completa 19 dias, já fechou o trânsito com piquetes em 86 localidades de 11 províncias. Eles pressionam o governo para que volte atrás no aumento dos tributos cobrados sobre as exportações de grãos, especialmente a soja. 

O movimento se transformou na primeira grande crise política da presidente Cristina Fernández de Kirchner e já é considerado uma das piores entre o governo e o campo argentino dos últimos 30 anos.

Os ruralistas ganharam apoio da população urbana, que na semana passada saiu às ruas de Buenos Aires e outras quatro capitais, batendo panelas e empunhando cartazes contra o governo.

Valor

%d blogueiros gostam disto: