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Lançado álbum inédito do Renato Russo

Onze anos depois da morte do compositor e intérprete Renato Russo um álbum com suas músicas será lançado. O trabalho foi montado a partir de uma fita que sua irmã, Carmem Tereza, tinha guardada em casa.

Nas lojas em meados deste mês de julho, o CD O Trovador Solitário dá continuidade à exumação da obra de Renato Russo (1960 — 1996) e revela gravações inéditas registradas pelo artista em fitas cassetes, digitalizadas e editadas pelo produtor Marcelo Fróes por seu selo Discobertas, com aval da família do cantor. Com 11 faixas, o álbum apresenta registros de aura lendária, muito comentados, mas pouco ouvidos. As gravações foram feitas em Brasília (DF), em 1982, em fase solitária do trovador.

Para apreciar estas gravações de alto valor documental, é preciso entender o contexto em que foram feitas: entre a saída de seu primeiro grupo, Aborto Elétrico, e a formação da Legião Urbana, Renato Russo encarnou a figura do Trovador Solitário. Sob essa alcunha, o cantor se apresentava sozinho em bares de Brasília com sua voz, seu violão e as canções que ainda iriam virar hits nacionais. Russo era espécie de Bob Dylan do Cerrado, fazendo som folk.

O repertório do Trovador Solitário misturava adaptações acústicas do cancioneiro punk do Aborto Elétrico com músicas até então inéditas que seriam gravadas pela futura Legião Urbana. Das músicas reunidas no álbum, Veraneio Vascaína e Anúncio de Refrigerante nunca ganharam registros oficiais de Russo. Eram temas do Aborto Elétrico que acabaram em discos feitos pelo Capital Inicial em 1986 e 2005, respectivamente.

Para fãs de Renato Russo, o CD O Trovador Solitário oferece também a oportunidade de ouvir as versões iniciais de músicas como Eu Sei (que então se chamava 18 e 21), Geração Coca-Cola, Eduardo e Mônica e Faroeste Caboclo — além da demo de Que País É Este?, editada como faixa-bônus ao lado de cover de Summertime feito em dueto com a cantora Cida Moreira. Elas flagram o artista em fase de transição. Foi nesse período que Russo começou a burilar suas letras. Em 1984, a fita com tais versões caiu nas mãos do diretor da gravadora EMI-Odeon e abriu as portas da indústria do disco para a Legião Urbana. O resto é História.

Mauro Ferreira

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