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100 anos de Cartola

Hoje, dia 11 de outubro, é dia do centenário do compositor e sambista Cartola. Legítimo representante do samba carioca, Cartola tem canções gravadas por alguns dos maiores intérpretes da música popular brasileira e vários sambas feitos para a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira – alguns, campeões do carnaval do Rio de Janeiro.

Ouça a música O Mundo é um moinho, de Cartola

Saiba mais sobre a obra de Cartola no site dedicado ao artista

Cem anos depois, bate outra vez com esperanças o coração. Em 11 de outubro de 1908, nascia no Catete, no Rio, Angenor de Oliveira, que virou Cartola, autor de canções antológicas como As Rosas Não Falam e O Mundo É um Moinho.

Ele se confundiu com a história do samba. “Cartola surgiu para a música no momento em que o samba, por razões comerciais, se dividia em ?do rádio? e ?do morro?, trazendo informações novas e um estilo de dizer coisas que não eram comuns em seu meio”, diz o pesquisador Nei Lopes. Francisco Alves gravou Divina Dama em 1933. Depois vieram mais e mais intérpretes: Carmen Miranda, Silvio Caldas, Araci de Almeida, Ataulfo Alves.

Na flor, que exala o perfume roubado da mulher amada, despontam tanto espinhos quanto pétalas – e assim é o coração de um homem. A dor e a esperança. Do espaço entre ambas brotam as composições de Cartola. O homem que usava grandes óculos escuros para esconder o nariz deformado foi operário de construção civil (o apelido se deve ao chapéu-coco que usava “pra não apanhar cimento no cabelo”) e de um lava-rápido.

O mundo como moinho. Cartola, leitor do poeta Castro Alves, preferiu cantar a vida com letras elaboradas e melodias idem. E é esse rico material que serve, agora, para gerar regravações e shows no Rio e em São Paulo, além da reedição de uma biografia. O centenário, porém, como muitos esperavam, não virou tema do enredo de sua escola, a Mangueira. O centenário escolhido para o carnaval de 2008 foi outro, o do frevo, ocorrido em fevereiro de 2007.

Cartola gravou seu primeiro disco-solo em 1974. Depois de escutá-lo interpretando a si mesmo, é preciso coragem para regravá-lo. Um dos maiores cancionistas do País, ele foi parceiro de nomes ilustres, como Elton Medeiros, Carlos Cachaça, Herminio Bello de Carvalho e de outros menos lembrados, como Nuno Veloso e Dalmo Castelo.

Herminio afirma que o samba Acontece, por sua rica harmonia, poderia ser assinado por Tom Jobim. “O estilo de seus sambas mais lentos, que ele mostrava antes da década de 1950, é atualíssimo, principalmente quando se celebram os 50 anos da bossa nova”, diz Nei Lopes.

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