Arquivos da Categoria: Teatro

Morre o jornalista Hélio Barcellos Jr.

Hélio formou-se em Jornalismo na Unisinos e era muito admirado pelos colegas

Morreu na madrugada desta segunda-feira (28) o jornalista e repórter da editoria de Cultura do Jornal do Comércio Hélio Barcellos Jr. Aos 47 anos, Hélio sofria de problemas cardíacos e estava internado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Funcionário do JC desde 1996, natural da capital gaúcha, um dos mais recentes trabalhos do jornalista foi a produção do livro Sandra Dani – Memórias de uma Grande Atriz. Além deste, escreveu Falos & Stercus – Ação e Obra – Trajetória marcada por inconformismo e prazer (2009). Colaborou nos livros Lâmpada Mágica, uma referência cultural (2008); Memória da Cena 1990-1996 (2007) e Kassandra in Process – O Desassombro da Utopia (2006). Como dramaturgo, teve encenadas sete peças teatrais na década de 1990; tais como, Gurizada medonha (1998), Família Monstro (1994) e A Superbruxa (1993). Pelas duas últimas recebeu o Prêmio Tibicuera de Melhor Pordução pelas temporadas de 1993 e 1994. Como ator, integrou o elenco de 16 peças teatrais entre 1982 e 2000.

Em sua página no Facebook, ele dizia que tinha orgulho do que fazia. “Meu coração é grande, sou exagerado, amo teatro, cinema e adoro beijar muito. Sou jornalista, escrevo sobre teatro no Jornal do Comércio, em Porto Alegre, há muito tempo”, está escrito em seu perfil.

Hélio Barcellos Jr. formou-se em Jornalismo na Unisinos e era muito admirado pelos colegas. O velório será a partir das 14h e a cerimônia de cremação às 18h no Cemitério Metropolitano (Professor Oscar Pereira, 584).

JC

Bolsa Ditadura: Norma Benguell, Betinho e Zé Celso ops novos beneficiados

Na foto Norma é a segunda da direita prá esquerda em passeata contra ditadura

O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, assinou nesta quinta-feira uma centena de portarias concedendo condição de anistiado político e indenização a ex-perseguidos pela ditadura.

Entre estes casos aprovados pela Comissão de Anistia e ratificados agora pelo ministro estão o da atriz e diretora Norma Bengell, o diretor e ator teatral José Celso Martinez Correa e a anistia “post-mortem” ao sociólogo Herbert José de Souza, o Betinho.

Martinez receberá prestação mensal de R$ 5 mil e um retroativo acumulado de R$ 569 mil; Maria Nakano, viúva de Betinho, receberá prestação mensal de R$ 2,2 mil e retroativos de 652,2 mil; Bengell tem direito a mensalidade de R$ 2,7 mil e retroativo de R$ 254,5 mil.

As portarias foram publicadas nesta quinta-feira no Diário Oficial da União.

Fernanda Montenegro: quando a dignidade faz 81 anos

Fernanda Montenegro completa 81 anos neste sábado, 16

Aline Antunes

Com 65 anos de carreira e um currículo que inclui 55 peças, 22 filmes, 25 novelas, um Urso de Prata de melhor atriz e uma indicação ao Oscar pela atuação em Central do Brasil, Fernanda Montenegro completa, neste sábado, 16, 81 anos, cada vez mais consolidada no posto de Diva da TV e do cinema nacionais.

Por vezes, ela se vê pensando em guardar as lágrimas e alegrias das dos seus personagens num baú. Aposentadoria mesmo. Com isso, poderia rodar o mundo, conhecer o Egito, aprender a enviar e-mails e, quem sabe, fazer um curso livre de filosofia.

Mas desde a morte do marido, Fernando Torres, em 2008, com quem passou 56 anos casada, ela vê no trabalho a única razão de continuar. “Não sou mórbida. Nunca tive depressão. Não cavuco lágrimas. Sigo trabalhando. Eu me apeguei à profissão. Ele faria o mesmo”, diz Fernanda, com a voz serena e segura que lhe é peculiar.

Nas madrugadas, a atriz se dedica à leitura. Pode ser na sala ou no quarto. Não existe um lugar exato para Fernanda mergulhar nos problemas da matriarca Bete Gouveia, seu personagem em Passione. Só uma regra é básica: o silêncio.

Quase todos os dias, chega em casa às 22h. Antes de começar a maratona de 40 a 60 páginas de texto, janta – evita alimentos com lactose e difícil digestão –, fala com os filhos ao telefone, conversa com um assistente – que se encarrega de pagar suas contas e responder e-mails – e vai trabalhar.

Com o texto em mãos, Fernanda se considera ‘uma principiante’. “Não sou daqueles atores que invejo, que pegam um papel e decoram tudo em meia hora. Eu sou demorada nesse processo”, conta.

Com uma novela no ar, Fernanda Montenegro vive para o trabalho. Até parou com as caminhadas que gosta de fazer na beira da praia. Na agenda, reserva um horário para assistir ao longa Tropa de Elite 2. Principalmente, para prestigiar o ator Wagner Moura. “Ele sofre de uma inquietação. Foi de um Capitão Nascimento para um Hamlet e voltou ao coronel. Ele é um jovem ator do qual me orgulho”, diz.

Mas o tempo para consumir artes, por enquanto, é curto. Por causa de Passione, ela está sem tempo para nada há 15 meses, entre preparação e gravações da novela. Aos domingos, às vezes, almoça com os filhos – Fernanda Torres e Cláudio Torres – e netos – Antônio, 3 anos, e Joaquim, 10, ambos de Fernanda. “Sou aquela avó que tem tempo para o neto, dá carinho. Mas domingo também é dia de decorar capítulos (risos).”

A vida atarefada não é uma reclamação. Fernanda tem muito orgulho da profissão. Para construir os 65 anos de carreira, ela batalhou, enfrentou a ditadura – em 1979, ela e o marido tiveram de atuar com as luzes do teatro acesas e amparados por seguranças – e a oposição dos pais. “Quando comecei, todo mundo achava que teatro era um mundo de marginais, prostitutas. Hoje, isso é diferente”, diz dona Fernanda, como é chamada no meio artístico.

Apesar dos obstáculos, ela não desistiu. Não se apegou à religião que a família seguia – o catolicismo –, frequentou algumas igrejas ao longo da vida – entrou numa mesquita em Istambul, na Catedral Notre Dame, na França, e visitou a Igreja de São Bento, no Rio de Janeiro. E fez seu nome.

O primeiro prêmio veio em 1952, quando foi consagrada atriz revelação pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais. Fez teleteatros na extinta TV Tupi, foi dirigida pelo marido, aclamada no exterior e, na TV, ficou conhecida por personagens cômicos, picaretas vilões e dramáticos – respectivamente, Charlotte, de Guerra dos Sexos (1983); a cafetina Olga Portela, de O Dono do Mundo (1991); Bia Falcão, de Belíssima (2005); e Bete Gouveia, de Passione (2010). De todos esses trabalhos, três são do novelista Silvio de Abreu. “Conheci o Silvio, ele ainda usava perucas (nos anos 70, quando era ator).

Adoro ele, o Gilberto (Braga), a Glória (Perez), entre outros autores. Mas não tenho tempo de ver TV”, conta Fernanda. Nem para ver novelas, nem o horário político. “Quando cheguei aos 80 anos, prometi para mim não falar mais de política. Eu já lutei, falei, resisti, reivindiquei. Agora, aposentei”. Mas não para a carreira. “Não me imagino parada. Mas não sei o dia de amanhã. Por enquanto, vivo os personagens”, diz a Diva.

Jornal a Tarde

Fernanda Torres leva ao Multishow textos de Millôr

Depois do enorme sucesso da adaptação de “A casa dos budas ditosos”, de João Ubaldo Ribeiro, para os palcos, Fernanda Torres tem agora novo projeto.

A atriz deverá estrear um programa no Multishow em novembro, mês de aniversário do canal.  É a adaptação de “Fábulas fabulosas”, de Millôr Fernandes. A carioca Conspiração vai produzir.

…e mais
“Fábulas fabulosas” terá 20 episódios de 15 minutos. Fernanda vai atuar, mas também trabalhará na adaptação dos textos para a TV. O programa é uma das grandes apostas do Multishow para este ano.

Dentre o material que tem colecionado, um a deixou muito emocionada: o LP “O melhor de Millôr”, onde ouviu textos ditos por seus pais, Fernando Torres e Fernada Montenegro, há mais de 30 anos, com a participação de Miele, Ruy Afonso e Solano Ribeiro.

A preciosidade foi encontrada em um sebo em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, por um amigo comum de Fernanda Torres e de Millôr.

Lu Lacerda

Morre o cenógrafo Ciro Del Nero

Morreu na madrugada deste sábado (31),aos 78 anos, o cenógrafo brasileiro Cyro del Nero. Paulistano do bairro do Brás, ele criou cenas para diversas peças de teatro e óperas, além de ter um importante papel na TV brasileira. Segundo sua assessoria de imprensa, a causa da morte foi insuficiência coronariana e ele deixa esposa e sete filhos.

O velório de del Nero está sendo realizado na tarde deste sábado (31) na capela do Cemitério Primaveras, em Guarulhos. Seu corpo será cremado às 17h, no crematório do mesmo local, projetado por ele em 2004, com jardins de inverno que considerava “atemporais”.

Del Nero foi considerado o melhor cenógrafo nacional da 5ª Bienal de Artes Plásticas de São Paulo e também era professor da Universidade de São Paulo. Além de passar pela TV Record, Tupi e Excelsior, foi diretor de arte da TV Globo e responsável por diversas aberturas de novelas, além de criar as aberturas e o cenário dos números musicais do “Fantástico” na década de 1970. Eles são considerados os primeiros videoclipes produzidos no país.

Dentre os seus trabalhos, merecem destaque as aberturas da novela “Gabriela” (1975) e do infantil “Vila Sésamo”. Também fez os logotipos do primeiro “Roberto Carlos Especial”, de 1974, do folhetim “O espantalho” (exibido na Record, em 1977) e da TV Bandeirantes. O desenho atual é uma variação do modelo criado por ele no começo dos anos 1980.

Dentre os números musicais que produziu, “Gita”, de Raul Seixas, é marcante. Criado em 1974, ele serviu de modelo para todos os outros feitos pelo “Fantástico”. Pela inovação de “Gita”, o cenógrafo disputa com Nilton Travesso o título de “primeiro videoclipe brasileiro”.

Em 1975, Travesso dirigiu para o programa dominical o clipe de “América do Sul”, de Ney Matogrosso. Ele defende que esse foi o primeiro videoclipe nacional por não ter sido realizado em estúdio e por utilizar o recurso da dublagem.

A história do Teatro Municipal em Livro

Foto: Tássia Thum/G1

O livro “Theatro Municipal do Rio de Janeiro: história e memória“, que reúne a programação artística desde 1909 até hoje, será lançado em outubro.

Quatro especialistas – Barbara Heliodora (teatro), Clovis Marques (música), Bruno Furlanetto (ópera) e Beatriz Cerbino (dança) – foram escalados para selecionar os destaques de cada época. O livro aborda também o contexto da construção da casa de espetáculos e retrata a vida mundana da sociedade carioca da época.

A atividade teatral era, na segunda metade do século XIX, muito intensa no Rio de Janeiro. Mas a então capital do Brasil não tinha um teatro que correspondesse plenamente a essa atividade e estivesse à altura da principal cidade do país. Seus dois maiores, o São Pedro e o Lírico, eram criticados pelas suas instalações, seja pelo público, seja pelas companhias que neles atuavam.

Em 1894, o autor teatral Arthur Azevedo lançou uma campanha para que um teatro fosse construído para ser sede de uma companhia municipal, a ser criada nos moldes da Comédie Française. Mas a campanha resultou apenas em uma Lei Municipal, que determinou a construção do Theatro Municipal. A lei, no entanto, não foi cumprida, apesar da existência de uma taxa para financiar a obra. A arrecadação desse novo imposto nunca foi utilizada para a construção do Theatro.

Somente em 1903, o prefeito Pereira Passos, nomeado pelo presidente Rodrigues Alves, retomou a idéia e, a 15 de outubro de 1903, lançou um edital com um concurso para a apresentação de projetos para a construção do Theatro Municipal.

Encerrado o prazo do concurso, em março de 1904, foram recebidos sete projetos. Os dois primeiros colocados ficaram empatados: o “Áquila”, pseudônimo do engenheiro Francisco de Oliveira Passos, e o “Isadora”, pseudônimo do arquiteto francês Albert Guilbert, vice-presidente da Associação dos Arquitetos Franceses.

O resultado deste concurso foi motivo para uma longa polêmica na Câmara Municipal, acompanhada pelos principais jornais da época, em torno da verdadeira autoria do projeto “Áquila”  – que se dizia feito pela seção de arquitetura da Prefeitura – e do suposto favoritismo de Oliveira Passos, pelo fato de ser filho do prefeito, entre outros argumentos.

Como decisão final resolveu-se pela fusão dos dois projetos pois, na verdade, os dois projetos ganhadores correspondiam a uma mesma tipologia.

Feitas as alterações no projeto, a 2 de janeiro de 1905, o prédio começou a ser erguido, com a colocação da primeira das 1.180 estacas de madeira de lei sobre as quais se assenta o edifício. Para decorar o edifício foram chamados os mais importantes pintores e escultores da época, como Eliseu Visconti, Rodolfo Amoedo e os irmãos Bernardelli. Também foram recrutados artesãos europeus para fazer vitrais e mosaicos.

Finalmente, quatro anos e meio mais tarde – um tempo recorde para a obra, que teve o revezamento de 280 operários em dois turnos de trabalho – no dia 14 de julho de 1909 foi inaugurado pelo presidente Nilo Peçanha o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que tinha capacidade para 1.739 espectadores. Serzedelo Correa era o prefeito da cidade.

Em 1934, com a constatação de que o teatro estava pequeno para o tamanho da população da cidade, que tinha crescido muito, a capacidade da sala foi aumentada para 2.205 lugares. A obra, apesar de sua complexidade, foi realizada em três meses, tempo recorde para a época. Posteriormente, com algumas modificações, chegou-se ao número atual de 2.361 lugares.

Em 1975, a 19 de outubro, o Theatro foi fechado para obras de restauração e modernização de suas instalações e reaberto em 15 de março de 1978. No mesmo ano foi criada a Central Técnica de Produção, responsável por toda a execução dos espetáculos da casa.

Em 1996, iniciou-se a construção do edifício Anexo. O objetivo foi desafogar o teatro dos ensaios para os espetáculos, que, com a atividade intensa da programação durante todo o ano, ficou pequeno para eles e, também, para abrigar condignamente os corpos artísticos.

Com a inauguração do prédio, o Coro, a Orquestra e o Ballet ganharam novas salas de ensaio e bastante espaço para suas práticas artísticas.

Em 2008, com o patrocínio dos Grandes Patronos: Petrobrás, BNDES, Eletrobrás e Rede Globo de Televisão; Patronos Ouro Embratel e Vale; e dos Co-Patrocinadores Bradesco Seguro e Previdência e MetrôRio tornou-se possível iniciar a obra de restauração e modernização para o centenário do Theatro, contemplando o monumento com a restauração do telhado, da arquitetura externa e interna e da modernização das instalações prediais.

Depois de uma longa espera, o teatro reabriu oficialmente no dia 27 de maio novinho em 219 mil folhas de ouro e 57 toneladas de cobre, além de 1.500 novas luminárias e com mais de cinco mil lâmpadas.

Morre o ator e diretor de teatro Alberto Guzik

Morreu na manhã deste sábado o crítico, escritor, diretor e ator Alberto Guzik. Um dos fundadores e diretor pedagógico da SP Escola de Teatro, Alberto tinha 66 anos e estava internado no Hospital Santa Helena em São Paulo desde fevereiro, lutando contra um câncer. A causa da morte foi falência múltipla de orgãos. Seu corpo será cremado na Vila Alpina às 16h30 deste sábado.

Mestre em teatro pela Escola de Comunicações de Artes da Universidade de São Paulo, Gusik integrava a companhia teatral Os Satyros.

O escritor deixa ainda sem publicação uma nova obra de ficção, “Um palco iluminado”, romance que enfoca a vida de uma companhia teatral em São Paulo entre as décadas de 1960 e 1990. Alberto escrevia também no blog ‘Os dias e as horas’ . Seu último post data de dois dias antes da internação em 17 de fevereiro. Definiu-se no Twitter com a frase: “Sou um homem de teatro. E das letras. E das artes, quase todas.”

Teatro Oficina: Zé Celso vence Silvio Santos

O diretor teatral José Celso Martinez Corrêa, um dos maiores nomes do teatro nacional, venceu a briga com Silvio Santos pela posse do terreno no qual fica o Teatro Oficina, na Bela Vista, região central de São Paulo. O Conselho Consultivo do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) decidiu nesta quinta-feira (24) transformar o Teatro Oficina em patrimônio cultural do país. Agora, o imóvel não pode mais ser derrubado.

Logo após o anúncio, Zé Celso falou com o R7, do Rio, onde foi acompanhar a decisão do Iphan.

– Foi uma vitória sobre o Grupo Silvio Santos. Estou muito feliz com o relatório inteligentíssimo feito por Jurema Machado. O parecer dela foi sensato e inteligente. Estou vibrando até agora.

Zé Celso ainda ressaltou a importância do ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, que, segundo ele, ajudou a acelerar o projeto de tombamento, que estava em trâmite havia oito anos.

– E ainda tem algo melhor: tudo que for acontecer no entorno do teatro agora terá de passar pelo Iphan. Esse dia é histórico para o Oficina e o teatro nacional. Vim ontem de Salvador e nem dormi direito. Volto para a Bahia cansado, mas feliz.

Satisfeito, o diretor está a caminho de Salvador, onde apresenta a turnê Dionisíacas.

Um ponto, contudo, ainda não foi definido. A área de preservação do entorno do prédio – algo pleiteado por Zé Celso e sua trupe – ainda será discutida pelo Iphan com o Estado e a Prefeitura de São Paulo. O Grupo Silvio Santos, dono do quarteirão, já chegou a projetar um shopping para o local, mas desistiu temporariamente da ideia após vários protestos do grupo teatral.

O Teatro Oficina funciona em um casarão do bairro Bexiga desde 1961. Em 1984, o local foi transformado em teatro público, sob administração do Grupo Oficina, dirigido por José Celso Martinez Corrêa.

O prédio foi reconstruído em 1986, com base em projeto da arquiteta Lina Bo Bardi, em que se manteve a fachada simplória de uma casa do Bexiga, mas ergueu-se no interior uma arquitetura de desenho moderno, cuja marca é a parede envidraçada de 150m². A vegetação presente no lote, que emoldura a visão externa do teatro, também será protegida.

Colaborou Camilla Carvalho

Ator é preso acusado de agredir a mulher

Intérprete no teatro do cantor Vicente Celestino – que fez sucesso com a música “O Ébrio” -, o ator Alexandre Schumacher, 35 anos, foi preso em flagrante segunda-feira à noite no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, acusado de agredir sua mulher.

De acordo com o delegado da 16ª DP (Barra da Tijuca), Rafael Willis, o artista chegou à delegacia aparentando estar embriagado. Autuado na Lei Maria da Penha, que prevê pena de três meses a três anos de detenção em casos de violência doméstica, Alexandre passou a noite preso e foi liberado após pagar fiança de R$ 1 mil.

Renata Albuquerque dos Santos, 32 anos, relatou à polícia que o marido chegou a tomar duas doses de conhaque antes de começar a agredi-la. “Ela disse que estava cozinhando, por volta das 22h, e ele, dormindo. Ao acordar, teria bebido e começou a bater nela, sem motivo. Flávia disse que ficou desesperada com a atitude dele”, disse o delegado.

Gritos de socorro
A vítima disse ter levado socos e chutes de Alexandre. Segundo a polícia, ela tentou fugir para o quarto, mas foi perseguida pelo marido e apanhou mais. Quando foi à varanda do apartamento para gritar por socorro, Flávia relatou ter sido puxada pelos cabelos. Um vizinho que presenciou a cena e ouviu os gritos da vítima chamou a Polícia Militar.

A moça conseguiu escapar para a portaria do prédio, onde aguardou a chegada da patrulha. O ator e a mulher foram levados para a delegacia. Flávia fez exame de corpo de delito e apresentava machucados no rosto, pescoço, olhos e braços. Alexandre não quis prestar depoimento e se reservou ao direito de falar em juízo.

Depois de ser solto, o ator voltou para o apartamento no Recreio. Procurado na quarta-feira, ele não quis falar sobre o assunto. Flávia disse aos policiais que foi a primeira vez que apanhou, mas que Alexandre já a agrediu verbalmente, até com xingamentos. Segundo o delegado, foi pedida ao 3º Juizado de Violência Doméstica, de Jacarepaguá, medida protetiva para que o ator se mantenha afastado da moça.

Cantorias na carceragem
Para a polícia, interpretar a vida de um cantor no teatro pode ter marcado mesmo Alexandre Schumacher. Durante as 12 horas em que ficou preso, o ator aproveitou para cantar. “Ele passou a noite inteira cantando óperas dentro da carceragem. Nunca vi um preso cantar. Deve ser por causa do personagem que ele fez, né?”, questionou um policial. A peça “Vicente Celestino – A Voz Orgulho do Brasil”, em homenagem ao artista, ficou em cartaz até domingo no Teatro Sesc Ginástico, no centro.

Jô interpreta Pessoa em Portugal

Com pré-estreia para convidados, Jô Soares apresentou pela primeira vez ao público português “Remix em Pessoa”, espetáculo que estreiou na sexta-feira (29), às 21h30, no Teatro Villaret, em Lisboa, dirigido por Bete Coelho e com música de Billy Forghieri.

Imprensa, celebridades do meio artístico português e autoridades brasileiras estiveram no teatro para conferir de perto o espetáculo, um monólogo lançado em CD no Brasil em 2007 e apresentado em diversos teatros de São Paulo e Rio de Janeiro, com aclamação do público e da crítica.

Entre os convidados brasileiros, estiveram presentes o presidente da TAP, Fernando Pinto, o diretor da TV Globo Europa, Ricardo Pereira, o qual declarou que desde a gravação do CD “Remix em Pessoa”, em 2007, mesma época da inauguração da Globo em Portugal, havia falado ao humorista que o espetáculo deveria ser exibido em Lisboa.

O embaixador do Brasil em Portugal, Celso Vieira e Souza, que disse ser um prazer receber Jô Soares em Lisboa: “É uma presença sempre boa, simpática, de um ator tão conhecido como Jô Soares e dizendo textos de Fernando Pessoa, que é extraordinário, poeta português, grande nome do modernismo.  Já ouvi de várias fontes que Fernando Pessoa foi uma redescoberta no Brasil. Claro que ele foi um grande poeta cultuado e respeitado em Portugal, mas quem deu ao Fernando Pessoa o lugar de realce modernamente na língua portuguesa foi o Brasil. Sobretudo por meio de Cleonice Berardinelli”, disse Souza.

Jô Soares subiu ao palco vestido como Pessoa e, com seu brilho de um bom comunicador, deu início ao espetáculo apresentando aos seus ilustres convidados o poema Sou Eu. Uma plateia formada por aproximadamente 400 pessoas ouvia em silêncio Jô interpretando, com sotaque luso caricato, o imortal poeta português Fernando Pessoa. De Álvaro de Campos, Jô disse ser o heterônimo que mostra com mais contundência uma versão de humor cáustico e irônico que ele próprio tem do mundo.

O repertório do espetáculo foi composto, grande maioria, de poemas gravados no CD, com exceção de Lisboa com Suas Casas e Se Eu Morrer Novo, de Alberto Caeiro, outro dos heterônimos de Pessoa, com o qual Jô presenteou os convidados, regressando ao palco após muitos aplausos. Para interpretar o poema Ao Volante do Chevrolet, o artista usou as costas de uma cadeira, simulando que estava dirigindo um carro.

Jô falou com o site da Brasileiros sobre o prazer de estar realizando um sonho, apresentando “Remix em Pessoa” num teatro construído por seu grande e saudoso amigo Raul Solnado.

“Remix em Pessoa” fica em cartaz em Lisboa até dia 7 de fevereiro.

%d blogueiros gostam disto: