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Doador anônimo salva menina afegã de seis anos de casamento forçado

BRAZIL NIL NEWS

ImagemNaghma Mohammad teve de ser vendida para saldar dívida de seu pai; empréstimo foi usado para cobrir despesas médicas do caçula da família, que morreu congelado aos 3 anos 

A guerra no Afeganistão faz vítimas que vão além dos soldados e civis atingidos por tiros, bombas e granadas. Em 2009, amedrontado pela violência que rondava a província de Helmand, onde morava, Taj Mohammad foi obrigado a reunir a mulher, os nove filhos e seus poucos pertences e se instalar em um acampamento para refugiados, na capital Cabul. A falta de suprimentos básicos logo acometeu o caçula da família, Janan, de apenas três anos. Sem trabalho e com pouquíssimos recursos disponíveis, Mohammad fez um empréstimo de US$2.500 (cerca de R$5 mil reais) para cobrir as despesas médicas do menino.

Janan não sobreviveu ao inverno e morreu congelado. Mal tinha se recuperado da morte do filho e Mohammad se viu em mais…

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Prisões terão ambientes específicos para gays e travestis

BRAZIL NIL NEWS

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A partir desta quinta-feira, os diretores dos presídios brasileiros deverão criar “espaços de vivência” específicos para detentos gays e travestis que cumprem pena em penitenciárias masculinas. A existência desses ambientes está prevista em uma resolução publicada pelo Conselho Nacional de Combate à Discriminação, órgão da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. A justificativa é garantir a “segurança” de gays e travestis por causa da “especial vulnerabilidade” em cadeias masculinas.

A nova norma foi publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União. A determinação do órgão prevê ainda que o detento só seja encaminhado para a ala especial se concordar com a medida.

A superlotação é uma constante na grande maioria dos presídios nacionais – a população carcerária cresceu 400% em vinte anos, segundo o Ministério da Justiça. Enquanto a média mundial de encarceramento é 144 presos para cada 100.000 habitantes, no Brasil, o número de presos, com base…

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INSS É OBRIGADO PELA JUSTIÇA A REVISAR 179 BENEFÍCIOS EM ATÉ 2 MESES

BRAZIL NIL NEWS

ImagemA justiça federal condenou o INSS revisar 179 benefícios do artigo 29 nos últimos dois meses. A ANSP – Associação Nacional de Seguridade e Previdência, responsável pelos processos e que representa os 179 beneficiários, explica que tem direito revisão quem recebeu auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e pensão por morte (derivada dos dois primeiros), concedidos durante o período de 1999 a 2009.


O direito da chamada revisão do artigo 29 [inciso II da Lei n.º 8213/91] contempla milhares de pessoas no país, por isso o Ministério Público ajuizou a ação civil pública n.º 0002320-59.2012.4.03.6183/SP para que fosse reconhecido de uma só vez o erro do INSS; e os trabalhadores fossem beneficiados em regime coletivo com a revisão previdenciária.

Apesar de a Previdência Social reconhecer o erro e ter feito um acordo para pagá-lo, o prazo combinado entre as partes foi com pagamento até o ano de 2022. Entretanto, o aposentado ou…

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Metade dos brasileiros está insatisfeita com a vida sexual

Nilnews

0003aprc[1]Pesquisa de marca de preservativos revela que 51% dos homens e 56% das mulheres estão insatisfeitos com a vida sexual que têm. Falta de diálogo pode ser a razão para a falta de entrosamento: somente 7% dos entrevistados revelaram não ter tabu com o tema
Os brasileiros tendem a ter mais atividades durante o sexo, além da penetração, quando comparado com a média global
Os brasileiros tendem a ter mais atividades durante o sexo, além da penetração, quando comparado com a média global

Na última semana, uma pesquisa nacional realizada pela marca de preservativos Durex trouxe informações interessantes sobre a vida sexual do brasileiro. O dado do estudo ‘Durex Global Sex Survey’ que acendeu o alerta é o que revelou que 51% dos homens e 56% das mulheres estão infelizes com a vida sexual.

A quantidade de relações sexuais poderia até nortear essa insatisfação caso o desejo não fosse algo tão subjetivo. Metade dos entrevistados (49%) afirmou fazer sexo mais de três vezes por semana, a frequência se mantém…

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Transexual sai com Romário e diz: ‘Somos amigos bem íntimos’

Na última quinta-feira, o deputado federal Romário foi flagrado deixando o Barra Music de mãos dadas com uma bela morena. A coluna descobriu que a capixaba Thalita Zampirolli nasceu menino, há 24 anos, mas fez a cirurgia de mudança de sexo quando completou 18. Procurada, a assessoria do parlamentar diz que Romário não fala sobre sua vida pessoal. A coluna conversou com exclusividade com Thalita, que é ex-musa do Flamengo, e confirmou ter deixado a casa de shows com Romário.
Leia a Entrevista:
Você conhece Romário há quanto tempo?
Conheço ele faz um tempo, tipo um ano.Soube que você sai com Romário há um ano…
Sim, somos amigos e sempre saímos juntos.

Onde você o conheceu ?
Foi através de amigos nossos em comum.

Todas as vezes que vocês saem, vocês ficam?
Ele é amigo, a gente sai para se divertir em balada, praia…
No show do Luan Santana, você saiu de mãos dadas com ele. Quando dá a mão é porque tem mais alguma coisa, não
é verdade? Rola beijo na boca?
(Risos).

Quem estava nesse show com vocês? Vocês foram sozinhos?
Tinha mais gente, mas deixamos o show só nós dois.

Vocês foram para a sua casa ou para a dele?
Sobre essas coisas é melhor não comentar nada agora (risos).

Vocês dois são só amigos ou namorados?
Nós somos amigos bem íntimos.

Você é transexual?
Sim. Mas acho melhor a gente falar disso depois.

Romário sabe que você é transex?
Olha, eu não quero falar sobre isso. Se eu falar agora, vai ocasionar muitas coisas.

Fonte Leo Dias/O Dia

Foto de Nilton Fernando.
Foto de Nilton Fernando.
Foto de Nilton Fernando.Image

HISTÓRIA: Cartas que mudam a história do Brasil

Foto: Reprodução

Quando se pensa que não há mais nada para se descobrir sobre a monarquia brasileira, eis que surge correspondência inédita de Dom Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança. São 42 cartas, de uma coleção particular, que fazem referência aos eventos pré-queda da monarquia, à evolução da doença do príncipe (ele morreu louco, em 1934, na Áustria) e às desavenças entre o Conde d’Eu e seus sobrinhos. Vale lembrar que, se não fosse a proclamação da República, em 1889, o príncipe tinha grandes chances de se tornar D. Pedro III. Filho da princesa Dona Leopoldina, caçula de Dom Pedro II, ele era o neto preferido do imperador.

Segundo sua biógrafa, Mary del Priore, as cartas vão ajudar a entender um pouco mais sobre o segundo ramo dinástico da família imperial brasileira – que reina na Bélgica até os dias de hoje. E também auxiliarão a historiadora na preparação de um filme baseado em seu livro O Príncipe Maldito, que ficará pronto em 2014. O longa fará parte das homenagens aos 80 anos da morte de Dom Pedro Augusto.

O lote inteiro (incluindo a foto acima, tirada em Cannes, em 1888) foi colocado à venda no site Estante Virtual.

Fonte Sonya Racy/Estadão

Brasil fará parte do maior laboratório de Física do mundo

ImageO Brasil vai fazer parte do maior laboratório de Física do mundo. Ontem, depois de três anos de um processo que parecia não ter mais fim, o Conselho Executivo do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern, na sigla em francês), deu a luz verde para que um tratado de adesão seja desenhado entre a entidade com sede em Genebra e Brasília, o que deve estar concluído em 2014. A iniciativa deve custar cerca de US$ 10 milhões por ano ao Brasil, mas abrirá as portas para licitações milionárias e formação de centenas de cientistas.

Há três anos, diplomatas brasileiros mediaram a assinatura de uma carta de intenções entre o Ministério da Ciência e Tecnologia e o Cern, entidade que entrou para a história com a criação da web há duas décadas e com o maior acelerador de partículas do mundo que, neste ano, garantiu a confirmação da existência do bóson de Higgs.

Em 2010, o evento com o Brasil foi comemorado como o primeiro passo para a entrada do País no centro. Mas, desde então, houve atrasos. O então ministro da Ciência, Aloizio Mercadante, chegou a visitar Genebra e prometeu acelerar o processo. Em 2012, o Cern enviou uma missão para avaliar a situação do País. Há três meses, o diretor da instituição, Rolf Heuer, ironizou diante de uma pergunta do Estado sobre o assunto. “Você sabe o que é um buraco negro? É incompreensível a demora do Brasil em apresentar a documentação.”

Nas últimas semanas, porém, o Brasil acelerou os trabalhos enviou a documentação exigida pelo Cern, o que envolvia um inventário da ciência no País e toda a capacidade de pesquisa existente. Ontem, o Conselho do Cern considerou que a documentação “atende aos critérios” para a adesão como membro associado. “O conselho chegou a um acordo de que o informe sobre o Brasil atende a todos os critérios”, explicou ao Estado o porta-voz do laboratório, Arnaud Marsollier. Resta a finalização e assinatura do acordo, que deve ser em 2014.

Com o acordo, as empresas nacionais poderão participar de processos de licitação de peças e serviços que prometem movimentar milhões de dólares. Para Sergio Bertolucci, diretor de pesquisas do Cern e a pessoa encarregada de avaliar o Brasil para sua adesão, o País “tem um enorme potencial”.

A adesão do Brasil foi aprovada pelo Cern como parte de um projeto de expansão da entidade para abrir suas portas aos países emergentes. Governos como o da Turquia e Coreia já foram convidados. Há dois meses, o Cern marcou a adesão oficial da Ucrânia e o governo russo decidiu retornar à entidade. Ontem, a entidade abriu suas portas oficialmente para Israel.

#ROCK Ben Whishaw será Freddie Mercury no cinema

ben-mercury[1]O ator inglês Ben Whishaw, protagonista de “Perfume: A história de um assassino” (2006) e intérprete do nerd Q em “007: Operação Skyfall” (2012), vai interpretar Freddie Mercury (1946-1991) na cinebiografia do cantor do Queen, informa nesta terça-feira (10) o jornal londrino “The Independent”.

Originalmente, quem estava escalado para o papel era Sacha Baron Cohen, de “Borat” (2006) e “O ditador” (2012). O humorista, contudo, desistiu em julho do trabalho, e o motivo seria uma série de desentendimentos com com integrantes da banda.

De acordo com o “Independent”, Whishaw, de 33 anos, era cotado desde outubro para viver o cantor. Na época, o baterista do Queen, Roger Taylor, citou o nome do ator ao falar sobre o filme. Ele já teria, inclusive, assinado o contrato.

No início de agosto, Whishaw divulgou um comunicado no qual dizia ser casado com o compositor australiano Mark Bradshaw. Mercury morreu em decorrência de Aids e era homossexual.

A abordagem de sua homossexualidade, inclusive, assim como seu envolvimento com drogas estiveram no centro da discordância entre Baron Cohen e os músicos do Queen. O comediante sugeria um retrato sem restrições, já os parceiros do cantor desejavam um tom mais leve

O ator e diretor britânico Dexter Fletcher também teria sido confirmado para dirigir o longa. A trama do filme sobre Mercury vai ser escrita por Peter Morgan, indicado ao Oscar de melhor roteiro por The Queen (2006) e “Frost/Nixon” (2008).

Ainda segundo o jornal, o filme vai retratar a história do Queen, tendo como ponto alto o show no Live Aid, em 1985. Hits como “Bohemian rhapsody”, “We will rock you” e “Another one bites the dust” estarão na trilha.

Psicopata: todos nós conhecemos um

Seu comportamento se caracteriza por um forte disfarce de amizade e sociabilidade. Apesar dessa agradável aparência, ele oculta falta de confiabilidade, tendências impulsivas e profundo ressentimento e mau humor para com os membros de sua família e pessoas próximas.

Cinco milhões de brasileiros são incapazes de sentir emoções. Eles podem até matar sem culpa e estão incógnitos ao seu lado. Agora, a ciência começa a desvendá-los
Tinha alguma coisa errada com o Guilherme. Desde quando era pequeno, 4 anos de idade, a mãe, Norma*, achava que ele não era uma criança normal. O guri não tinha apego a nada, era frio, não obedecia a ninguém.

O problema ficou claro aos 9 anos. Guilherme, nome fictício de um rapaz do Guarujá, litoral de São Paulo, que hoje tem 28 anos, roubava os colegas da escola, os vizinhos e dinheiro em casa. Também passou a expressar uma enorme capacidade de fazer os outros acreditar no que inventava. Aos 18, o garoto conseguiu enganar uma construtora e comprar um apartamento fiado. Tinha alguma coisa errada com o Guilherme.

Em busca de uma solução, Norma passou 15 anos rodando com o filho entre psicólogos, psiquiatras, pediatras e até benzedeiros. Para todos, ele não passava de um garoto normal, com vontades e birras comuns. “Diziam que era mimo demais, que não soubemos impor limites.” Uma pista para o problema do filho só apareceu em 2004. A mãe leu uma entrevista sobre psicopatia e resolveu procurar psiquiatras especializados no assunto. Então descobriu que o filho sofre da mesma doença de alguns assassinos em série e também de certos políticos, líderes religiosos e executivos. “Dói saber que meu filho é um psicopata, mas pelo menos agora eu entendo que problema ele tem.”

Guilherme não é um assassino como o Maníaco do Parque ou o Chico Picadinho. Mas todos eles sofrem do mesmo problema: uma total ausência de compaixão, nenhuma culpa pelo que fazem ou medo de serem pegos, além de inteligência acima da média e habilidade para manipular quem está em volta. A gente costuma chamar pessoas assim de monstros, gênios. Mas para a Organização Mundial da Saúde (OMS), eles têm uma doença, ou melhor, deficiência. O nome mais conhecido é psicopatia, mas também se usam os termos sociopatia e transtorno de personalidade anti-social.

Entre os psiquiatras, há consenso quanto a estimativas surpreendentes sobre a psicopatia. “De 1% a 3% da população tem esse transtorno. Entre os presos, esse índice chega a 20%”, afirma a psiquiatra forense Hilda Morana. Isso significa que uma pessoa em cada 30 poderia ser diagnosticada como psicopata. E que haveria até 5 milhões de pessoas assim só no Brasil. Dessas, poucas seriam violentas.
A maioria não comete crimes, mas deixa as pessoas com quem convive desapontadas. “Eles andam pela sociedade como predadores sociais, rachando famílias, se aproveitando de pessoas vulneráveis e deixando carteiras vazias por onde passam”, diz o psicólogo canadense Robert Hare, professor da Universidade da Colúmbia Britânica e um dos maiores especialistas no assunto.

Os psicopatas que não são assassinos estão em escritórios por aí, muitas vezes ganhando uma promoção atrás da outra enquanto puxam o tapete de colegas. Também dá para encontrá-los de baciada entre políticos que desviam dinheiro de merenda para suas contas bancárias, entre médicos que deixam pacientes morrer por descaso, entre “amigos” que pegam dinheiro emprestado e nunca devolvem… Lendo esta reportagem, não se surpreenda se você achar que conhece algum. Certamente você já conheceu.

O francês Philip Pinel, um dos pais da psiquiatria, escreveu no século 18 sobre pessoas que sofriam uma “loucura sem delírio”. Mas o primeiro estudo para valer sobre psicopatia só viria em 1941, com o livro The Mask of Sanity (“A Máscara da Sanidade”, sem tradução para o português), do psiquiatra americano Hervey Cleckley. Ele dedica a obra a um problema “conhecido, mas ignorado” e cita casos de pacientes com charme acima da média, capacidade de convencer qualquer um e ausência de remorso. Com base nesses estudos, Robert Hare passou 30 anos reunindo características comuns de pessoas assim, até montar sua escala Hare, o método para reconhecer psicopatas mais usado hoje.

Seja como for, não é fácil identificar um. Psicopatas não têm crises como doentes mentais: o transtorno é constante ao longo da vida. Outras funções cerebrais, como a capacidade de raciocínio, não são afetadas. Algumas características, no entanto, são evidentes.

Segredos e mentiras
Atributo número 1: mentir. Todo mundo mente, mas psicopatas fazem isso o tempo todo, com todo mundo. Inclusive com eles mesmos. Eles são profissionais da lorota.

Ana*, há 9 anos conheceu um cara incrível. Ele dizia que, com apenas 27 anos, era diretor de uma grande companhia e que, por causa disso, viajava sempre para os EUA e para a Europa. Atencioso e encantador, Cláudio era o genro que toda sogra queria ter. “Em 5 meses, a gente estava quase(casando. Então a mãe dele revelou que era tudo mentira, que o filho era doente, enganava as pessoas desde criança e passava por um tratamento psiquiátrico.”

“O diagnóstico de transtorno anti-social depende de um exame detalhado. É que, além de mentir, ele mostra ausência de culpa”, afirma o psiquiatra Antônio de Pádua Serafim, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

E esse é um atributo-chave da mente de um psicopata: cabeça fresca. Nada deixa esses indivíduos com peso na consciência. Fazer coisas erradas, todo mundo faz. Mas o que diferencia o psicopata do “todo mundo” é que um erro não vai fazer com que ele sofra. Sempre vai ter uma desculpa:
Justamente por achar que não fazem nada de errado, eles repetem seus erros.

“Psicopatas reincidem 3 vezes mais que criminosos comuns”, afirma Hilda Morana, que traduziu e adaptou a escala Hare para o Brasil. “Tem mais: eles acham que são imunes a punições.” E isso vale em qualquer situação. Até na hora de jogar baralho. Psicopatas não aprendem com punições. Não adianta dar palmadas neles.

Além disso, psicopata que se preze se orgulha de suas mancadas. Esse sujeito pode ser o marido que trai a mulher e se gaba para os amigos. Ou coisa pior.

Eis mais um traço psicopático. “Eles tratam as pessoas como coisas”, afirma o psiquiatra Sérgio Paulo Rigonatti, do Instituto de Psiquiatria do HC. Isso acontece porque eles simplesmente não assimilam emoções.
Em 2001, o psiquiatra Antônio Serafim colocou presos de São Paulo para assistir a cenas reais horripilantes. Cada um ouvia, por um fone, sons desagradáveis, como gritos de desespero. “Os criminosos comuns tiveram reações físicas de medo”, diz ele. “Já os identificados como psicopatas não apresentaram sequer variação de batimento cardíaco.”

Mais: uma série de estudos do Instituto de Neurociência Cognitiva, nos EUA, mostrou que psicopatas têm dificuldade em nomear expressões de tristeza, medo e reprovação em imagens de rostos humanos. “Outros 3 estudos ligaram psicopatia com a falta de nojo e problemas em reconhecer qualquer tipo de emoção na voz das pessoas”, afirma Blair.

É simples: assim como daltônicos não conseguem ver cores, psicopatas são incapazes de enxergar emoções. Não as enxergam nem as sentem, pelo menos não do mesmo jeito que os outros fazem. Em vez disso, eles só teriam o que os psiquiatras chamam de proto-emoções – sensações de prazer, euforia e dor menos intensas que o normal. “Isso impede os psicopatas de se colocar no lugar dos outros”, diz Hilda Morana.

Esse jeito asséptico de ver o mundo faz com que um psicopata consiga mentir sem ficar nervoso, sacanear os outros sem sentir culpa e, em casos extremos, retalhar um corpo com o mesmo sangue-frio de quem separa as asinhas do peito de um frango assado.

Ok, o problema central dos psicopatas é que eles não conseguem sentir emoções. Mas por que isso acontece?
Para a neurologia os “circuitos” do cérebro de um psicopata são fisicamente diferentes dos de uma pessoa normal. Agora, resta saber se essas deficiências vêm escritas no DNA ou se surgem depois do nascimento.
Hoje, se sabe que boa parte da estrutura cerebral se forma durante a vida, sobretudo na infância. Mas cientistas buscam uma causa genética porque a psicopatia parece surgir independentemente do contexto ou da educação. “Nascem tantos psicopatas na Suécia ou na Finlândia quanto no Brasil”, afirma Hilda Morana. “Os pais costumam se perguntar onde foi que erraram.” A impressão é que psicopatas nasceram com o problema. “Eles também surgem em famílias equilibradas, são irmãos de pessoas normais e deixam seus pais perplexos”, afirma Oliveira-Souza.
James Blair vai pela mesma linha: “Estudos com pessoas da mesma famíla, gêmeos e filhos adotados indicam que o comportamento dos psicopatas e as disfunções emocionais são coisas hereditárias”, afirma.

Os que vêm de famílias equilibradas e viveram uma infância sem grandes dramas teriam uma probabilidade maior de se transformar naqueles que mentem, trapaceiam, roubam, mas não matam. Mais de 70% dos psicopatas diagnosticados são desse grupo, mas não há motivo para alívio. Psicopatas infiltrados na política, em igrejas ou em grandes empresas podem fazer estragos ainda piores.

Exemplos não faltam. O político absurdamente corrupto que é adorado por eleitores, cativa jornalistas durante entrevistas, não entra em contradição nem parece sentir culpa por ter recheado suas contas bancárias com dinheiro público é um. O líder religioso que enriquece à custa de doações dos fiéis é outro. E por aí vai.
“Eles costumam se dar bem em ambientes pouco estruturados e com pessoas vulneráveis. Agem como cartomantes, pais de santo, líderes messiânicos”, afirma Oliveira-Souza. Psicopatas não tão fanáticos, mas com a mesma falta de escrúpulos, também estão em grandes empresas, sugando dinheiro e tornando a vida dos colegas um inferno.

A habilidade para mentir despudoradamente sem levantar suspeitas faz com que eles se dêem bem já nas entrevistas de emprego. O charme que eles simulam ajuda a conquistar a confiança dos chefes e a pressionar para que colegas que atrapalham sua ascensão profissional acabem demitidos. Não raro, costumam ocupar os cargos hierárquicos mais altos.
Sociopatas corporativos são responsáveis por escândalos como o da Enron, em 2002, quando a empresa americana mentiu sobre seus lucros para bombar preços de ações.

O que fazer?
Seja nas empresas, nas ruas, nossos amigos com transtorno anti-social são tecnicamente incapazes de frear seus impulsos sacanas. Mas, para os psiquiatras, essa limitação não significa que eles não devam ser responsabilizados pelo que fazem. “Psicopatas têm plena consciência de que seus atos não são corretos”, afirma Hare. “Apenas não dão muita importância para isso.” Se cometem crimes, então, devem ir para a cadeia como os outros criminosos.

Só que até depois de presos psicopatas causam mais dores de cabeça que a média dos criminosos. Na cadeia, tendem a se transformar em líderes e agir no comando de rebeliões, por exemplo. “Mas nunca aparecem. Eles sabem como manter suas fichas limpas e acabam saindo da prisão mais cedo”, diz Antônio de Pádua Serafim.

Por conta disso, a psiquiatra forense Hilda Morana foi a Brasília em 2004 tentar convencer deputados a criar prisões especiais para psicopatas. Conseguiu fazer a idéia virar um projeto de lei, que não foi aprovado. Nas prisões brasileiras, não há procedimento de diagnóstico de psicopatia para os presos que pedem redução da pena. Tampouco há procedimentos para evitar que psicopatas entrem na polícia – uma instituição teoricamente tão atraente para eles quanto as grandes empresas. Também não há testes de psicopatia na hora de julgar se um preso pode partir para um regime semi-aberto. Nas escolas, professores não estão preparados para reconhecer jovens com o transtorno.
Também não existem tratamentos comprovados nem remédios que façam efeito. Outro problema: quando levados a consultórios, os psicopatas acabam ficando piores. Eles adquirem o vocabulário dos especialistas e se munem de desculpas para justificar seu comportamento quando for necessário. Diante da falta de perspectiva de cura, quem convive com psicopatas no dia-a-dia opta por vigiá-los o máximo possível.

Charme
Tem facilidade em lidar com as palavras e convencer pessoas vulneráveis. Por isso, torna-se líder com freqüência. Seja na cadeia, seja em multinacionais.
Inteligência
O QI costuma ser maior que o da média: alguns conseguem se passar por médico ou advogado sem nunca ter acabado o colegial.
Ausência de culpa
Não se arrepende nem têm dor na consciência. É mestre em botar a culpa nos outros por qualquer coisa. Tem certeza de que nunca erra.
Espírito sonhador
Vive com a cabeça nas nuvens. Mesmo se a situação do sujeito estiver miserável, ele só fala sobre as glórias que o futuro lhe reserva.
Habilidade para mentir
Não vê diferença entre sinceridade e falsidade. É capaz de contar qualquer lorota como se fosse a verdade mais cristalina.
Egoísmo
Faz suas próprias leis. Não entende o que significa “bem comum”. Se estiver tudo ok para ele, não interessa como está o resto do mundo.
Frieza
Não reage ao ver alguém chorando e termina relacionamentos sem dar explicação. Sabe o cara que “foi comprar cigarro e nunca mais voltou?” Então.
Parasitismo
Quando consegue a confiança de alguém, suga até a medula.

Fonte:
The Psychopath – James Blair e outros, Blackwell, EUA, 2006
Without Conscience – Robert Hare, Guilford, EUA,1993
The Sociopath Next Door – Martha Stout, Broadway, EUA, 2005

#Saúde Diabetes e Alzheimer são iguais?

ImagemUm dos grandes desafios evolucionários foi conseguir aumentar a quantidade de açúcar no sangue para satisfazer a necessidade de energia do cérebro. Agora, com a exagerada oferta de alimentos hipercalóricos, isso virou um problema. Um estudo da Universidade de Nova York em Albany sugere que a causa mais comum de perda da memória, a doença de Alzheimer, seja talvez uma forma de diabetes no cérebro.

O diabetes é a doença do metabolismo mais comum entre os humanos. Existem dois tipos: o tipo 1, quando a produção de insulina pelo pâncreas é pouca, e o tipo 2, quando a insulina não consegue abrir facilmente os canais nas paredes das células do corpo, para permitir a entrada de açúcar para dentro delas. E o que ocorre é uma produção aumentada da insulina pelo pâncreas, mas mesmo assim o nível de açúcar no sangue é alto e ele é depositado em locais onde não deveria estar, como na parede das artérias, por exemplo.

A causa mais comum de diabetes tipo 2 é a obesidade, pois as células de acúmulo de gordura naturalmente têm maior resistência à insulina. O diabetes tipo 2 atinge hoje quase 400 milhões de pessoas no mundo.

Baseado em estudos
 anteriores que demonstraram que pacientes diabéticos acumulam em seus neurônios os mesmos novelos de uma proteína chamada beta-amiloide, que existe na doença de Alzheimer e prejudica o funcionamento dos neurônios responsáveis pela memória, o pesquisador Ewan McNay apresentou um estudo no encontro da Sociedade para Neurociências, em San Diego, em novembro, em que associou ainda mais o diabetes tipo 2 à doença de Alzheimer.

McNay e colaboradores simularam o aparecimento de diabetes em 20 ratos, ofertando-lhes uma dieta rica em calorias e gordura, tornando-os obesos e diabéticos. Alimentou outros 20 ratos com uma dieta saudável, depois treinou os dois grupos a associarem uma gaiola escura.

Quando os ratos eram colocados em uma gaiola escura, ficavam parados em pânico, sem se moverem por algum instante, esse momento foi a medida utilizada para definir o tempo que os ratos continuavam se lembrando de que poderiam tomar choques naquela gaiola escura. Quando os ratos que se tornaram diabéticos eram colocados na gaiola, eles ficavam parados por apenas metade do tempo do que os ratos normais. Isso foi interpretado como esquecimento.

Para saber se a perda de memória estava relacionada aos novelos de substância beta-amiloide, os pesquisadores aplicaram nos ratos diabéticos uma vacina que desfaz os novelos, mas nada aconteceu, então injetaram outra vacina que desfaz os oligômeros, que são acúmulos menores e solúveis de beta-amiloide, que quando se juntam formam os novelos e, aí sim, os ratos voltaram a se comportar como os que receberam a dieta saudável. Com esses resultados os pesquisadores entenderam que não são os novelos de substância beta-amiloide que provocam a perda de memória, mas o acúmulo dos oligômeros.

Outros estudos já demonstraram que as mesmas enzimas que destroem esses oligômeros também estão encarregadas de destruir a insulina que chega ao sistema nervoso. Quando existe uma sobrecarga de insulina nas células cerebrais, as enzimas ficam tão atarefadas em destruir a insulina que os oligômeros acabam se acumulando dentro da célula. Esses oligômeros, por sua vez, dificultam a ação da insulina, pois bloqueiam seu receptor, o local onde a insulina gruda na parede da célula para permitir a entrada de açúcar dentro dela. Esse bloqueio dificulta a entrada de açúcar, o pâncreas entende que precisa produzir mais insulina para o sistema funcionar, e aí  inicia-se um círculo vicioso, mais insulina, mais oligômero, mais resistência à insulina, o pâncreas produz então mais insulina, e está feito o estrago.

por Rogério Tuma/CartaCapital Ilustração: Claudia Kievel

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