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Fecundidade no Brasil cai abaixo de dois filhos por casal

O processo de envelhecimento de uma população depende basicamente do declínio da taxa de fecundidade, saneamento básico, acesso à vacinas e medicamentos e nível de urbanização. Enquanto na década de 1940 a taxa de crianças por casal era de 6,1, em 2010 ela chegou a 1,9, índice considerado abaixo do número de reposição da população. Os Estados do Norte e Nordeste apresentam taxas um pouco superiores. O Sul é a região com índice de 1,7 filhos por casal, o menor do Brasil.

“Em 40 anos, conseguimos fazer com a fecundidade o que a Europa levou séculos. Hoje, não vemos tantas crianças como antigamente. Estamos parando de crescer, e rápido”, disse a professora e demógrafa Carmen Siqueira Ribeiro dos Santos, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, nesta segunda-feira (18), no auditório da FCM.

Carmen foi a primeira palestrante do Fórum Permanente “Síndrome da Fragilidade na Velhice”. O objetivo deste fórum, segundo os professores André Fatorri e Maria Elena Guariento, professores da área de gerontologia do Departamento de Clínica Médica, é conhecer os aspectos fisiopatológicos da síndrome da fragilidade na velhice e suas relações, para se refletir sobre a construção de um modelo ideal de intervenção que contemple o idoso de forma integral e suas dimensões biopsicossociais.

“Este evento adquire relevância cada vez maior quando observamos o envelhecimento da população. Vamos abordar este tema de forma multiprofissional e interdisciplinar para melhorar a qualidade da assistência à população idosa, bem como avançar nas pesquisas a respeito do tema, particularmente num momento em que a Unicamp sediará um dos Centros de Referência ao Idoso (CRI) do Estado de São Paulo”, comentou Maria Elena.

Fragilidade é um termo utilizado como referência à condição clínica não ótima de saúde no idoso. É classificada também como síndrome clínica, tendo como característica principal a vulnerabilidade biológica com diminuição das reservas fisiológicas de múltiplos sistemas e redução na capacidade de manutenção do equilibro do organismo, o que leva a eventos adversos, como quedas, institucionalização e morte. A fragilidade deve ser diferenciada do envelhecimento, considerando-se que ela pode ser prevenida e, possivelmente, revertida.

“Longevidade, para demografia, diz respeito ao número de anos vivido por um individuou ou geração num determinado período. Envelhecimento diz respeito a uma mudança no perfil dessa distribuição, ou seja, quanto pesa o número de jovens e velhos nessa população”, explica Carmen Siqueira.

A assessora da Coordenadoria Geral da Unicamp e coordenadora dos Fóruns Permanentes Carmen Zink Bolonhini disse que um dos reflexos sociais de que a população brasileira está envelhecendo é o crescente número de propagandas a produtos destinados aos idosos. “Se por um lado isto é um feliz reconhecimento do potencial dos idosos, por outro traz desafios que este Fórum ajudará a esclarecer”, comentou Carmen Zink.

Texto : Edimilson Montalti – ARP-FCM/Unicamp

Pesquisas confirmam que Einstein estava certo

Neutrinos não são mais rápidos que a luz. Esta confirmação descarta definitivamente os resultados anunciados em setembro do ano passado e que surpreenderam o mundo.

Genebra – O Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN) confirmou nesta sexta-feira que as partículas elementares chamadas “neutrinos” não se deslocam mais rápido do que a luz.Os cientistas reconhecem que não têm condições de questionar a teoria da relatividade de Einstein.

“Os neutrinos enviados do laboratório de Gran Sasso (Itália) respeitam o limite de velocidade cósmica”, afirmou o diretor de pesquisa do CERN, Sergio Bertolucci, na Conferência Internacional sobre Física e Astrofísica dos Neutrinos em Kyoto, informou a entidade em nota oficial.

Esta confirmação descarta definitivamente os resultados anunciados em setembro do ano passado e que surpreenderam o mundo. Na ocasião, foi divulgado que os neutrinos enviados do laboratório subterrâneo do CERN em Genebra ao de Gran Sasso levaram 60 nanossegundos a menos do que a luz para percorrer a distância de 732 quilômetros.

SAÚDE: 19 tipos de câncer podem estar relacionados ao trabalho, diz Inca

Casos mais comuns são leucemia, câncer de pulmão, no nariz, de pele, na bexiga, na pleura e na laringe

Um levantamento divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) identificou 19 tipos de câncer que podem estar relacionados ao trabalho. Além dos vilões já conhecidos como amianto, radiação solar e agrotóxicos, o estudo inclui 112 substâncias cancerígenas identificadas no ambiente profissional, como poeiras de cereal e de madeira. O estudo mostra também que os casos mais comuns da doença são leucemia, câncer de pulmão, no nariz, de pele, na bexiga, na pleura e na laringe.

Cabeleireiros e funcionários de salões de beleza estão entre as ocupações com alto risco de desenvolvimento de câncer, devido ao contato direto com tinturas, formol e outras químicas. De acordo com a coordenadora do estudo, Ubirani Otero, o documento serve como alerta para a população, sobretudo, os trabalhadores e para as autoridades, que devem reavaliar as políticas públicas hoje existentes. Ela explicou que a relação “câncer e trabalho” no Brasil está subdimensionada, o que prejudica o plano de ação de enfrentamento. “É importante que o médico pergunte sobre o tipo de ocupação do paciente com câncer e que as pessoas prestem mais atenção a que tipo de substâncias estão expostos no seu dia a dia e que informem aos seus médicos sobre isso”, ponderou.

De acordo com o estudo, cerca de 46% dos casos de câncer relacionados ao trabalho não são notificados por falta de mais informação a respeito. Dos 113,8 mil benefícios de auxílio-doença nessa situação, dados pela Previdência Social, apenas 0,66% estavam registrados como tendo relação ocupacional.

Em países com mais pesquisas sobre o tema e políticas públicas voltadas para a doença relacionada ao trabalho, como Espanha e Itália, casos de câncer ocupacional variam entre 4% e 6% do total e na maioria das estimativas dos países industrializados esse tipo de tumor corresponde a uma média de 5% das ocorrências.

Ainda segundo a pesquisadora, a crescente inserção de mulheres em certos setores do mercado, antes exclusivos dos homens, apontam para a necessidade de novas políticas voltadas para a saúde feminina. “Hoje há muitas mulheres trabalhando em postos de gasolina, com maior exposição ao benzeno; na construção civil, trabalhando com telhas de amianto, cimento; como mecânicas, ou seja, em várias novas situações de risco”.

Para o diretor do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, Guilherme Franco Netto, a publicação é inédita e mostra o tamanho do desafio para os trabalhadores, gestores do Sistema Único de Saúde (SUS), do Ministério do Trabalho e da Previdência no diagnóstico, prevenção, assistência e vigilância nessa área. “Esse documento permite que organizemos integradamente (governos e órgãos de saúde) os conjuntos de ações para combater o câncer relacionado ao ambiente de trabalho. Hoje, as medidas são muito pontuais. Além de nos dar suporte técnico, mostra uma dívida (do Estado) com a sociedade, que deve ser prontamente sanada”.

Guilherme Netto lembrou ainda que após o boom industrial da década de 70, somente agora casos de câncer, antes incomuns, estão aparecendo e que é fundamental diagnosticá-los, notificar e prevenir para que novas ocorrências não surjam.

Ainda segundo ele, os sindicatos têm um papel vital principalmente no processo de prevenção. “Ninguém do mercado vai apresentar uma lista dos problemas que um empregado pode ter em função de determinado trabalho. O papel do sindicato, por exemplo, é muito importante nesse sentido para alertar os trabalhadores sobre essas substâncias”, completou Netto.

ECOLOGIA: postes que não agridem o ambiente e reduzem custo de obras

Uma inovação tecnológica, com alto impacto no meio ambiente, está chegando nas redes de substransmissão de energia elétrica da AES Sul. Depois de testar em alguns pontos da rede elétrica, a empresa deu início à utilização de postes de PRFV – Poliéster Reforçado com Fibra de Vidro, conhecidos como “postes de fibra de vidro”. Esses postes são usados nas redes de distribuição em várias partes do Brasil.
Os postes de fibra são altamente positivos para o meio ambiente. Entre os principais benefícios estão a imunidade a danos causados por animais, fungos, insetos (cupins), pássaros (pica-paus), umidade e corrosão. Os postes não são condutores de energia, aumentando a segurança dos profissionais que trabalham na rede e da comunidade; não propagam chamas, em caso de algum acidente; são mais leves, gerando economia de transporte; reduzem o impacto ambiental se comparados às estruturas metálicas das linhas de transmissão, pois não utilizam processo de galvanização; dispensam o uso de cimento, areia e ferro se comparados à implantação de postes de concreto ou que exigem base de concreto; e tem uma estética mais interessante do que os outros modelos.
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A AES Sul está priorizando a utilização dos postes de fibra nas linhas de transmissão, enquanto nas redes de distribuição o padrão segue sendo a troca do poste de madeira por postes de concreto. Outros benefícios – Além de redução de danos ambientais, os postes de fibra geram economia e agilidade nas obras. O uso desses postes no lugar de estruturas metálicas para a construção da linha Maçambará x Alegrete 5, de 55km, tem-se a seguinte situação: Redução de 37,% no tempo de execução da obra. Redução de 25% no custo total da obra. Eliminação do uso 1.420m³ de concreto. Eliminação do uso de 36 toneladas de aço. Redução considerável de escavação, uma vez que o poste é colocado diretamente no solo, sem a necessidade de fundações especiais em concreto.
A obra, que custaria inicialmente R$ 12,5 milhões, deverá ser feita com R$ 9,3 milhões.

Novos estudos alertam para os riscos do uso do celular por crianças

PETER MOON/revista Época

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou, em maio do ano passado, o maior estudo sobre os efeitos da radiação dos celulares no organismo. Foram pesquisadas 10.751 pessoas de 30 a 59 anos em 13 países. Concluiu-se que o uso de celulares por até dez anos não aumenta o risco de tumor cerebral. “Há muitas formas de cozinhar os dados de uma pesquisa e invalidá-los”, diz a americana Devra Davis. No livro Disconnect, a ser lançado nesta semana nos Estados Unidos, Davis destaca pesquisas que afirmam provar o risco dos celulares. A agência americana de telecomunicações (FCC) estabelece um limite máximo de absorção dessa radiação. Davis diz que o limite é furado. Nas crianças de 10 anos, a absorção é 60% maior que nos adultos, de acordo com uma pesquisa do brasileiro Álvaro Salles citada por Davis.

 

Paula Beezhold QUEM É 
Devra Davis, de 64 anos, é doutora em sociologia e saúde pública

O QUE FEZ 
Lecionou epidemiologia na Universidade de Pittsburgh. Foi assessora de epidemiologia no governo Clinton. Tem mais de 190 trabalhos científicos publicados

O QUE FAZ 
Fundou e dirige a Environmental Health Trust, uma ONG dedicada à produção e ao uso de celulares seguros

 

ÉPOCA – A senhora usa celular?
Devra Davis –
 É claro!

ÉPOCA – Mas a senhora afirma que o celular pode fazer mal à saúde?
Davis – 
É por isso que eu uso fones de ouvido com ou sem fio. Nunca colo o celular ao ouvido. Sempre o mantenho a alguns centímetros de distância de minha cabeça. Nunca o carrego no bolso. Quando não estou falando ao celular, ele fica na bolsa ou sobre a mesa.

ÉPOCA – Mas os fones de ouvido não são práticos para falar na rua.
Davis – 
Também não é prático expor o cérebro desnecessariamente às micro-ondas emitidas pelos celulares. Essa medida, aliás, é uma exigência do FCC, a agência americana de telecomunicações, e recomendada por todos os fabricantes de celulares. Mas, convenientemente, a recomendação não vem escrita no manual do produto. É preciso baixar o guia de informações de segurança do site de cada fabricante para saber que eles próprios recomendam que ninguém cole o celular ao ouvido. No Guia de informações importantes do produto do iPhone 4, da Apple, lê-se que “ao usar o iPhone perto de seu corpo para chamadas ou transmissão de dados (…), mantenha-o ao menos 15 milímetros afastado do corpo, e somente use porta-celulares e prendedores de cinto que não tenham partes de metal e mantenham ao menos 15 milímetros de separação entre o iPhone e o corpo”.

ÉPOCA – Essa restrição é só para o iPhone?
Davis – 
Não. No caso do Nokia E71, a restrição é de 22 milímetros. No BlackBerry é maior: 25 milímetros.

ÉPOCA – Por quê?
Davis – 
Celulares são aparelhos que emitem e captam ondas de rádio. Há muitas formas de ondas. As de maior potência são os raios X. Eles podem danificar o DNA das células de qualquer ser vivo, com efeitos sabidamente cancerígenos. A potência da radiação das micro-ondas de um celular é muito menor que a radiação de uma máquina de raio X. O problema dos celulares reside em sua exposição prolongada ao corpo humano, especialmente sobre os neurônios cerebrais. Quantos minutos ao dia falamos ao celular, 365 dias por ano, por anos a fio? O poder cumulativo dessa radiação pode alterar uma célula e torná-la cancerígena.

ÉPOCA – Mas as pesquisas nunca provaram que usar celular pode provocar câncer.
Davis – 
Quem foi que disse isso a você, a indústria de telecomunicações? Em meu livro, faço um levantamento de dezenas de estudos científicos feitos com rigor em todo o mundo, que provam sem sombra de dúvida o perigo do uso de celulares. Um dos autores, aliás, é brasileiro: o professor Álvaro Augusto Almeida de Salles, da Faculdade de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Fui a Porto Alegre conhecê-lo. Salles é um dos maiores especialistas mundiais no tema.

 

Eu uso fones de ouvido. nunca colo o celular ao ouvido. sempre o mantenho longe da cabeça. e nunca o carrego no bolso, só dentro da bolsa

 

ÉPOCA – Qual foi a conclusão de Salles?
Davis – 
O FCC estabelece um limite máximo de absorção pelo corpo humano de radiação de celulares. Todos os fabricantes devem fazer aparelhos para operar dentro do limite de 1,6 watt por quilo de tecido humano. Salles provou que o limite do FCC só é seguro para os adultos. Ao simular a absorção de radiação celular por crianças de até 10 anos, descobriu valores de absorção 60% mais elevados que nos adultos. O recado é claro. Não deixe o celular ao alcance das crianças. Não deixe seus filhos menores de 10 anos usar celular.

ÉPOCA – Como o FCC chegou a esse limite máximo de absorção?
Davis – 
O limite foi estabelecido no início dos anos 1990, quando os celulares começavam a se popularizar. Foi estabelecido tomando por base uma pessoa de 1,70 metro de altura e uma cabeça com peso aproximado de 4 quilos. Vinte anos depois, o limite é irrelevante. Mais de 4,6 bilhões de pessoas no mundo usam celular. Boa parte são crianças, adolescentes e mulheres. E todos estão expostos a níveis de radiação superiores ao permitido. Quais serão as consequências em termos de saúde pública da exposição lenta, gradual e maciça de tantas pessoas à radiação celular, digamos, daqui dez ou 15 anos? O tumor cerebral se tornará epidêmico?
ÉPOCA – Por que o FCC e a OMS então não alteram aquele limite?
Davis – 
Tenho documentos para provar que existe um esforço sistemático e concentrado da indústria de telecomunicações para desacreditar ou suprimir pesquisas cujos resultados não lhe favorecem, como a do professor Salles provando o risco dos celulares para as crianças. Quando um estudo assim é publicado, a indústria patrocina outros estudos para desmenti-lo. Não há dúvida de que a maioria dos estudos publicados sobre a radiação de radiofrequência e o cérebro não mostra nenhum impacto. A maioria das evidências mostra que a radiação dos celulares tem pequeno impacto biológico. Mas há diversas formas de cozinhar os dados de uma pesquisa para invalidá-los ou evitar que se chegue ao resultado desejado.

ÉPOCA – Se a senhora estiver correta, o que deverá ser feito para mudar isso?
Davis – 
A indústria de telecomunicações é uma das poucas que continuam crescendo no momento atual. Ela paga muitos impostos e gasta muito em publicidade. Usa as mesmas táticas dos fabricantes de cigarros e bebidas. A indústria de telecomunicações é grande, poderosa e rentável. Contra isso, a única arma possível é a informação. É o que estou fazendo com meu livro. Abandonei uma carreira acadêmica consagrada de 30 anos porque é hora de impedir que, no futuro, o mau uso do celular cause um mal maior. Os especialistas que me ajudaram na coleta de dados, muitos secretos, nunca revelados, o fizeram porque são pais e avós que querem o melhor para seus filhos e netos.

ÉPOCA – Há vários vídeos no YouTube que mostram como fazer pipoca com celulares. Põe-se um milho na mesa cercado por quatro celulares. Quando os aparelhos tocam, salta uma pipoca. É possível?
Davis – 
Não. Os vídeos são falsos. A potência de um forno de micro-ondas é milhares de vezes superior à de um celular. Os vídeos foram criados para brincar com um assunto muito sério.

ÉPOCA – As pessoas amam os celulares. Como convencê-las a usar fones de ouvido?
Davis –
 Com informação e educação.

Folha de maconha gera polêmica em novo comercial do Itaú

Para promover o uso consciente do papel, o Banco Itaú criou uma nova campanha para 2012 chamada “Sem Papel”. A empresa fez uma adaptação de um vídeo que já circulava na internet, no qual um bebê ri incontrolavelmente quando uma pessoa rasga papel.

Para personalizar o comercial, o Itaú alterou a cor do macacão da criança, mudando-o para o laranja, e trocou a cor de uma toalha que se encontra no sofá do lado para o azul. No entanto, o banco deixou escapar um pequeno detalhe que virou tópico de discussão no Twitter, uma almofada com uma estampa que lembra uma folha de maconha.

Não se sabe ainda se houve gafe ou não, mas a estampa não pode ter passado despercebido já que alteraram a cor da toalha que se encontra em cima.

 

Mais antigo carnívoro já encontrado é gaúcho

Animal viveu há mais de 260 milhões de anos no pampa gaúcho Crédito: Vinicius Roratto
Animal viveu há mais de 260 milhões de anos no pampa gaúcho
Crédito: Vinicius Roratto

Uma equipe de paleontólogos apresentou na manhã desta terça-feira, no Museu de Paleontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), uma das maiores descobertas dos últimos anos. Envolto por um tecido e recoberto de cuidados, o crânio de um predador que viveu há mais de 260 milhões de anos no pampa gaúcho, no Período Permiano, o último da Era Paleozoica, foi mostrado por profissionais do Brasil, da Turquia e da África do Sul.

A caixa óssea, com pouco mais de 35 cm com a coloração de uma rocha azul escura, é de um dinocefálio, uma espécie que antecede os mamíferos e os dinossauros, apresentado como o mais antigo carnívoro terrestre encontrado na América do Sul. A nova espécie foi denominada como “Pampaphoneus biccai”.

O nome do gênero significa em grego “matador dos pampas” e o da espécie (biccai) é uma homenagem a José Bicca, o proprietário da fazenda onde ele foi encontrado. A descoberta será publicada na próxima semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), considerada uma das mais importantes na área.

A partir de agora, a peça poderá ser vista no Museu, onde irá integrar o acervo junto com outros fósseis encontrados no Estado. Segundo o professor Juan Carlos Cisneros, um dos responsáveis pelo estudo, a confirmação de que seria uma nova espécie ocorreu quando houve uma série de comparações com as informações internacionais sobre o dinocefálio. Assim, se constatou que ele era diferente de todos os outros já identificados.

“Pelas características, ele é muito próximo à espécie que foi encontrada na Rússia. Mas não são iguais, o que consolidou o descobrimento de uma espécie”. Ele lembrou que o fóssil foi encontrado durante uma ação de busca em 2008, em uma fazenda na região dos pampas do Rio Grande do Sul. O local foi indicado como um bom local para haver as investigações por imagens obtidas por satélite.

Durante as atividades de campo, a peça foi encontrada, assim como outros itens significativos. Ele antecipou que a expectativa é ampliar as investigações nesta região do Estado, que é a centro sul. “Essa localidade nunca foi muito explorada. Ocorreram algumas buscas na década de 70 e depois foram suspensas. Por isso, acreditamos que será possível encontrar outros itens”, afirmou ele.

 

Correio do Povo

Juan o Primeiro Bebê do Mundo a Nascer a Partir de uma Incubadora de embriões

Juan o Primeiro Bebê do Mundo a Nascer a Partir de uma Incubadora de embriões

Juan, um bebê de cinco meses, se tornou o primeiro concebido no mundo com a ajuda de um novo método de seleção de embriões, o “Embryoscope ‘, que aumentou em 20% as chances de sucesso da FIV (FIV) e diminuiu o risco de gravidez múltipla e aborto.

O Embryoscope permite observar o pequeno embrião em tempo integral, Juan nasceu em 04 de junho Hospital Obispo Polanco de Teruel, foi exibido na quarta-feira por seus pais, Ana e David, em conferência de imprensa quem também participuo foi o presidente e fundador do Instituto Valencia Infertilidade (IVI), Remohi José, ginecologista Carmina Vidal e biólogo Marcos Meseguer.

O Embryoscope é uma incubadora de embriões avançados que permite ver o embrião a cada segundo, desde o momento da fertilização em tele-transferência do útero da mãe, permitindo uma melhoria substancial nos resultados da implantação do embrião e, portanto, um maior número de gestações com sucesso.

Com essa técnica, muitas mulheres serão capazes de realizar seus sonhos de mãe, Ana, 31, explicou, visivelmente comovida, o “longo processo” que levou ao nascimento de Juan, e indicou que a criança é muito alegre, simpática e muito carinhosa.

Estou orgulhosa que meu bebê é o primeiro no mundo a ter nascido com esse método, mas utilizando essa técnica, muitas mulheres serão capazes de realizar seus sonhos, disse Anne, enquanto o pai do bebê, Davi 30 anos, tem se mostrado uma criança.

Cientistas anunciam descoberta de sistema que mantém vivas células cancerígenas

Pesquisadores americanos anunciaram nesta segunda-feira que descobriram como manter células cancerígenas vivas em laboratório, uma notícia que gera expectativas entre os cientistas acerca de uma possível descoberta que possa transformar o tratamento do câncer.

Até o momento, a comunidade científica era incapaz de fazer com que as células cancerígenas se desenvolvessem por muito tempo em condições semelhantes ao corpo humano. Os cientistas utilizavam tecidos de biópsia congelados para fazer o diagnóstico e recomendar um tratamento.

O avanço aumenta a esperança de que algum dia os cientistas consigam experimentar remédios em laboratório para matar o câncer nas células cancerígenas de uma pessoa, antes de oferecer ao paciente uma terapia mais adequada.

“Isso será o máximo para a medicina personalizada”, afirma o principal autor da pesquisa, Richard Schlegel, presidente do departamento de patologia do Georgetown Lombardi Comprehensive Cancer Center.

“Os tratamentos serão específicos para seus tecidos. Obteríamos tecido normal e cancerígeno de um paciente em particular e selecionaríamos a terapia específica”, afirmou Schlegel à AFP.

“Estamos realmente emocionados com as possibilidades do que possamos fazer com isto”, acrescentou.

O método, descrito na edição on-line da revista científica American Journal of Pathology, parte de um simples método utilizado na pesquisa com células-tronco, disseram os especialistas.

Utilizando esta técnica, que combina células alimentadoras de fibroblasto para manter o tumor vivo e inibidores Rho-quinasa (ROCK) para permitir que se reproduzam, mantiveram-se vivos diversos tipos de cânceres de pulmão, mama, próstata e cólon por um período de dois anos.

Quando tratadas com ambos, tanto as células normais quanto as células cancerígenas voltaram a um estado de “células-tronco”, disse Shlegel. Isso permitiu aos pesquisadores comparar diretamente as células vivas, pela primeira vez.

Os dois elementos haviam sido previamente separados em pesquisas com células-tronco, de acordo com David Rimm, professor de patologia da Universidade de Yale, que escreveu um comentário que acompanha o artigo.

Rimm alertou que é necessário demonstrar o processo para que outros laboratórios possam reproduzir os resultados e que as tentativas de usar diferentes terapias que matam as células cancerosas deixaram de ser “apenas especulação”.

Se outros cientistas puderem reproduzir as experiências – já existem três laboratórios nos Estados Unidos que trabalham com isso -, o avanço poderá ser o prenúncio de uma transformação há muito esperada na maneira como as células cancerígenas são estudadas.

O estudo foi publicado depois de dois anos de pesquisa em colaboração com cientistas dos NIH (Institutos Nacionais de Saúde) e foi financiado pelo NIH, o departamento de Defesa, a Universidade de Georgetown e o Instituto Nacional do Câncer.

“Um tumor de um paciente é diferente do câncer de outro paciente e esta é uma razão importante falada por tantos ensaios clínicos”, informou Marc Symons, cientista no centro da Oncologia e de Biologia das Células no Instituto Feinstein de Investigação Médica de Manhasset, em Nova York.

“Acredito que é justo dizer que revoluciona a forma como pensamos os tratamentos de câncer”, acrescentou Symons, que não participou da pesquisa.

O câncer é a principal causa de morte no mundo e responsável pelo falecimento de 7,6 milhões de pessoas em 2008, segundo os últimos dados da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Polêmica: esqueça (quase) tudo que você sabe sobre antioxidantes

Estresse oxidativo

O chamado “estresse oxidativo” tem sido apontado em inúmeras pesquisas como o vilão de inúmeros processos danosos à saúde.

Entre eles estão a calcificação arterial, o câncer e doenças degenerativas, como Parkinson e Alzheimer.

O próprio processo de envelhecimento tem sido creditado ao estresse oxidativo, que ocorre quando há nos tecidos um excesso das chamadas espécies reativas de oxigênio (ou ROS, do inglês Reactive Oxygen Species).

Esses compostos são oxidantes – é daí que se tem dado tanta importância aos antioxidantges, que combateriam processos patogênicos ou o envelhecimento, embora haja muita controvérsia na área:

Sem fundamentação adequada

No entanto, esses estudos, que fundamentaram esse “saber corrente” sobre oxidantes e antioxidantes, não eram assim tão bem fundamentados.

“Até agora, ninguém tinha sido capaz de observar diretamente alterações nas espécies reativas de oxigênio em um organismo vivo e menos ainda como eles se conectam com os processos das doenças,” afirmou o Dr. Tobias Dick, do renomado Centro de Pesquisas do Câncer da Alemanha (DKFZ).

“Havia apenas alguns métodos indiretos ou muito pouco específicos de detectar quais processos oxidativos estão realmente acontecendo em um organismo,” desmistifica ele.

Na verdade, praticamente todos esses estudos eram feitos em células, ou em amostras de tecidos, mas nunca em um animal vivo.

Oxidantes não estão relacionados com envelhecimento

Foi por isto que o estudo da equipe alemã atraiu tanta atenção ao ser divulgado na semana passada.

Eles finalmente conseguiram observar os processos que envolvem as espécies reativas de oxigênio em um animal vivo.

E os resultados desta primeira análise mostram que esses oxidantes não tão ruins, ou tão nocivos ao organismo, quanto se imaginava.

O mais impactante é que os pesquisadores não observaram nenhuma associação entre o envelhecimento e um aumento geral nos oxidantes no organismo:

“O grupo não encontrou nenhuma evidência suportando a tão falada hipótese de que o tempo de vida de um organismo é limitado pela produção de oxidantes danosos,” afirma o instituto alemão em comunicado.

O único aumento nas espécies reativas de oxigênio com alguma relação com o envelhecimento foi localizado no tecido intestinal.

Mas mesmo aí, animais que viveram mais tiveram um incremento nos oxidantes ainda mais acelerado do que nos animais que viveram menos – ou seja, a associação foi positiva, e não negativa.

Produção de oxidantes varia pelo corpo

“Muitas coisas que observamos nos animais com a ajuda dos biossensores foram surpresas para nós. Parece que muitas conclusões obtidas [em estudos] com células isoladas simplesmente não podem ser transferidas para um organismo vivo completo,” resume o Dr. Tobias Dick.

Os biossensores são genes que os cientistas introduziram no material genético de moscas da fruta, o modelo animal preferido nestas pesquisas.

Esses biossensores são específicos para vários oxidantes e indicam o status do estresse oxidativo de cada célula emitindo um sinal luminoso, em tempo real, e ao longo de toda a vida da cobaia.

Isto permitiu que os cientistas demonstrassem que os oxidantes não são produzidos igualmente por todo o corpo, mas variam largamente de órgão para órgão.

Por exemplo, as células sanguíneas produzem muito mais oxidantes em seus geradores de energia, as mitocôndrias, do que as células musculares ou intestinais.

Além disso, o comportamento da larva se reflete na produção das espécies reativas de oxigênio em tecidos individuais: os pesquisadores foram capazes de distinguir se a larva estava se alimentando ou se estava se movendo usando a energia acumulada em suas células de gordura – ou seja, pelo estresse oxidativo dessas células.

“Antioxidante” mais famoso não reduz oxidantes

Para tirar qualquer dúvida, os cientistas alimentaram os animais com N-acetil-cisteína (NAC), uma substância que se acredita ter um efeito antioxidante e que muitos cientistas defendem como sendo um protetor contra todos os efeitos danosos atribuídos aos oxidantes.

Novamente o efeito surpreendeu, saindo exatamente ao contrário do que tanto se fala – não foi apenas que os cientistas não encontraram nenhuma evidência de redução nos oxidantes em razão da ingestão da NAC; mas, ao contrário, a ingestão do antioxidante causou uma elevação dos oxidantes em vários tecidos dos animais.

“O exemplo do NAC também demonstra que atualmente nós ainda não somos capazes de influenciar de forma previsível os processos oxidativos em um organismo vivo por meio de fármacos,” afirmou o Dr. Dick.

Mas, se passar do estudo de uma célula para o estudo de um animal vivo, durante todo o seu tempo de vida, já foi um grande avanço, ainda falta muito para compreender o papel dos oxidantes e anti-oxidantes no corpo humano.

“É claro, nós não podemos simplesmente transferir essas descobertas das moscas da fruta para o homem. Nosso próximo objetivo é usar os biossensores para observar o estresse oxidativo em mamíferos, especialmente em reações inflamatórias e no desenvolvimento de tumores,” concluiu o cientista.

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