Fecundidade no Brasil cai abaixo de dois filhos por casal


O processo de envelhecimento de uma população depende basicamente do declínio da taxa de fecundidade, saneamento básico, acesso à vacinas e medicamentos e nível de urbanização. Enquanto na década de 1940 a taxa de crianças por casal era de 6,1, em 2010 ela chegou a 1,9, índice considerado abaixo do número de reposição da população. Os Estados do Norte e Nordeste apresentam taxas um pouco superiores. O Sul é a região com índice de 1,7 filhos por casal, o menor do Brasil.

“Em 40 anos, conseguimos fazer com a fecundidade o que a Europa levou séculos. Hoje, não vemos tantas crianças como antigamente. Estamos parando de crescer, e rápido”, disse a professora e demógrafa Carmen Siqueira Ribeiro dos Santos, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, nesta segunda-feira (18), no auditório da FCM.

Carmen foi a primeira palestrante do Fórum Permanente “Síndrome da Fragilidade na Velhice”. O objetivo deste fórum, segundo os professores André Fatorri e Maria Elena Guariento, professores da área de gerontologia do Departamento de Clínica Médica, é conhecer os aspectos fisiopatológicos da síndrome da fragilidade na velhice e suas relações, para se refletir sobre a construção de um modelo ideal de intervenção que contemple o idoso de forma integral e suas dimensões biopsicossociais.

“Este evento adquire relevância cada vez maior quando observamos o envelhecimento da população. Vamos abordar este tema de forma multiprofissional e interdisciplinar para melhorar a qualidade da assistência à população idosa, bem como avançar nas pesquisas a respeito do tema, particularmente num momento em que a Unicamp sediará um dos Centros de Referência ao Idoso (CRI) do Estado de São Paulo”, comentou Maria Elena.

Fragilidade é um termo utilizado como referência à condição clínica não ótima de saúde no idoso. É classificada também como síndrome clínica, tendo como característica principal a vulnerabilidade biológica com diminuição das reservas fisiológicas de múltiplos sistemas e redução na capacidade de manutenção do equilibro do organismo, o que leva a eventos adversos, como quedas, institucionalização e morte. A fragilidade deve ser diferenciada do envelhecimento, considerando-se que ela pode ser prevenida e, possivelmente, revertida.

“Longevidade, para demografia, diz respeito ao número de anos vivido por um individuou ou geração num determinado período. Envelhecimento diz respeito a uma mudança no perfil dessa distribuição, ou seja, quanto pesa o número de jovens e velhos nessa população”, explica Carmen Siqueira.

A assessora da Coordenadoria Geral da Unicamp e coordenadora dos Fóruns Permanentes Carmen Zink Bolonhini disse que um dos reflexos sociais de que a população brasileira está envelhecendo é o crescente número de propagandas a produtos destinados aos idosos. “Se por um lado isto é um feliz reconhecimento do potencial dos idosos, por outro traz desafios que este Fórum ajudará a esclarecer”, comentou Carmen Zink.

Texto : Edimilson Montalti – ARP-FCM/Unicamp

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