Novo comandante da Rota participou do massacre do Carandiru


O governo Geraldo Alckmin (PSDB) nomeou um dos 116 acusados do massacre do Carandiru, em 1992, para comandar a Rota, espécie de tropa de elite da PM paulista.

A intensificação ao combate ao crime organizado vai ser a principal meta a ser seguida pelo novo comandante do 1º Batalhão de Polícia de Choque – ROTA (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), o tenente coronel Salvador Modesto Madia. Ele foi apresentado na tarde desta terça-feira (22) em uma coletiva de imprensa.

O tenente-coronel Salvador Modesto Madia, 48, substituirá o coronel reformado Paulo Telhada, que comandou a tropa de 2009 até a sexta passada, quando se aposentou.

Essa será a terceira passagem de Madia pela Rota –a primeira em que estará no comando de todo o batalhão.

Na última vez, participou como tenente da operação que deixou 111 presos mortos no pavilhão 9 da Casa de Detenção, no Complexo do Carandiru, zona norte da capital. Sua participação no massacre ainda não foi julgada.

Questionado, o tenente-coronel disse que o episódio de 1992 foi “resultado do confronto entre detentos e policiais”. “Cumprimos o nosso dever”, disse à Folha.

O tenente-coronel assumiu o cargo após a aposentadoria, na semana passada, do coronel Paulo Adriano Telhada, para quem “bandido bom é bandido morto”. Em sua gestão, de acordo com o jornal Agora, os casos de “resistência seguida de morte” com PMs da Rota aumentaram 63,16% durante a gestão de Telhada.

Carandiru

O comando da PM diz que o aumento das mortes ocorreu porque a Rota passou a atuar mais, o número de prisões cresceu 150% e, consequentemente, os casos de resistência e morte também.

Em dezembro deste ano, a Rota passará por reformas em seu complexo, e comemorará 120 anos – enquanto os 116 acusados do massacre no Carandiru, como Madia (que chama o incidente de “dever cumprido”), poderão celebrar os quase 20 anos do episódio sem terem cumprido um dia sequer de prisão.

Até hoje, apenas um dos 116 acusados, o coronel Ubiratan Guimarães, foi julgado e condenado (a mais de 600 anos de prisão). Em 2006, um recurso absolveu o acusado, que não ficou um dia preso – no mesmo ano, ele seria morto num crime até hoje não esclarecido

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