Ano que vem TV paga só se for dublada!


No ano que vem, o conteúdo dublado vai dominar quase toda a programação dos canais de televisão paga.

Quem pressiona por esse serviço é a classe C, que elevou o número de assinantes, hoje estimado pela Anatel em 38 milhões de pessoas.

A aposta no áudio em português tem se mostrado promissora. Os canais dublados, como o TNT e o Telecine Pipoca, lideram o ranking dos mais vistos da TV por assinatura. A Fox foi pioneira e, desde 2007, todo o conteúdo do seu horário nobre é dublado.

Miguel Oliva, diretor da HBO, diz que “a classe média realmente pressionou pela dublagem”. De olho nesse público, foi criado um segundo canal (o HBO 2), somente para programas dublados.

O AXN já estreia séries diretamente em português. E, desde agosto, o FX passou a ser totalmente dublado. Para 2012, Sony e Universal estudam migrar para a dublagem.

Porém, diz o presidente do Discovery, Fernando Medin, “a dublagem deve ser aplicada quando fizer sentido, já que ela é custosa e leva mais tempo para ser produzida.”

Ainda há público para a versão original. O que não significa que as preferências quanto ao áudio sejam excludentes. Oliva explica que o espectador de hoje pode preferir, em determinados momentos, a dublagem, pois sua atenção está fragmentada.

“Ver TV em português pode ser interessante para quem quer, ao mesmo tempo, ficar na internet ou no celular.”

Diante da crescente presença da programação dublada, quem prefere ouvir o áudio original terá apenas uma saída: a tecla SAP.

Se ela funcionar.

Os canais dublam o conteúdo, mas nem sempre se preocupam em fazer chegar ao espectador a versão no idioma de origem.

Em muitos casos, não há a opção do segundo canal de áudio. Em outros, é possível trocar para a língua original, mas sem nenhuma legenda, apesar do que possa sugerir o botão do controle remoto.

Isso ocorre porque a operação tem um custo para as redes –e elas nem sempre estão dispostas a pagar.

Em eventos ao vivo, como o Oscar ou a premiação da MTV americana, é comum o SAP ser “mudo” e só ser oferecida a tradução simultânea sobreposta ao som original.

As operadoras também têm culpa. Elas precisam investir em tecnologia, oferecendo decodificadores adequados para o uso do SAP.

A tendência de dublagem traz ainda outra questão: a das legendas, que hoje são em muitos casos indissociáveis da imagem –no jargão do meio, “queimadas”.

As legendas “queimadas” impedem a dublagem, pois são sempre visíveis, mesmo com o áudio em português.

Por isso alguns canais vão adotar a legendagem eletrônica, que permite ao usuário controlar suas escolhas. É o que prometem os Telecines para o mês que vem.

O espectador poderá optar por assistir a versão com som original e legendas (apertando a tecla SAP) ou a dublada.

O expediente já é utilizado por alguns canais –nem sempre, porém, é para todos. Fernando Medin explica como se faz na rede Discovery: “Fazemos isso para assinantes de pacotes mais altos por ser uma operação mais custosa”.

Folha SP/ELISANGELA ROXO/ VALENTIM RODRIGUES

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