HPV: vacina para homens


Eles agora também contam com o imunizante que já protegia as mulheres desse vírus por trás de graves tumores

por Caroline Randmer design Michele Kanashiro ilustração Bruno Algarve

A única defesa que a ala masculina tinha contra esse baderneiro causador de mais da metade dos casos de câncer de pênis era a camisinha. Mesmo assim, a eficácia do preservativo chegava só a 60%. Isso porque ele barra apenas a invasão do micro- organismo no órgão genital. O resto do corpo ficava à mercê do menor contato com o inimigo, que pode ser transmitido mesmo sem a presença de lesões.

Basta encostar na região infectada — já é suficiente. Mas essa vulnerabilidade dos homens perante o HPV está com os dias contados: a vacina contra esse vírus, antes exclusiva para as mulheres, tidas como mais suscetíveis às suas investidas, acaba de ser liberada para meninos e jovens de 9 a 26 anos, fase das descobertas sexuais.

O aval da Agência Nacional de Vigilância Santiária, braço do governo brasileiro responsável por regulamentar remédios, se baseou em um estudo publicado na revista científica americana New England Journal of Medicine. Foram colhidos dados de 4 065 homens entre 16 e 26 anos de idade de 18 países. O resultado surpreendeu.

As doses do imunizante foram capazes de evitar 90% das verrugas genitais, um dos estragos provocados pelo vírus. “O papilomavírus humano, o nome científico do HPV, tem aproximadamente 200 variantes e compromete os tecidos de revestimento do corpo, como a pele e as mucosas”, explica a bióloga Luisa Lina Villa, coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia das Doenças de Papilomavírus. Ricardo Cunha, responsável pela área de vacinas do Laboratório Delboni Auriemo, na capital paulista, completa: “Uma vez na pele, o HPV busca camadas mais profundas, multiplica-se e volta para a superfície em diferentes graus”.

Um estudo realizado no Brasil, no México e nos Estados Unidos aponta que a incidência de contágio do HPV em homens entre 18 e 70 anos é de 50%. E grande parte deles nem desconfia que está contaminado. “Um indivíduo pode viver por anos com o micro-organismo na surdina e só apresentar sintomas em um momento em que as defesas ficam debilitadas”, diz o urologista Gustavo Alarcon, do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo.
O pior é que esse período dormente não impede sua transmissão. Muitas vezes, o malfeitor acaba sendo eliminado pelo próprio organismo, mas, em outras situações, evolui para estágios mais agressivos, como câncer de pênis, ânus e boca. Trata-se de uma verdadeira roleta-russa viral. Até existem tratamentos, mas são dolorosos, com lasers e raspagem das áreas comprometidas. A vacina poupa todo esse sofrimento, disparando uma resposta imune capaz de controlar futuras infecções e proteger o indivíduo de 40% dos tumores penianos e até 75% dos anais. Sorte deles!

Blindagem imune

Quadrivalente, a vacina age como um escudo contra quatro tipos do vírus HPV — os 6, 11, 16 e 18, justamente os mais perigosos. Ela é aplicada em três doses: a primeira na data escolhida, a segunda dois meses depois da picada inicial e a última entre seis e 12 meses depois da injeção de estreia. Ainda não disponível na rede pública, o custo total do imunizante sai em torno de 900 reais. A recomendação e a receita devem ser feitas por um urologista.

Revista Saúde

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