Arquivo do dia: julho 2, 2011

Hospital em SP testa “superpílula” capaz de reduzir em 60% risco de derrame

A polipílula testada deverá prevenir problemas de risco cardiovascular moderado, reduzir a pressão arterial e controlar o colesterol

Pesquisadores do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, terminaram os
testes da fase inicial de um estudo que pretende compactar em uma única pílula
quatro medicamentos que previnem doenças cardiovasculares – consideradas a
principal causa de mortes no Brasil e no mundo. A pesquisa está sendo feita em
sete países e, no Brasil, é coordenada pelo Hcor. O estudo constatou que o novo
medicamento reduz em 60% o risco de derrame ou infarto. Em quatro meses, começa
a fase de testes em 22 hospitais do país.

A polipílula testada deverá prevenir problemas de risco cardiovascular
moderado, reduzir a pressão arterial e controlar o colesterol. Ela combina em um
único comprimido os compostos da Aspirina (que previne entupimento dos vasos
sanguíneos do coração), a Sinvastatina (controlador de colesterol) e de dois
medicamentos para controle da pressão arterial: Lisinopril e
Hidroclotiazida.

“Nesta primeira fase, com início em 2006, feita em sete países, 400 pacientes
com risco médio de infarto ou derrame tomaram uma pílula por dia por quase cinco
meses. Em todos esses países se viu uma redução de 60% no risco de a pessoa
sofrer um derrame ou infarto no futuro, além da redução na pressão arterial e no
colesterol”, explica o coordenador da pesquisa no Brasil, o médico Otávio
Berwanger.

De acordo com os pesquisadores, as vantagens desta polipílula para pacientes
predispostos a problemas cardiológicos são a facilidade de manter o tratamento,
já que é necessária uma única dose por dia, e custo inferior no valor dos quatro
medicamentos somados.

No segundo semestre, a segunda fase da pesquisa começará a ser feita com
pacientes em estados mais graves, que já tiveram acidente vascular cerebral
(AVC) e infarto. No Brasil, o estudo será coordenado pelo HCor em parceria com o
Ministério da Saúde e irá envolver duas mil pessoas, em 22 hospitais do
país.

Durante um ano e meio, oito mil pessoas em quatro estudos diferentes que já
tiveram infarto ou derrame vão tomar o medicamento. “Só depois dessa nova
pesquisa é que vai ser definida a eficácia da pílula em larga escala”, explica
Berwanger.

Requião, o amarelão

Matéria de Luiz Maklouf Carvalho/Época
 
 

   Reprodução

Requião não prova suas denúncias trovejantes e é condenado na Justiça. De 2008 para cá, já perdeu ações no valor de Quem conhece bem o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, o PB, diz que ele é duro como beira de sino quando encasqueta com alguma coisa. O protagonista das últimas implicâncias de PB é o hoje senador Roberto Requião, do PMDB do Paraná. Bernardo, a quem Requião chamou até de “pilantra”, o processa no Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes contra a honra.
 
Sem interesse em se indispor com um ministro forte – na verdade, dois, porque na Casa Civil está a mulher de Paulo Bernardo, Gleisi Hoffmann –, Requião está propondo um acordo. Seu advogado, René Ariel Dotti, pediu a suspensão condicional do processo. É um recurso que a lei oferece para a solução consensual do caso, nos crimes em que a pena mínima for de até um ano. A proposta significa que Requião, sem fatos para provar o que disse (em mais um daqueles momentos “vou tomar o gravador do repórter”), pediu arrego.

PB nem quis ouvir falar. “O ministro só aceita a suspensão se o senador Requião indenizá-lo, o que vai significar o reconhecimento cabal de que as acusações são inverídicas”, diz o advogado Juliano Breda, defensor de Bernardo. Dotti, autor do clássico jurídico Casos criminais célebres, acenou, informalmente, que seu cliente está disposto a pagar os R$ 100 mil que PB reivindica no processo de indenização por danos morais que tramita na primeira instância da Justiça cível paranaense. “Se isso ocorrer, o ministro destinará o valor para uma instituição de caridade”, diz Luiz Fernando Pereira, advogado de Bernardo na área cível. Requião não quis dar entrevista.

Requião desferiu o golpe contra Bernardo em fevereiro de 2010, quando era governador do Paraná e potencial candidato ao Senado. PB era ministro do Planejamento do governo Lula. Sua mulher, Gleisi, presidia o PT paranaense e também pretendia lançar-se ao Senado. Numa espécie de escolinha do professor Requião, exibida pela TV pública do Paraná, o então governador acusou Bernardo de corrupção. Afirmou que ele lhe propusera, pessoalmente, o superfaturamento, em R$ 400 milhões, de uma obra ferroviária a ser feita pela empresa ALL. Reiterou a denúncia em nota oficial, em entrevista e em vários posts no Twitter. E ganhou manchetes nos jornais importantes. PB negou as acusações e mandou seus advogados processarem o governador. “Sem trégua”, disse PB a Breda. “Eu quero retratação e indenização”, pediu a Pereira. Quando Requião foi eleito senador, o direito ao foro privilegiado levou a ação criminal para o Supremo.

No STF, o processo caiu, justamente, nas mãos do único ministro que foi colega de ministério de Paulo Bernardo, o ex-advogado-geral da União José Antônio Dias Toffoli. Da Europa, onde visitava, a convite, cortes superiores, Toffoli respondeu, por sua assessoria: “O ministro tem como regra não fazer qualquer tipo de comentário sobre processos que estão sob seu julgamento, principalmente quando estão sendo relatados por ele”. Por causa de sua relação de coleguismo com Bernardo, Toffoli poderia declarar-se impedido. Mas achou que não era o caso. Os advogados de Requião, como permite a lei, poderiam ter arguido a suspeição, mas não o fizeram.

“O mais curioso é que ele paga em dinheiro vivo”,
diz um advogado que ganhou ações contra Requião

“Na Justiça, o Requião fica cordeiro”, diz o advogado paranaense José Cid Campello Filho. Sua autoridade está em ser o campeão em processos por dano moral contra Requião. “Ladrão”, foi um dos qualificativos com que Requião se referiu a ele, quando era secretário de Governo de Jaime Lerner. Campelo já ganhou, no cível, duas indenizações que somaram R$ 130 mil. Três clientes seus, alvo de epítetos semelhantes, ganharam, somados, R$ 90 mil. “O mais curioso é que ele paga em dinheiro vivo”, diz Campelo. E lembra os sacos que representantes de Requião foram deixar em seu escritório.

Requião é um colecionador de sentenças condenatórias por dano moral. Nos anos 1990, pagou, entre outras, indenização de 360 salários mínimos (na ocasião R$ 184 mil, fora os juros) para o desembargador Sérgio Arenhart, a quem acusou de parcialidade. De parte delas, ele recorre. Outra parte transitou em julgado. De 2008 para cá, sempre por não provar suas denúncias trovejantes, Requião perdeu ações por dano moral para a publicitária Cila Schulman (R$ 60 mil), para o ex-secretário de Fazenda do Paraná Ingo Hubert (R$ 50 mil) e para o ex-ministro Euclides Scalco (R$ 40 mil). Também foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região a pagar multas por desobediência a proibições, como o uso indevido da TV pública. A última foi de R$ 200 mil.

Uma pesquisa no site do STF mostra que a AP 584, aquela de Paulo Bernardo relatada pelo ministro Toffoli, teve uma tramitação mais rápida do que todas as congêneres, mesmo os outros processos contra Requião. Em não mais que quatro meses, o caso está praticamente pronto para ser julgado. Só falta a peça da defesa de Paulo Bernardo quanto ao pedido de acordo e, por fim, o depoimento de Requião.

Ninguém esquece um soco na cara – muito menos quem deu. É o caso do deputado federal Rubens Bueno, do PPS do Paraná. Nesta segunda-feira, faz um ano que ele deu um soco na face direita de Requião. Estavam ambos no aeroporto de Campo Mourão, no centro-oeste do Paraná. Requião chegava, como candidato ao Senado. Bueno e alguns colegas do PPS aguardavam um correligionário. Revoltado porque não havia ninguém a esperá-lo, Requião, a seu estilo, soltou a língua. “Só vieram esses m… aqui”, disse. E se aproximou para cumprimentar a comitiva do PPS. Bueno recusou-se. Requião ofendeu a mãe dele. E o soco saiu. “Só sei que os óculos do Requião caíram longe, que ele cambaleou e que saiu correndo”, diz Bueno.

Não foi a primeira nem a segunda vez que uma agressão substituiu o caminho judicial. O caso mais famoso ocorreu com o empresário Ciro Frare, de Londrina, já morto. Requião o chamou num jornal de “cão fraldiqueiro”, aquele que se refugia embaixo da saia da dona. Um dia, na porta do Hotel Bourbon, em Londrina, Frare viu Requião, partiu para cima dele e disparou uns socos.

Outro dia, na tribuna do Senado, Requião reclamou dos processos e sentenças que o têm aborrecido. No Twitter, escreveu: “É claro que a Justiça Federal está ao lado dos mais ricos e poderosos; eles estão com o rabo preso”.

“Só tem um jeito de conter esse falastrão: cortar a língua dele”, diz Campelo, em tom de brincadeira. Ele define Requião como “louco de inteligente”. E explica: “Ele ofende, calculadamente, porque acredita que o barulho dá atestado de macho, e voto”. O que dirá, ou fará, o senador Requião quando o ministro Toffoli pronunciar-se sobre o pedido de acordo no processo de Paulo Bernardo?

Dilma afasta toda cúpula dos Transportes

Em nota, pasta afirma que decisão foi tomada após denúncias de superfaturamento; ministro Alfredo Nascimento permanece no cargo

O ministro do Transporte afirmou que não foi conivente com qualquer ato irregular  / Foto: Renato Araújo/ABr

Ministro do Transporte afirmou que não foi conivente foto: Renato Araújo/ABr

O governo federal informou neste sábado o afastamento de parte da cúpula do Ministério dos Transportes. Segundo nota divulgada nesta tarde, o ministro Alfredo Nascimento decidiu instaurar uma sindicância para apurar as denúncias feitas pela revista “Veja” desta semana. A publicação cita superfaturamento em obras públicas.

Segundo o ministro, foram afastados os servidores Mauro Barbosa da Silva, chefe de gabinete do ministro; Luís Tito Bonvini, assessor do gabinete do ministro; Luís Antônio Pagot, diretor-geral do DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes); e José Francisco das Neves, diretor-presidente da Valec (empresa pública ligada à pasta). O desligamento temporário será formalizado a partir da próxima segunda-feira, pela Casa Civil da Presidência.

Nascimento afirmou ainda que “rechaça, com veemência, qualquer ilação ou relato de que tenha autorizado, endossado ou sido conivente com a prática de quaisquer ato político-partidário envolvendo ações e projetos do Ministério dos Transportes”. Ele continua no cargo.

De acordo com a revista, representantes do PR, funcionários da pasta e de órgãos vinculados ao ministério teriam montado um esquema para superfaturar obras e receber propinas de empreiteiras.

Veja a nota na íntegra:

“ESCLARECIMENTO

Sobre a reportagem “O mensalão do PR”, publicada pela revista Veja na edição que circula nesse fim de semana, o Ministério dos Transportes informa o que segue:

O Ministro de Estado dos Transportes, Alfredo Nascimento, rechaça, com veemência, qualquer ilação ou relato de que tenha autorizado, endossado ou sido conivente com a prática de quaisquer ato político-partidário envolvendo ações e projetos do Ministério dos Transportes. A preocupação e o cuidado com a correta administração do bem público é uma das marcas da sua vida pública e, especialmente, de suas gestões à frente da Pasta.

Diante da relevância do relato publicado pela revista e da ausência de provas, Nascimento decidiu instaurar uma sindicância interna para apurar rápida e rigorosamente o suposto envolvimento de dirigentes da Pasta e seus órgãos vinculados nos fatos mencionados pela revista. Além de mobilizar os órgãos de assessoramento jurídico e controle interno do Ministério dos Transportes, o ministro decidiu pedir a participação da Controladoria-Geral da União (CGU). As providências administrativas para o início do procedimento apuratório serão formalizadas a partir da próxima segunda-feira, 04/07.

Para garantir o pleno andamento da apuração e a efetiva comprovação dos fatos imputados aos dirigentes do órgão, os servidores citados pela reportagem serão afastados de seus cargos, em caráter preventivo e até a conclusão das investigações. Alfredo Nascimento já comunicou sua decisão à Presidência da República. O desligamento temporário dos servidores Mauro Barbosa da Silva, Chefe de Gabinete do Ministro; Luís Tito Bonvini, Assessor do Gabinete do Ministro; Luís Antônio Pagot, Diretor-Geral do DNIT; e José Francisco das Neves, Diretor-Presidente da Valec; será formalizado a partir da próxima segunda-feira, 04/07, pela Casa Civil da Presidência.

No que diz respeito ao monitoramento da execução das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o ministro dos Transportes informa ter tomado – a partir de janeiro, quando reassumiu a Pasta – as providências desejáveis ao aperfeiçoamento gerencial do programa, com vistas a reduzir custos de obras e da contratação de projetos. Tal preocupação atende não apenas a necessidade de efetivo controle sobre os dispêndios do Ministério, mas também a determinação de acompanhar as diretrizes orçamentárias do governo como um todo. Característica de sua passagem pelo governo federal em gestões anteriores e, obedecendo à sua postura como homem público, Alfredo Nascimento atua em permanente alinhamento à orientação emanada pela Presidenta da República.

Assessoria de Comunicação
Ministério dos Transportes. ”

Marielly Campos/ Band

Especialista americano cura diabetes em apenas 21 dias

 

“O que comemos alimenta nossos genes tanto quanto o que não comemos. A escolha é pessoal”: é o que afirma o médico Gabriel Cousens, no livro A Cura do Diabetes pela Alimentação Viva, que chega ao Brasil pela Editora Alaúde.

Cousens defende que muitos dos problemas de saúde que acometem a atual sociedade poderiam ser evitados com a adoção de uma dieta restritiva, à base de alimentos de origem orgânica e vegetal.

A obra sustenta que, ao contrário do que prega a medicina tradicional, o diabetes tem cura. E mais: apresenta um programa alimentar à base de alimentação viva, rico em sais minerais e sem gordura animal, que, segundo o autor, caso seja seguido rigorosamente, é capaz de livrar diabéticos de medicamentos e de adaptá-los a uma taxa normal de glicose em apenas 21 dias.

O método de Gabriel Cousens para se chegar à erradicação do diabetes é o Programa de 21 Dias do Tree of Life, defendido por Cousens como “a luz no final do túnel” no combate ao diabetes.

— O objetivo do Programa de 21 Dias é baixar os níveis de açúcares no organismo de pessoas que sofrem de diabetes do tipo 1 e 2 em até 80%, através de uma dieta orgânica, vegana, rica em sais minerais, com pelo menos 80% de alimentos vivos e com 15 a 20% de gorduras vegetais apenas — afirma o médico.

A dieta é ainda rica em fibras, pobre em glicose e insulina, bem hidratada e individualizada.

Cultura da Vida versus Cultura da Morte

O diabetes é um problema que cresce em proporções epidêmicas. Estima-se que hoje a doença atinja aproximadamente 240 milhões de pessoas, de acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF), o que equivale a 6% da população mundial. E as projeções são alarmantes. Até 2025 este número deverá ultrapassar a faixa de 350 milhões de pessoas. Tudo isso devido aos atuais hábitos alimentares da população — que incluem a ingestão em excesso de açúcares, gorduras, carne vermelha, alimentos processados industrialmente, leite e derivados, além de junk food.

Através de documentação, o médico contextualiza o atual problema do diabetes em escala mundial e aponta a doença como o grande mal da sociedade moderna, dentro de um conceito macro que ele chama de “Cultura da Morte”.

— O diabetes se tornou uma pandemia porque as pessoas não estão vivendo de forma a se manter em equilíbrio. Estão vivendo o estilo de vida da Cultura da Morte. É por isso que chamamos esse comportamento de ‘crime contra o bom senso’, um termo aiurvédico antigo que descreve bem a situação — explica o médico.

Resultados

Numa primeira fase, o doutor Cousens aplicou o Programa de 21 Dias em 11 pessoas portadoras de diabetes. A ideia, segundo ele, era esperar que as pesquisas avançassem. Mas, em virtude dos excelentes resultados obtidos com os primeiros pacientes, o médico ponderou que compartilhá-los seria o mais correto a fazer.

— Talvez fizesse mais sentido escrever este livro daqui a cinco anos com os resultados de cem pessoas, pelo menos, mas esses resultados iniciais foram tão espetaculares, a vida de milhões de pessoas é tão valiosa, e a possibilidade de preservação da vida por meio desta abordagem é tão importante, que eu quis divulgar essas informações o mais rápido possível — argumenta.

No livro, ele descreve cada um dos 11 casos avaliados e aponta, através de números, gráficos e tabelas médicas dados que comprovam que é possível combater o diabetes através desse tipo de dieta. Um dos pacientes da primeira fase do programa, por exemplo, apresentava diabetes do tipo 1, com níveis de glicemia inicial — medida nas primeiras horas da manhã — de 287. O ideal, para não portadores da doença, é que essa taxa de glicemia fique entre 70 e 85. Depois de apenas quatro dias no programa esse paciente pôde parar de tomar insulina completamente, pois apresentou glicemia de jejum de 88, que depois de duas semanas caiu para 83.

Fonte: Zero Hora

Hemingway : 50 anos de sua morte

  • Escritor relatou os horrores e paixões provocados pela guerra
  • Escritor relatou os horrores e paixões provocados pela guerra

Washington, 1 jul (EFE).- Meio século se completa neste sábado desde que o escritor Ernest Hemingway apertou o gatilho de sua pistola e pôs um trágico fim a uma trajetória de vida na qual se consagrou como “modelo de escritor moral”, ao relatar os horrores e paixões provocados pela guerra.

“Ele viveu com paixão e um enorme respeito pelas outras culturas, com compromisso e determinação em tempos de guerra. Tudo isso o transforma em um estupendo modelo moral”, diz à Agência Efe James Meredith, presidente da Hemingway Society, dedicada a preservar o legado do escritor.

Autor de cinco romances e mais de 50 relatos, Hemingway cultivou uma imagem de viajante e aventureiro infatigável, com prolongadas viagens a França, Itália, Espanha, Cuba e África durante seus 61 anos de vida, nos quais testemunhou as duas guerras mundiais.

Nascido em 1899 em Oak Park, nos arredores de Chicago, a vocação de Hemingway não tardou a brotar. Pouco após terminar seus estudos, começou a trabalhar com apenas 17 anos como repórter no jornal “Kansas City Star”.

Sua permanência no periódico mal durou um ano, mas Hemingway sempre lembrou o livro de estilo do jornal (“frases curtas, primeiros parágrafos curtos)” como guia para sua ágil escrita, que posteriormente inspiraria imitadores.

À primeira oportunidade que teve, o então jovem Hemingway abandonou os Estados Unidos e partiu ao front para trabalhar como motorista de ambulância na frente italiana durante a Primeira Guerra Mundial, de onde retornou ferido e com restos de estilhaços nas duas pernas.

Como correspondente do diário “Toronto Star”, voltou à Europa e viveu em Paris durante a década de 1920 junto à chamada “Geração Perdida”, um grupo de escritores americanos entre os quais estavam Gertrude Stein, Ezra Pound, John Dos Passos e F. Scott Fitzgerald.

Nessa época, uma das mais prolíficas de sua carreira, publicou dois de seus romances mais reconhecidos, “O Sol Também Se Levanta” (1926) e “Adeus às Armas” (1929).

A guerra, um dos grandes temas literários de Hemingway, voltou ao trabalho do escritor com a eclosão da Guerra Civil Espanhola (1936-39), conflito que ele cobriu como correspondente em Madri.

Hemingway já tinha então se casado duas vezes e comprado uma casa em Key West, ilha no sul da Flórida onde cultivava duas grandes paixões além da literatura: a bebida e a pesca.

Posteriormente, após o sucesso de “Por Quem os Sinos Dobram” (1940), voltaria à Europa para cobrir o Desembarque da Normandia na Segunda Guerra Mundial e a libertação de Paris da ocupação nazista.

“Todos os bons livros têm algo em comum, são mais verdadeiros que se as coisas tivessem realmente ocorrido”, era uma de suas frases mais repetidas ao ser questionado sobre a veracidade de seus escritos.

Mulherengo, boêmio e nômade, encarnava a lenda do escritor errante na busca de histórias para sua máquina de escrever, que datilografava sempre de pé.

“Sempre faça sóbrio o que você disse que faria bêbado. Isso lhe ensinará a manter a boca fechada”, era outro de seus irônicos lemas.

Casou-se pela terceira vez e foi viver em Cuba, na Finca Vigía, onde concluiu “O Velho e o Mar”, breve e renomado romance sobre um dia no mar de um velho pescador cubano, pelo qual recebeu o Prêmio Pulitzer em 1953.

Nos anos 40, Hemingway descobriu o continente africano, aonde viajou várias vezes para praticar outro grande passatempo: a caça, numa época magnificamente retratada em um de seus relatos mais conhecidos, “As Neves do Kilimanjaro” (1960).

Esteve a ponto de morrer após sofrer acidentes aéreos, que o deixam seriamente ferido e o impediram de viajar a Estocolmo para receber em 1954 o Prêmio Nobel de Literatura.

Após Mark Twain e Jack London, Hemingway é o escritor americano mais traduzido a outros idiomas.

Em 1960, abandonou definitivamente Cuba, com a saúde debilitada, Hemingway ficou recluso em sua residência de Ketchum, no estado americano de Idaho. Um ano e meio depois, com três romances ainda pendentes, Hemingway cometeu suicídio.

Seu último livro veio à tona, paradoxalmente intitulado “Paris é uma Festa”, uma jovial celebração de seu anos de juventude na capital francesa.

Nos Estados Unidos, seus fãs lembram seu legado nos chamados “Hemingway Days” no fim de julho, coincidindo com a data de seu nascimento (dia 21), com diversos eventos em Key West entre os quais está um sarau de contos promovido por sua neta, a também escritora Lorian Hemingway.

Alfonso Fernández/EFE

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