Arquivo do dia: abril 25, 2011

Morre o cantor nativista Rui Biriva

O cantor e compositor Rui Biriva, morreu às 22h45min desta segunda-feira. A informação foi divulgada pela assessoria de comunicação do Hospital Conceição, onde Biriva estava internado desde 14 de abril para o tratamento de um tumor no intestino grosso.

Rui Biriva tinha 52 anos e era o caçula dos três filhos de Adalíbio e Malvina Leonhart, um casal de pequenos agricultores do distrito de Esquina Eldorado, em Horizontina. Depois de cursar Direito no Paraná, sem concluir o curso, o cantor deu início a uma carreira bem-sucedida como intérprete em festivais nativistas. O próprio apelido “Biriva” foi ganho depois de o jovem Rui vencer o festival Seara da Canção Gaúcha, em Carazinho, em 1982, com a canção Birivas, de Airton Pimentel. “Biriva” é uma designação para os tropeiros de gado das comunidades de cima da Serra. Rui voltaria a vencer o mesmo festival em 1984, com a música Santa Helena da Serra, parceria com José Luiz Vilela e até hoje uma de suas composições mais queridas pelo público.

Depois de gravar o primeiro LP em 1987, Cantar (Continental), Rui rapidamente tornou-se um dos nomes-chave de sua geração. Ficou famoso não apenas pelo sucesso popular de canções animadas e festivas como Tchê Loco, Festança, Pé na Estrada, Tonto de Saudade e Castelhana (esta última, parceria com Elton Saldanha), mas pela simpatia e espontaneidade cheia de humor que levava para suas músicas e para suas performances de palco.

Seu disco mais recente, Pedindo Cancha (2009), um CD que o próprio artista identificava como especial em sua trajetória _ uma espécie de “álbum conceitual” temático sobre a Cancha Reta, um dos esportes campeiros mais antigos do Estado. Rui deixa mulher e um filho.

Ex Menudo Robby Rosa está com câncer

O ex-Menudo Robby Draco Rosa, 41 anos, enfrenta uma grande batalha em sua vida. Mas, desta vez, não tem nada ver com o mundo musical.

Para tristeza dos milhares de fãs da boyband das décadas de 80 e 90, o cantor foi diagnosticado com câncer no abdômen. O artista está internado na clínica Burzynski Clinic,em Houston, no Texas (EUA).

Seu agente Angelo Medina, através de um comunicado à imprensa, foi quem noticiou a doença de Robby.

“Nesse dia eu tenho que informar uma das notícias mais difíceis que eu já dei na minha carreira de mais de 30 anos. Durante vários meses, Draco teve várias doenças e problemas de saúde. Depois de visitar vários especialistas nos Estados Unidos, foi diagnosticado um tumor cancerígeno no abdômen, perto do fígado. Neste momento, ele está em tratamento especializado na clínica Burzynski Clinic, em Houston, no Texas”, disse o agente.

Medina disse que Robby, que é casado há 21 anos e tem dois
filhos – um de 15 e outro de 8 anos – está muito otimista quanto à sua recuperação:“Ele é muito lutador e otimista. Ele é um homem muito sensível e o vi como um guerreiro”,.

O cantor ainda recebe a energia positiva de um de seus ex-companheiros de Menudo, Ricky Martin. Através do twitter, o intérprete de Copa de La Vida” escreveu: “@dracorosa Você é um guerreiro, irmão! Força”, disse.

Menudo foi uma boyband latina de Porto Rico, criada em 1977 pelo produtor Edgardo Díaz. Na década de 1980 passaram pelo grupo Xavier Serbia, Miguel Cancel, Rene Farrait, Carlos Melendez, Johnny Lozada, Charlie Massó, Ray Reyes, Roy Rosello, Robby Draco Rosa e Ricky Martin, alcançando muita projeção. O primeiro país da América Latina em que ficaram famosos foi a Venezuela e depois outros países latino-americanos como México, Argentina, Colômbia, Chile, Uruguai e Brasil.

No Brasil, os rapazes e suas coreografias sensuais, encantaram adolescentes e formaram milhares de fãs-clubes. Na década de 80, o Menudo era o grupo musical de maior visibilidade na mídia brasileira. Uma verdadeira febre! Nesta época, os garotos de Porto Rico só podiam fazer shows nos maiores estádios de futebol do Brasil, devido ao tamanho do público.

Nesta fase, o Menudo atingiu seu apogeu na América Latina e seus componentes eram os jovens Robby Rosa, Charlie Massó, Roy Rosselo, Ray Reyes e o ainda famoso Ricky Martin, este na época um pré-adolescente. E cada um dos meninos tinha seu próprio fã clube, para as quais eles cantavam músicas em espanhol, inglês ou português, como If you’re not here e Não Se Reprima, com suas danças características.

Mas o sucesso foi diminuindo após as substituições de alguns componentes, que iam se tornando adultos. O fim ocorreu gradativamente nos anos 90.

Robby Rosa e Ricky Martin foram alguns que seguiram carreira solo de sucesso. Robby inclusive produziu nos últimos anos alguns discos de Rick Martin

Artigo: A política e a bebida

O repórter Jorge Bastos Moreno escreveu ontem (24), em ‘O Globo’, a mais deliciosa matéria desse final de semana.

O hábito dos políticos com a bebida.Eis o seu texto:
“Se a Lei Seca estivesse em vigência há 30 anos, o senador Aécio Neves, flagrado semana passada numa blitz no Rio, não estaria sozinho, mas numa galeria de ilustres homens públicos que prestaram relevantes serviços ao país. Pela carteira de habilitação vencida e, principalmente, pela recusa do teste do bafômetro – reação confessa de ingestão de bebidas.

Homens públicos que sempre fizeram da política sua única atividade profissional geralmente são muitos desorganizados e delegam a terceiros a atualização de seus documentos. E a habilitação nunca esteve entre suas prioridades, até porque quase nunca dirigem.

Mas o quesito que chama mais a atenção da opinião pública, o de ter ingerido álcool, é, paradoxalmente, a coisa mais comuns entre os políticos. Beber é da atividade. Se não, como atravessar noites debatendo com aliados e adversários e, também, em casa, aliviar o estresse do dia a dia.
Aliás, uma das máximas da política é não confiar em quem não bebe. Não conheci um bom político que não bebesse. E bem. Entre eles, vários ex-presidentes, ex-governadores e ex-chefes do Poder Legislativo.

Se todo mundo bebe, por que somente o ex-presidente Lula carregou a fama? Por preconceito a um operário que chegou à Presidência da República? Claro que não. Seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, como veremos adiante, também era bom de copo, assim como seus antecessores.

A fama de Lula só ultrapassou o círculo fechado da política porque o petista nunca cometeu a hipocrisia de esconder de ninguém que bebia. Então, Lula não foi profissional na arte de beber? Hipocritamente falando, não. Nem ele nem Aécio Neves. Por isso sempre foram os mais visados.

Como temente a Deus e partidário da tese de que “aqui se faz, aqui se paga”, tenho uma convicção mais mística sobre as razões de Lula ter pagado um preço por um hábito que é, na verdade, praticado pela maioria dos políticos e pelo próprio povo brasileiro (ainda semana passada, pesquisas revelaram que a população está bebendo mais).

É forte o que vou dizer agora, mas me baseio nos fatos, naquilo que Ulysses Guimarães dizia: “Sua Excelência, o fato”. Contra fatos, não há argumentos: Lula, estranhamente, sempre foi preconceituoso com a bebida, por mais que gostasse dela. Amigos mais íntimos atribuem isso a traumas sofridos na infância.

Quando se afastou do governo Itamar Franco, entre outras alegações, Lula dizia que o presidente preterira a indicação do renomado jurista Raymundo Faoro pela “daquele pinguço do Maurício Corrêa”, que, por uma dessas peças da vida, veio a presidir o Supremo Tribunal Federal na gestão do petista. Corrêa, como presidente do STF, infernizou a vida de Lula, lembram?

Outra prova do preconceito de Lula contra a bebida ocorreu na campanha de 1998, contra Fernando Henrique. Em vários comícios, inclusive um na Praça da Sé, em São Paulo, Lula tentava desqualificar o prestígio internacional do adversário dizendo que seus maiores amigos eram “um maníaco sexual ( Bill Clinton ) e um cachaceiro ( Boris Yeltsin)”. Bem, quando o “NYT” fez o mesmo com ele, Lula quis expulsar o correspondente do jornal.

Mas as famas de Lula e de Aécio são totalmente injustas se olharmos para a famosa galeria dos bons de copo, que, entre tantos ilustres, inclui o próprio FH, Ulysses, Tancredo Neves, Itamar, Severo Gomes, Sepúlveda Pertence, Nelson Jobim, José Eduardo Dutra, Jarbas Vasconcelos, Sérgio Cabral, Miguel Arraes, Marcello Alencar, Hélio Garcia, Marcelo Déda, Jaques Wagner, e vou parar por aqui para não ser injusto com os que não estão nessa seleta relação. Escolhi, propositadamente, os mais corretos, até para deixar claro que beber não é crime. Crime é roubar. E, geralmente, o político corrupto não perde a sobriedade para não perder uma jogada. Eles quase não bebem. Daí a desconfiança na política contra os abstêmios.

Fernando Henrique sempre foi um bebedor sofisticado, discreto. Poucas vezes foi flagrado “mais alegre”, a não ser em duas ocasiões que, até a publicação desta matéria, permaneciam no círculo restrito da política. Uma vez, como senador, em Porto de Galinhas (PE), com os falecidos Ulysses Guimarães e Carlos Wilson. Os três tentavam dominar um “bugre”. Até hoje, não se sabe quem estava mais bêbado.

Em outro episódio, também no litoral nordestino, FH, na Praia do Francês (AL), chegou a ficar quase nu num mergulho. Foi fotografado pelas costas com a bunda de fora. A autora da foto, procurada agora por mim para ilustrar este texto, disse que a vítima sempre soube da existência da foto, mas nunca se preocupou com ela, nem nas campanhas eleitorais, pois sabia que estava entre amigos. Além do mais, a própria imagem deixava claro ter sido acidente banal e não uma exibição. Eu queria ter essa autoconfiança do FH.

Já Ulysses era bebedor profissional, tão profissional que era difícil percebê-lo bêbado. Já tinha a vantagem de falar normalmente com a língua enrolada e de não ter sentido de direção: só, não conseguia chegar nem a sua casa – o que era comprometedor para quem bebia, no seu caso era característica bem conhecida. Dos políticos que conheci, Ulysses talvez fosse o que melhor sabia beber bem e sofisticadamente, e, repito, embriagar-se sem parecer bêbado. Poderia contar aqui algumas histórias de Ulysses. Mas é absolutamente desnecessário. Ou vocês acham que um homem que criou a “turma do poire” – aguardente de pera mais forte que a nossa cachaça, que derruba o freguês só pelo perfume embriagador – precisa de mais histórias? Integrante daquele clube que mandava no país na época, Ibsen Pinheiro certa vez revelou: “Boa, só a turma, o poire é muito ruim.” Que blasfêmia! Não havia um chefe político dos locais mais distantes do país que não recebesse Ulysses com uma garrafa de poire.

Tancredo Neves não ficava para trás. Sua preferência eram os vinhos. Certa vez – e esta história foi espalhada por Ulysses – numa bebedeira na casa de uma amiga em Brasília, às vésperas da Semana Santa, Tancredo subiu na mesa e, solenemente, fez um convite geral:
– Minha São João del Rey é paradoxalmente a cidade mais profana e religiosa do Brasil: tem o melhor carnaval e a melhor Semana Santa! Por isso, convido a todos para irem comigo.
No dia seguinte, a pedido de Tancredo, Ulysses telefonou aos convidados alegando que o colega pegara gripe forte e voltaria ao Rio, onde morava. A propósito: Tancredo, como deputado, senador e governador de Minas Gerais, sempre morou no Rio. Deve ser coisa de DNA”.

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