Arquivo do dia: abril 23, 2011

Antigo hotel será lar de artistas carentes

Dos 53 prédios destinados ao Renova Centro, programa de habitação popular e requalificação que pretende trazer 2,5 mil famílias para morar naquela região, somente 3 começam a ganhar destinação social. Os primeiros beneficiados serão artistas aposentados, idosos e pessoas carentes.

Werther Santana/AE
Werther Santana/AE
Prédio da Avenida São João. Outros dois edifícios receberão idosos e famílias carentes

Ontem, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) assinou a escritura de desapropriação do Edifício Cineasta, antigo hotel abandonado na Avenida São João. O custo foi de R$ 4,2 milhões – 1% de todo o valor previsto para o Renova Centro. Será o primeiro prédio a ser reformado, para artistas que recebem hoje de 1 a 3 salários mínimos. Falta ainda a licitação para o início das obras de reforma interior e da fachada, tombada pelo patrimônio histórico. O edifício passará a ser chamado de Recanto dos Artistas. Após a reforma, terá 59 apartamentos de aproximadamente 50m² e um dormitório.

Mais dois edifícios foram desapropriados e estão em fase de licitação para reforma e adequação à moradia popular. Outros 20 são classificados como “em estágio avançado de desapropriação”, o que significa que os proprietários já aceitaram o valor proposto pela Prefeitura. “A promessa é entregar as primeiras unidades até 2012. As aprovações e toda a desapropriação devem ser feitas no menor prazo possível”, disse o secretário de Habitação e presidente da Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab), Ricardo Pereira Leite.

Próximos passos. O prédio Mário de Andrade, na Rua Asdrúbal do Nascimento, receberá famílias carentes. E o Santo André, na Avenida Celso Garcia, será moradia de idosos. Juntos, os três prédios oferecem cerca de 150 apartamentos. Os moradores serão incluídos no programa de locação social da Prefeitura, que administrará os condomínios. Dessa forma, os inquilinos comprometerão em torno de 25% do salário com o aluguel.

“O maior beneficiário vai ser aquele cidadão humilde que precisa da sua casa e até então não teve concretizado esse sonho que é de todo ser humano”, disse, em discurso, Kassab. “São Paulo não tinha uma casa para acolher esses artistas. O prefeito cumpre uma promessa de campanha”, comemorou o ator Odilon Wagner, presidente da Associação dos Produtores Teatrais Independentes de São Paulo.

Crítico. Para o professor Issao Minani, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), atrair moradores de baixa renda para o centro é questionável. “Acho muito difícil você fazer uma revitalização de um conjunto de edifícios sem que isso seja precedido da criação de empregos e renda na região.”

PARA LEMBRAR

Clientes eram funcionários de empresas

A porta de vidro de entrada do Cineasta ainda ostenta o adesivo com o símbolo do hotel. Mas nenhum hóspede entra há cerca de dez anos. O acesso é bloqueado por grades, fechadas com cadeado. O prédio foi construído na década de 20 do século passado. Em entrevista ao Estado em maio de 1996, o então dono do hotel, o português Florival Manuel Francisco, contou que mais 80% dos clientes eram funcionários de empresas. Sacoleiros e casais suspeitos eram impedidos de se hospedar.

As diárias eram de um hotel duas-estrelas: em torno de R$ 300. As 20 suítes, mais espaçosas, contavam com camas de casal, banheira, ar-condicionado, frigobar e televisão. Os demais quartos, 60, diferiam por terem mais camas. O prédio contava com um jardim de inverno e uma sala de estar.

Apesar do fechamento, tudo continua ali: poltronas, camas de madeira, carpete. A diferença, atualmente, é a camada de poeira sobre a mobília e os dois elevadores parados, com a placa de manutenção. A proteção cabe a dois seguranças, mantidos ininterruptamente no local. A principal missão deles é evitar ações de invasores.

Na frente do prédio não há moradores de rua nem consumidores de droga. Quando tentam se acomodar ali, são espantados pelos seguranças.

Felipe Frazão – O Estado de S.Paulo

COLABOROU ELVIS PEREIRA

Sobretaxa: tênis da corrida ficará mais caro

Grandes empresas e Abicalçados travam guerra em torno da sobretaxa do tênis
Empresas e Abicalçados travam guerra em torno da sobretaxa

“Já existe uma infinidade de taxas que encarecem o calçado. Se a ideia é incentivar a indústria nacional, melhor investir em tecnologia, e não em algo que recaia sobre o consumidor” – Marcio Utsch, presidente da Alpargatas

Quem viaja muito aos Estados Unidos já aprendeu a lição: vale sempre a pena dar uma olhada nos preços dos tênis, onde, quase que via de regra, podem custar menos da metade do que é cobrado no Brasil (veja quadro). Agora o que já era caro, pode ficar ainda mais. O governo estuda uma medida para sobretaxar calçados importados do Vietnã, Malásia, Indonésia e Hong Kong. Com o produto da China, isso já ocorre. Além dos 35% de imposto de importação – a alíquota máxima permitida pela Organização Mundial de Comércio (OMC) –, é cobrada sobre cada par que vem de lá uma sobretaxa de 13,85 dólares. A medida afeta todos os tipos de calçado, com pouquíssimas exceções para itens específicos, como produtos para prática de esqui e surfe na neve e para uso médico-hospitalar, entre outros.

Mais uma vez o pleito é da Associação Brasileira de Calçados (Abicalçados). A instituição afirma que, para driblar a sobretaxa sobre os produtos chineses, as indústrias têm feito a chamada triangulação. Trata-se da estratégia de usar partes de tênis provenientes da China e somente montá-los em outra nação da região, que assim exportaria o produto final com valores mais baixos. “Acreditamos que haja triangulação, pois logo após a aplicação da taxa aos calçados chineses, o mercado de calçados da Malásia aumentou”, afirma Admar Schievelbein, consultor de assuntos internacionais da Abicalçados.

O tributo adicional sobre as importações chinesas já havia sido pedido pela Associação em março do ano passado, quando foi registrada uma queixa junto ao governo federal de que tais produtos entravam no país com preços mais baixos que os do mercado de origem – o que configuraria ‘dumping’. A prática estaria prejudicando a indústria nacional. O governo assentiu e a sobretaxa foi aprovada nas importações de calçados chineses pelos próximos cinco anos.

Agora, os produtos importados do Vietnã, Malásia, Indonésia e Hong Kong também correm o risco de pagar a taxa antidumping de 13,85 dólares. Segundo a assessoria da Abicalçados, o pedido foi enviado em janeiro. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) – composta pelos titulares de seis ministérios, entre os quais Fernando Pimentel, do Desenvolvimentno, e Guido Mantega, da Fazenda – tem agora até julho para tomar uma decisão. Se a medida for aprovada, tênis importados como o Air Max 2011 e o Gel Nimbus 12 (veja quadro), produzidos na Malásia e na Indonésia, ficarão ainda mais caros.

info tênis

Consumidor é quem perde – Em reação a essas medidas, grandes empresas do segmento de material esportivo estrangeiras – Nike, Adidas, Puma, Asics, New Balance e Sketchers – e nacionais – Penalty/Cambucy e Alpargatas, que é dona das marcas Rainha e Topper, além de representar a Mizuno no país – uniram-se em setembro de 2010 no Movimento para Livre Escolha (Move). A entidade rivaliza com a Abicalçados na questão referente às taxas cobradas nos calçados esportivos de alta tecnologia. Enquanto a associação do setor quer proteger os interesses da indústria brasileira, o Move afirma ser a favor de oferecer ao consumidor um produto de alta qualidade e tecnologia, por um preço mais justo. “Ao importar um calçado, já estamos expostos a uma quantidade de impostos que beira o absurdo. Ações como essa, de proteção ao mercado dificultam as operações e, é claro, encarecem o produto”, aponta Gumercindo Neto, diretor executivo do Move.

A entidade que reúne as importadoras ressalta que não é contrária a uma investigação de dumping. A reclamação, nesse caso, é que o governo apenas atendeu a um pedido da Abicalçados, sem levar em conta o impacto para o consumidor. Além disso, o pleito da associação teria sido demasiadamente abrangente, envolvendo produtos os mais diferentes. O Move ressalta que a indústria brasileira é competitiva em uma série de artigos do setor calçadista. Não seria à toa, portanto, que se destaca enquanto um importante exportador. Muitas linhas de produtos de suas associadas são, inclusive, fabricados no país. Por outro lado, diz o Move, o Brasil não tem escala e tecnologia para concorrer com as asiáticas no segmento de ‘alta performance’. Por fim, a entidade e alguns especialistas do setor avaliam que a China e seus pares do Sudeste asiático não praticam no exterior preços inferiores aos de seus mercados domésticos. “Não acredito que exista dumping neste caso”, afirma Dirceu Antonio Marques, professor da escola de negócios Trevisan.

Única beneficiada: a Vulcabrás – Mesmo que esse seja o caso, especialistas indicam que a atitude mais acertada seria apelar para os meios legais, e não simplesmente infringir outra sobretaxação. Apesar de a medida envolver outros tipos de calçados, a briga se dá mesmo no campo dos tênis. “Não há dumping nenhum na história. A medida foi única e exclusivamente tomada para proteger o mercado nacional. A única empresa que se beneficia disso é a Vulcabrás, que produz tênis no Brasil, e toma uma posição, através da Abicalçados, de quem quer fechar o mercado”, afirma uma fonte ligada ao caso.

O presidente da Vulcabrás – que detém as marcas Azaleia e Olympikus e os direitos da Reebok no país – é o executivo Milton Cardoso, que também preside a associação. Ironicamente, procurado pela reportagem, o empresário estava na Índia, onde a Vulcabrás acaba de comprar uma fábrica para produzir cabedais (a parte do tênis que recobre o pé) – ou seja, o mesmo empresário que pleiteia medidas de proteção de mercado junto ao governo resolve investir em uma produção na Ásia, porém, sabiamente, em um país que não há risco de restrições.

“O consumidor tem o direito de comprar os melhores produtos pelo melhor preço possível”, disse Marcio Utsch, presidente da Alpargatas. “Já existe uma infinidade de taxas que encarecem o calçado. Se a ideia é incentivar a indústria nacional, melhor investir em tecnologia, e não em algo que recaia sobre o consumidor”, completa. Ao fim, quem paga pela briga é mesmo quem compra tênis, em especial os praticantes de corrida, que, por recomendações médicas, devem trocar de tênis a cada três ou quatro meses para evitar lesões ao se exercitar.

(Bia Parreiras/Viagem e Turismo)

Veja

Camara gasta 25 toneladas de açucar em 2 meses

A Câmara Federal está repondo seus colossais estoques de café e açúcar: vai comprar 25 toneladas de açúcar cristal (para dois meses) por R$ 56,5 mil.

Já café torrado e moído, por um ano, a Casa está comprando 54,8 toneladas por R$ 508 mil.

Para quem gosta de contas: dá nada menos do que 225 quilos de café por dia, sem contar finais de semana.

GibaUm

Carros elétricos poderão matar mais

Nos EUA, lei obriga automóveis elétricos a produzir ruído para alertar os pedestres e diminuir os riscos de um acidente.

Grupo de trabalho das Nações Unidas quer agora uniformizar o barulho emitido pelos motores.

Carros elétricos silenciosos serão em breve coisa do passado nos Estados Unidos. O motivo é uma lei para melhorar a segurança dos pedestres, sancionada em janeiro de 2011 pelo presidente Barack Obama. A lei obriga automóveis elétricos e híbridos a gerarem um mínimo de ruído, como forma de aviso sonoro para cegos, deficientes visuais e transeuntes idosos.

Segundo estudos da autoridade de segurança do trânsito dos Estados Unidos (NHTSA), a probabilidade que ocorra uma acidente grave com um automóvel híbrido silencioso é duas vezes maior do que com um carro com motor de combustão convencional.

O número assusta até os mais fervorosos defensores da eletromobilidade na Alemanha. O governo em Berlim pretende, até 2020, colocar ao menos um milhão de carros elétricos nas ruass e estradas do país. Caso nenhuma providência seja tomada, é possível que a segurança do trânsito venha realmente a ser comprometida, afirma o professor de acústica Wolfgang Foken, da Universidade de Zwickau.

“Eu presumo que o risco de acidentes com carros elétricos certamente vai aumentar.” O engenheiro especializado em acústica de automóveis afirma, no entanto, que isso não vale para todas as situações no trânsito. “Carros elétricos são muito silenciosos principalmente na hora de dar a partida, no acionamento da marcha à ré ou para estacionar. Em todas as manobras feitas abaixo de 25 km/h o ruído é quase nenhum”, diz Foken.

Por esse motivo, associações de cegos nos EUA defendem a obrigatoriedade da emissão de ruídos, e não são poucos os fabricantes de automóveis que já trabalham no desenvolvimento de ruídos artificiais. Já disponível no mercado, o carro elétrico Leaf, da Nissan, vem equipado com um gerador de som no compartimento do motor. Da mesma forma, o Prius, veículo híbrido da Toyota, produz ruídos desenvolvidos por designers de som.

Para que as montadoras não exagerem, há até mesmo um grupo de trabalho sobre o tema nas Nações Unidas em Genebra. Os funcionários da ONU estão definindo normas que deverão ser aplicadas a todos os veículos movidos à energia elétrica – sejam eles motocicletas, automóveis, caminhões ou ônibus.O principal objetivo dos inspetores da ONU: o novo som dos carros elétricos deve ser uniforme. Ruídos artificiais incomuns poderiam antes assustar do que alertar os cegos.
Rosana Paula/Blog do Zequinha

Roubos e assaltos são descontados de funcionários

Denúncias feitas por funcionários que têm o salário reduzido em casos de furtos são comuns

Deu no jornal Pioneiro

Em Caxias do Sul, há duas semanas, dois criminosos invadiram uma farmácia no bairro São Pelegrino, apontaram armas para a cabeça de funcionários e levaram dinheiro do caixa. Mas o trauma dos trabalhadores não parou por aí. Dois dias depois, eles foram comunicados por seus superiores de que teriam de ressarcir o prejuízo do roubo, cerca de R$ 1,7 mil.

Cobrar dos funcionários o que é roubado por ladrões não é uma prática rara na cidade. No caso acima, oito empregados denunciaram a conduta dos proprietários do estabelecimento ao Sindicato dos Comerciários e ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

De acordo com o gerente regional do MTE em Caxias, Vanius João Corte, em média duas denúncias por mês são feitas ao órgão referente à cobrança indevida por furto, roubo ou sumiço de mercadoria.

O MTE chamou os responsáveis do estabelecimento para uma conversa e alertou sobre a irregularidade. Eles negam ter dito aos empregados que descontariam o prejuízo de seus salários. Enquanto não há o desconto, a irregularidade não existe.

– A gente fica sem saber se vai ser cobrado ou não – explica Corte.

A dificuldade, segundo ele, é comprovar a irregularidade. Em casos como esse, as empresas costumam fazer com que o empregado assine um recibo de adiantamento de salário. Só que isso será uma estratégia para justificar o desconto no final do mês.

O MTE tem atuação fiscalizadora. Esse tipo de cobrança por parte das empresas pode caracterizar-se como assédio moral, segundo Corte. Havendo a comprovação da irregularidade, a empresa é notificada a devolver o dinheiro, e pode ser autuada.

O órgão pode fazer representação ao Ministério Público do Trabalho quando a ilegalidade é comprovada.

– Infelizmente, não é uma prática incomum, são relações de trabalho mais atrasadas. Ocorrem em postos de combustíveis, quando frentistas são assaltados e os proprietários cobram dos funcionários, ocorrem em mercados e em algumas lojas, diante do sumiço de mercadorias. O risco da atividade econômica é do empregador, não pode transferir para o empregado. Não se pode responsabilizar alguém sem ter a comprovação da participação nisso. O vendedor não é responsável pela segurança– explica.

– Quando a empresa é alvo de furto, roubo ou desaparecimento de mercadoria causado por terceiros, o funcionário não pode ser responsabilizado pelo dano
– Algumas empresas descontam ilegalmente dos vencimentos dos empregados forjando um recibo de pagamento adiantado de parte do salário
– O funcionário não deve assinar nenhum documento que não especifique exatamente o motivo real do desconto
– Esse tipo de irregularidade deve ser denunciado ao Ministério do Trabalho (Rua Bento Gonçalves, 2.621). Os telefones para fazer reclamações ou denúncias são (54) 3221.3116 e 3221.3306

Rombo do afano de Lalau já passa de R$1,1 bi

A recuperação da quantia milionária desviada na construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, escândalo da década de 1990, está longe de chegar ao fim.

Em 2001, o rombo no episódio envolvendo o então senador Luiz Estevão (foto) e o juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, foi avaliado em R$ 169,5 milhões pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Dez anos depois, chega a R$ 1,1 bilhão, sendo que apenas R$ 50 milhões foram recuperados, cerca de 4,5% do total da dívida.

No processo principal de execução contra o grupo, foram penhorados 1.255 imóveis. Entretanto, a grande maioria deles não é o alvo de reclamação porque é ocupada, o que dificulta a liberação na Justiça.

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