Arquivo do dia: abril 10, 2011

Jornalista Reali Jr: um grande correspondente de vida

Ao som de uma antiga transmissão sua, diretamente das margens do Sena,  na Masion de la Radio, o corpo do jornalista Reali Júnior foi cremado neste domingo, às 16h30, no cemiterio da Vila Alpina, em São Paulo. Colegas, jornalistas, empresários e políticos compareceram ao velório e à cremação.

Aos 71 anos, o jornalista Elpídio Reali Júnior morreu de enfarte neste sábado, às 8h, em sua casa em São Paulo. Correspondente em Paris durante quase 38 anos, Reali Júnior começou a trabalhar como repórter da Rádio Jovem Pan aos 16 anos de idade.

Descrever e analisar os acontecimentos da França e de outros países por onde andou com os olhos de um repórter brasileiro sempre foi uma preocupação de Reali. Em Paris, ele cobria mais os fatos do dia a dia, ou fazia artigos especiais sobre eles, enquanto outro correspondente do Estado, o intelectual e escritor premiado Gilles Lapouge, escrevia análises. Os dois sempre se entenderam muito bem. Telefonavam-se todos os dias para comentar o que estava acontecendo e combinar o que escrever.

Como correspondente 24 horas à disposição da Rádio Jovem Pan e do Estado, era Reali quem mais viajava, tanto pelo interior da França como para outros países. Numa época de telecomunicações ainda precárias, transmitia o material por cabines públicas de telefone e brigava com os colegas por um terminal de telex. Não havia internet, as ligações telefônicas com o Brasil dependiam de tempo e sorte. Como também não existiam cartões de crédito, o repórter era obrigado a carregar dólares no bolso.

Sua História:

O adolescente que entrava no gramado para entrevistar os jogadores de futebol com um enorme gravador nas mãos ganhou o apelido de Repórter Canarinho que logo lhe deu projeção Brasil afora.     Nascido em 1939 em Bauru, onde passou os primeiros anos da infância, sempre manteve elos com a cidade natal. Foi ali que conheceu Pelé, o menino Édson Arantes do Nascimento que se destacava no Baquinho, time infantil do Bauru Atlético Cube. Reali era filho de pai de raízes italianas e de mãe descendente de baianos, família de costumes rurais na fazenda Tibiriçá, sustento da família.

Depois de fazer o primeiro ano do curso primário em Santos, onde seu pai, Elpídio Reali, delegado de polícia e mais tarde secretário estadual de Segurança trabalhou, Reali mudou-se para São Paulo, na Vila Nova Conceição, então um bairro de chácaras de legumes e flores. “Minha turma era da pá virada”, contou o jornalista em depoimento a Gianni Carta em gravação para o livro Às Margens do Sena (Ediouro, 2007), lembrando a disputa da criançada na caça aos balões que caíam num eucaliptal da Avenida Indianópolis. Era o goleiro do time de futebol de rua – “não era um craque, mas era o dono da bola”.

Ao conseguir o emprego na Jovem Pan, então Rádio Pan-Americana, já estava pensando em se casar. Casaram-se em janeiro de 1961 e já tinham suas quatro filhas – Luciana, Adriana, Cristiana e Mariana – quando se mudaram para a França.

Reali era repórter de rádio, mas trabalhou também em jornais e participou de programas de televisão. Seu primeiro jornal foi o carioca Correio da Manhã, sucursal de São Paulo. Depois foi para a sucursal de O Globo e escreveu para os Diários Associados, sem nunca abandonar a Jovem Pan. Na madrugada de 1.º de abril de 1964, no golpe militar, estava ao lado do governador Ademar de Barros no Palácio dos Campos Elísios – um dos poucos repórteres que conseguiram entrar. Nos anos seguintes acompanhou todos os principais fatos políticos do País, ao mesmo tempo que cobria outros assuntos.

Morre a empresária artística Tia Lea Millon, que trabalhou com Caetano Veloso e Gilberto Gil

Morreu neste domingo, na Casa de Saúde São José, no Humaitá, a empresária artística Lea Millon, que trabalhou com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia…

Na letra da música W Brasil (1990), Jorge Ben Jor citou a empresária nos versos surrealistas “Alô, alô, Tia Lea / Se tiver ventando muito, não venha de helicóptero”.

Tia Lea, como era conhecida, tinha 81 anos estava hospitalizada desde o dia 28 de fevereiro, quando passou por uma cirurgia para corrigir uma fratura no fêmur, ocorrida após uma queda em uma calçada no Leblon. Durante a internação, ela sofreu um AVC, levando a complicações que causaram sua morte.

O velório acontece neste domingo, a partir das 16h, no Memorial do Carmo, no Caju. O corpo será cremado na segunda-feira, em horário não divulgado.

Lea Millon começou a trabalhar como empresária artística no final dos anos 1960, para ajudar as suas sobrinhas, Dedé e Sandra Gadelha, e seus então respectivos maridos, Caetano Veloso e Gilberto Gil, que estavam exilados em Londres. Lea esteve por trás também da reunião de Gal, Bethânia, Gil e Caetano nos Doces Bárbaros, em 1976.

De família grande, Gadelha era seu nome de solteira, com raízes no Ceará – apesar de nascida em Rio Branco, no Acre, onde, na infância, antes de se mudar para Salvador, foi vizinha de João Donato -, ela também é tia da atriz Patrícia Pillar e das cantoras Marina Lima e Luiza Possi (esta, filha de seu sobrinho, o produtor Liber Gadelha, com a cantora Zizi Possi). Após esse começo improvisado, movido pelo endurecimento da ditadura militar, ela tomou gosto pela coisa. Trocou a vida de dona-de-casa pela de empresária e produtora, virando uma eminência parda da MPB.

Querida no meio musical, onde era tratada por todos como Tia Lea, foi imortalizada por Jorge Ben Jor em verso do sucesso “W/Brasil (Chama o síndico)”: “Alô, alô, Tia Lea / Se tiver ventando muito, não venha de helicóptero”.

Em 2007, Lea Gadelha Millon foi homenageada em Roma, na abertura da série “Brasil memórias”, no Teatro Sistina, evento organizado pela Associazione Culturale Italo-Brasiliana Vinicius de Moraes.

Modelo brasileira morre ao cair do 15° andar em Lisboa

A modelo brasileira Jeniffer Viturino, de 17 anos, morreu ontem em Lisboa, capital portuguesa. Segundo o jornal Correio da Manhã, a modelo caiu do 15º andar prédio da Torre de São Rafael, no Parque das Nações, em Lisboa, propriedade do namorado,o empresário Miguel Alves da Silva com quem vivia neste bairro de classe média alta da cidade.

De acordo com a mãe da modelo, ele contou que os dois haviam terminado o relacionamento amoroso naquela noite e dormido separados – a jovem tinha ficado na sala, e ele, no quarto. “Jamais eu imagino que ela tenha se suicidado, não passa pela minha cabeça”, disse Girley Viturino Silva, o pai, que mora em Vitória (ES). Segundo ele, a jovem era inteligente, responsável e não tinha vícios.

O corpo dela foi encontrado por volta de 7h30min da manhã de ontem (horário local) pelos seguranças do prédio. A Polícia Científica fez perícia no local e a Polícia Judiciária investiga a morte da modelo.

Segundo o Correio da Manhã, Jeniffer teria deixado um bilhete para família em que afirmava querer colocar fim à vida por não aguentar mais a violência do namorado.

Namorados
Jeniffer e o namorado se conheceram em 2009, segundo a mãe da jovem, em um evento de moda no Algarve – região no sul de Portugal. A modelo, então, largou do namorado da época e começou a sair apenas com ele. O relacionamento dos dois era estável, e o homem frequentava a casa e eventos sociais da família da capixaba. A jovem dormia sempre na casa dele.

“A semana passada ela passou praticamente toda lá. Essa semana, a última dela, (ela foi) segunda, terça, quarta. Quinta foi a última noite”, conta a mãe. “Ele esteve aqui na semana passada, veio conhecer a casa. Ele era uma pessoa fina”, diz Solange. A família havia se mudado 15 dias antes para um apartamento na região do Lumiar, de classe média, no limite norte de Lisboa.

No dia seguinte, Solange recebeu um telefonema do namorado, contando que “uma grande tragédia” tinha acontecido com a jovem. A ligação ocorreu por volta do meio-dia, tendo o corpo sido encontrado por volta das 7h20. “Ele disse: ‘ela saltou daqui de casa, da porta da sala’”, diz Solange.

Segundo a mãe, o namorado afirmou não saber o que tinha acontecido, já que havia dormido no quarto, e que tinha posto um ponto final no relacionamento. Ainda de acordo com a familiar, o namorado contou que queria levar a jovem para casa, mas Jennifer insistiu em dormir no apartamento.

Segundo a mãe, a menina sabia que o namorado tinha relacionamento com outras mulheres, mas dizia que lidava bem com isso. “Ele levava ela para todos os lugares. Só não levava quando estava com as outras. Mas ela sabia.”, diz Solange.

Embora o caso entre os dois fosse considerado pacífico, no ano passado a jovem contou à mãe ter sido agredida. Solange, porém, diz que Jeniffer não lhe mostrou quaisquer sinais de no corpo, dizendo apenas que estava dolorida e com alguma vermelhidão. “Houve uma festa e acho que ele tomou alguns copos e agrediu ela. Eu perguntei se ela queria ir à polícia e ela disse ‘não mãe, a senhora sabe que eu sou menor’ e se eu for a polícia as coisas podem complicar para o Miguel’.”

Enterro em Portugal
O corpo deve ser enterrado em Portugal, segundo a família. Jeniffer havia chegado ao país em 2007, junto com o irmão Johnatan, de 19 anos, para viver com a mãe, que já estava no país desde 2005. A família nunca regressou ao Brasil nem pretende voltar.

Além de fazer um curso técnico na área de computação, a menina estava iniciando a carreira de modelo, segundo a mãe. “A carreira dela estava começando a deslanchar.” Na quarta-feira, Jeniffer havia feito um desfile para uma marca de cosméticos. Em 2009, ela ganhou o título de Miss Póvoa de Santo Adrião, um povoado na área metropolitana de Lisboa.

Na véspera da morte, contou que iria para a cidade italiana de Milão, onde ela se apresentaria em uma agência de modelos.

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