Saúde: Descoberta proteína ligada a distúrbios do autismo


Uma investigação feita por cientistas portugueses e norte-americanos indica que os distúrbios de comportamento ligados ao autismo podem ser desencadeados por uma proteína integrada no processo de comunicação entre neuronios (sinapses).

O gene que controla a produção da proteína Shank3 foi mutado num grupo de ratos de laboratório. “O que observamos é que os ratinhos com Shank3 mutado exibem comportamentos repetitivos, mostram altos níveis de ‘ansiedade’ e evitam o contacto social com outros ratinhos”, explicou ao jornal Público a investigadora Cátia Feliciano.

Espera-se que esta descoberta leve à criação dos primeiros medicamentos eficazes no controle do autismo, explica João Peça, outros dos investigadores lusos envolvidos no estudo, já publicado na revista Nature.

“Em termos de tratamento será agora importante identificar se efetivamente disfunções no striatum [área do cérebro mais afetada nos animais analisados] são um ponto em comum no autismo. Um dos principais focos da nossa investigação será perceber como modular este circuito”, acrescenta.

A equipe de especialistas vai prosseguir a investigação em ratos de laboratório, estando ainda distante a possibilidade de replicá-la em humanos.

Segundo a Federação Portuguesa de Autismo, por cada 10 mil pessoas, 10 têm autismo e 2,5 têm síndrome de Asperger. Estudos desenvolvidos em Portugal apontam para números semelhantes [dados referentes a 2006].

As perturbações do espectro do autismo incluem uma série de distúrbios, como deficiências na comunicação e ao nível das interações sociais, interesses restritivos e comportamentos repetitivos.

No fim de março, numa conferência em Brasília, médicos e cientistas brasileiros e estadunidenses foram praticamente unânimes ao reforçar a nova tese. Segundo eles, os autistas têm muita dificuldade de eliminar toxinas do organismo, e a situação seria agravada por uma disfunção gastrointestinal que facilita a absorção de toxinas pelo intestino, fazendo com que entrem na corrente sanguínea chegando ao cérebro, o que justificaria o comportamento autístico.
Vários níveis
O autismo faz parte de um grupo de desordens do cérebro chamado de Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID) – também conhecido como Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD). Para muitos, o autismo remete à imagem dos casos mais graves, mas há vários níveis dentro do espectro autista. Nos limites dessa variação, há desde casos com sérios comprometimentos do cérebro a raros casos com diversas habilidades mentais, com a Síndrome de Asperger (um tipo leve de autismo) – atribuído inclusive a aos gênios Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Mozart e Einstein.
A medicina e a ciência de um modo geral sabem muito pouco sobre o autismo, descrito pela primeira vez em 1943 e somente 1993 incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID 10) da Organização Mundial da Saúde como um transtorno invasivo do desenvolvimento. Muitas pesquisas ao redor do mundo tentam descobrir causas, intervenções mais eficazes e a tão esperada cura. Atualmente diversos tratamentos podem tornar a qualidade de vida da pessoa com autismo sensivelmente melhor.

Para este ano haverá, entre outros eventos promovidos pela ONU, o lançamento do documentário “A Mother’s Courage: Talking Back to Autism” (Coragem de mãe: falando sobre o autismo, em tradução livre), narrado pela premiada atriz Kate Winslet (de Titanic). O filme fala sobre uma mãe islandesa que viaja para os Estados Unidos em busca de novas terapias para o filho que é autista. E no dia 22, a ONU promoverá um painel de discussão no Catar, conduzido por Jazeera Riz Al Khan, com pais, terapeutas e outros profissionais envolvidos com o tema “O Impacto do Autismo na Família”.

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