Conheça a cantora brasileira que encantou Paul McCartney


“E se Paul McCartney me chamasse para cantar para ele? Só para ele?” A cantora paulista Izzy Gordon se perguntou isso, meio que sonhando, enquanto fazia esteira numa academia de ginástica. Claro, seria uma loucura. Afinal, ela já havia cantado para Bono Vox em 2008, e um raio não iria cair duas vezes em sua cabeça. Minutos depois, o celular toca. Era o raio de novo. “Estão querendo você para um show no bar do Hotel Hyatt. Dizem que é para um estrangeiro, deve ser o Paul McCartney”, falou seu produtor.

Izzy e banda seguiram para o Upstairs Bar, do Hyatt, por volta das 22h30 de sábado. Seu nome fora indicado pelo próprio hotel para divertir McCartney e sua mulher Nancy, que fazia aniversário. E ela começou com ‘Parabéns a Você’ em ritmo de samba. Depois de ‘Chega de Saudade’ e ‘O Morro Não Tem Vez’, de Tom Jobim, além de uma música de seu repertório, ‘De Cada Lado’.

Sentado ali à sua frente com Nancy no colo, o ex-beatle parecia gostar bastante. “Ele olhava para você como olhava para o John Lennon”, exagerou o empolgado Bocato, trombonista que tocou com a cantora.

Paul foi para o meio da pista do bar, dançou com a namorada, sambou duro, mas sambou. Brincou com os músicos e cantou abraçado com Izzy ‘É com Esse Que Eu Vou’. Izzy fez um segundo ‘Parabéns a Você’ para Nancy, e nesse momento Paul foi a seu ouvido cochichar: “Cante também para o Sidney, o Sidney.” Quem? “Sy-d-ney”, soletrava Paul. O bendito Sidney era um integrante da equipe dele.

O cachê normal de Izzy é R$ 10 mil. Mas McCartney pechinchou. E fechou em R$ 7 mil.

Izzy Gordon cresceu ouvindo jazz e muita música brasileira. De uma família musical, a cantora paulista, filha de Dave Gordon e sobrinha de Dolores Duran, conviveu ouvindo e vendo em sua casa, nomes como Jair Rodrigues, Tim Maia, César Camargo Mariano, Rita Lee, Wilson Simonal, Cassiano, Marisa Gata Manso e muitos outros, que de repente apareciam em sua casa com seu pai, para conversas e jam sessions no piano que ela estudava.

Iniciou sua carreira dando canjas em casas noturnas onde seu pai trabalhava. Mas confirmou seu talento como cantora no musical: “Emoções Baratas”, do diretor José Possi Neto. Com o musical viajou para Curitiba e Porto Alegre. Ainda com José Possi, fez o show da entrega do prêmio Sharp para o Teatro Brasileiro, ao lado de Beatriz Segal e Eva Wilma.

Fez parte da primeira formação do Grêmio Recreativo Amigos do Samba Rock Funk Soul, com Skowa. Com o Grêmio gravou o disco Via Paulista (Sesc Pompéia), ao lado de Jorge Benjor. Também com o Grêmio, fez shows com Ed Motta e gravou o disco 23 de Jorge Benjor, com quem fez uma rápida turnê como backing vocal.

Fez dois musicais com o irmão Tony Gordon: Mr Jazz, com direção de Luis Carlos Miélli e a Tradicional Jazz Band, e Whats on in London, com Christianne Neves.

Izzy se tornou eclética e tem participado de festivais de Jazz & Blues em diversos cantos do Brasil. O Festival mais inusitado aconteceu no carnaval de 2003, no Ceará, na cidade de Guaramiranga, onde também se apresentava Duofel, Tradicional Jazz Band e Hermeto Pascoal. Também em 2003, participou ao lado do irmão Tony Gordon do VI Visa Búzios Jazz & Blues.

Entre seus últimos trabalhos, Izzy recebeu elogios de ninguém menos que Quincy Jones (que já produziu artistas tão diversos como a jazzista Sarah Vaughan e o rei do pop Michael Jackson, entre outros) e toda produção do U2, incluindo o Bono Vox. Izzy fez dois shows exclusivos para a Banda U2 no Hotel Hyatt em SP.

Júlio Maria/BlogEstadão

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