Escritora Anne Rice abandona o cristianismo


A escritora Anne Rice, de 68 anos, anunciou dia 28 em sua conta no Facebook que abandonou o cristianismo. Ela diz que se recusa a ser “antigay (…) e antifeminista” e ainda “anticontrole artificial de natalidade”.

“Em nome de (…) Cristo, eu deixo o cristianismo e de ser cristã. Amém”, completou.

O agente dela, Alfred A. Knopf, confirmou nesta quinta-feira (29) que o post foi feito por Rice.

A escritora ficou famosa como autora de “Entrevista com o vampiro” e por outros romances sobrenaturais. Criada em uma família católica, Rice rejeitou a igreja quando era jovem, mas voltou ao catolicismo na década passada e publicou livros como “Cristo senhor – A saída para o Egito”, lançado no Brasil em 2007.

Em uma entrevista à agência Associated Press em 2008, Rice contou que sua volta à fé foi precedida de uma série de epifanias, muitas delas durante viagens pelas catedrais da Europa, Israel e Brasil. Certa vez, quando visitou a estátua gigante de Cristo Redentor no Rio de Janeiro, ela relata que sentiu “delírio” e que as nuvens se abriram para revelar a estátua.

Na época, declarou que rompeu completamente com o ateísmo em 2002, após a morte do marido Stan Rice por um tumor cerebral e após se tornar diabética.

Ela começou a escrever livros sobre a vida de Cristo, e declarou que seu objetivo era “simples”. “Quero escrever livros sobre nosso Senhor vivendo na Terra e fazê-lo real para as pessoas que não acreditem nele; ou pessoas que nunca tentaram acreditar”, explica. E reforça: “Eu tornei os vampiros em algo crível para mulheres adultas. Agora, se eu pude fazer isso, eu posso fazer nosso Senhor Jesus Cristo crível para as pessoas que nunca acreditaram. Espero e rezo [para isso].”

 

Em 2002, Rice rompeu completamente com o ateísmo – aproximadamente quatro décadas depois de ter abandonado sua fé católica, nos anos 1960. Aconteceu quando ela foi para a faculdade e encontrou seus colegas falando sobre existencialismo – Martin Heidegger, Albert Camus, Jean Paul Sartre. Religião, escreve ela, era muito restritiva para a jovem Rice. Muito fora dos tempos.

Ainda assim, escreve, a religião teve de voltar à sua vida, como se para se confrontar outra vez com um pai ausente ou um amor de infância há muito perdido.

No final dos anos 1990, quando voltou para Massachussets, Rice – a autora cujos livros venderam dezenas de milhões e que realimentaram o apetite de Hollywood pelo horror de vampiros – passou por tempos difíceis. Seu marido, poeta e artista, Stan Rice, morreu de um tumor cerebral em 2002. E ela se tornou diabética.

Conversão no Rio

Sempre enfática e para além do racional, Rice escreve que sua volta à fé foi precedida de uma série de epifanias, muitas delas durante viagens pelas catedrais da Europa, Israel e Brasil. Certa vez, quando visitou a estátua gigante de Cristo Redentor no Rio de Janeiro, ela relata que sentiu “delírio” e que as nuvens se abriram para revelar a estátua.

As supostas revelações remontam à infância religiosa da escritora, que diz que queria ser santa. Aos 12 anos, católica fervorosa, ela pediu ao pai para transformar os fundas de sua casa, em Nova Orleans, em um oratório dedicado à Santa Rosa de Lima – santa que os católicos acreditam que transformasse rosas em cruzes.

De certo modo, seu livro de memórias é também é confessional, ao tratar de sua luta para se tornar uma autora com um estilo literário distinto. Para muitos críticos, suas histórias são intermináveis, escritas de maneira feia e confusa, um pastiche de clichês. E a mudança de rumo – da ficção vampírica para a literatura cristã – ainda não conquistou os detratores.

Rice, no entanto, não está aí para impressionar os críticos. ”Meu objetivo é simples: escrever livos sobre nosso Senhor vivendo na Terra e fazê-lo real para as pessoas que não acreditem nele; ou pessoas que nunca tentaram acreditar”, diz. E reforça: “Eu tornei os vampiros em algo crível para mulheres adultas. Agora, se eu pude fazer isso, eu posso fazer nosso Senhor Jesus Cristo crível para as pessoas que nunca acreditaram. Espero e rezo [para isso].”

G1

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