Vice José Alencar obrigado a reconhecer paternidade


O juiz José Antônio de Oliveira Cordeiro decidiu que o vice-presidente e industrial José Alencar é mesmo o pai de uma professora de 55 anos, nascida em Caratinga (MG), e determinou que adote o sobrenome paterno e passe a se chamar Rosimary de Morais Gomes da Silva. O processo de investigação de paternidade se arrastou desde 2001 e foi doloroso, com alegações sobre a conduta moral da mãe da professora.

José Alencar alegou que em 1954, quando Rosemary nasceu, ele teve apenas “namoro de menino”. O caso se deu antes do casamento dele.

José Alencar recusou o exame de DNA ordenado pela Justiça, para protelar o caso. Sua atitude foi considerada confissão de paternidade.

Uma peça curiosa no processo de investigação de paternidade foi um casaco de José Alencar, guardado pela ex-amante, desde seu sumiço.

A História:

Em 1996, Rosemary (foto), que foi criada pelos avós maternos, soube da mãe que era filha de José Alencar. A revelação foi feita três meses após a avó falecer. “Minha mãe tinha ficado doente e me chamou para conversar. Ela me mostrou a foto de um homem no jornal e disse que ele era meu irmão. Eu perguntei “mãe, você teve filho com outro homem?”, e ela respondeu que não. Que aquele homem do jornal era filho do José Alencar, meu pai”, lembra.

Segundo Rosemary, a mãe contou que teve um relacionamento com José Alencar quando nenhum dos dois era casado. “Quando a minha mãe me falou, um amigo da família confirmou a história e disse para eu aproveitar que ele estaria na cidade em campanha para o Senado e procurá-lo”.
Quando Alencar chegou em Caratinga, Rosemary foi ao seu encontro, mas em meio ao tumulto dos eleitores, não conseguiu se aproximar. “Fui até a rádio onde ele deu uma entrevista e lá consegui dizer que eu era sua suposta filha. Ele ficou surpreso e disse que estava disposto a me dar toda atenção. Só que nunca mais me ouviu”. Depois desse encontro, ela só o viu pessoalmente durante a campanha eleitoral ao governo Federal.
Para entrar na Justiça, Rosemary teve que abrir mão do sobrenome Neves, que o pai adotivo lhe deu. “Meu pai ficou muito chateado comigo, mas disse que era meu direito correr atrás da verdade”. Hoje o pai adotivo de Rosemary tem 75 anos. Já sua mãe, Francisca Nicolina de Morais, morreu há seis meses, aos 82 anos, vítima de câncer.

A professora aposentada ainda não acredita que o vice-presidente a reconhecerá como filha. “Eu tenho medo que gaste mais outro tanto tempo de briga na Justiça. Eu não quero nada daquilo que ele pensa que eu tenho direito. Eu só quero a minha casa e uma poupança para eu tocar minha vida e terminar a minha velhice bem”, afirma.

Ao ser questionada sobre o drama que Alencar enfrenta contra o câncer, Rosemary revela que se sente admirada, como a maioria dos brasileiros, e faz um desabafo: “Eu admiro muito ele, até certo ponto. A força, a fé que ele tem. Por outro lado, quando ouço uma pessoa falar bem dele, do caráter dele, eu fico triste ao lembrar que ele tem essa postura de se negar a conceber a verdade. Pelo fato de nunca ter ouvido meu lado

Segundo uma fonte da Justiça, José Alencar se negou a fazer o exame de DNA, mas várias testemunhas e outras provas anexadas ao processo levaram o juiz da Vara Cível de Caratinga, José Antônio Oliveira Cordeiro, determinar o reconhecimento da paternidade. A sentença foi dada nesta quarta-feira (21), a 15 dias de prazo para a apresentação de recurso.

Fonte: O Tempo online – Foto: Gladston Miranda Neves

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