Governo volta pra casa


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Leandro Mazzini JB

Um turista de primeira visita não notaria grandes diferenças, na Praça dos Três Poderes em Brasília, ao admirar os dois palácios com estruturas similares frontalmente opostos. Mas as histórias distintas de ambos – a sede do Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto – se sobrepõem à arquitetura. O parlatório presidencial do Planalto desnudou-se novamente aos olhares dos passantes, depois de mais de um ano de obras de reforma cujos tapumes na fachada ocultaram a sede do Poder Executivo.

Eis a volta, com retoques de requinte, e uma conta milionária. Nada menos que R$ 98 milhões – o projeto original previa R$ 78 milhões – investidos para que o inquilino e assessores possam usufruir, a partir de julho, da estrutura high tech de comunicação acoplada ao belo e restaurado conjunto arquitetônico de Oscar Niemeyer. O poder volta para casa.
Em tempos modernos, tornou-se necessária a implantação de uma rede de comunicações sem fio para internet e outra intramuros para sofisticada telefonia – algo impensável em 1960, quando foi erguido. Passado meio século, uma certeza: incomunicável, o presidente da República não fica. Blindado, sim. E literalmente. Tratou-se de revestir todos os janelões do palácio com vidros blindados contra tiros de arma de grosso calibre. Principalmente os do gabinete do chefe-da-nação. O espelho d’água externo, projetado no térreo por Niemeyer em 1990, foi preservado para evitar aproximações hostis, como a do motorista do ônibus em 1989 que tentou invadir a sede do governo.

Necessária, segurança foi palavra recorrente no vocabulário dos engenheiros na reforma. Para apoio aos desatentos, a rampa interna em contorno que liga os segundo e terceiro andares ganhou um corrimão. Alguém só despenca dali por empurrão “amigo”.

Houve, no entanto, no vaivém de marretas empunhadas e tapumes erguidos, uma revelação nos subterrâneos do poder. Há anos, talvez décadas, móveis de fino trato – alguns produzidos especialmente para o palácio – sucumbiam na garagem do palácio. Como cadeiras criadas pelo designer Sérgio Rodrigues. Até a descoberta, muitos já haviam sido doados ou vendidos em leilões de antiquários. Encampou-se ali, fora das pranchetas, uma luta no papel para ressuscitar o patrimônio literalmente tombado. Para resgatar os encontrados, foi criada uma oficina com jovens marceneiros, projeto da curadoria do restauro do palácio e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Até julho, eles voltam a enfeitar galarias do Planalto.

Galerias estas mais amplas. Os corredores ganharam mais espaço para melhor passagem dos funcionários. Fez-se também a troca de instalações elétrica, hidráulica, sanitária, sistemas de incêndio e ar condicionado. E foram investidos R$ 3 milhões para compra de mais mobiliário adequados à restauração.

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