Arquivo do mês: maio 2010

Império em litígio: Adriano e Love brigam


Imperador teria expulsado o ex-companheiro de Flamengo de uma festa em seu apartamento por causa de uma mulher

Depois da separação amigável no campo esportivo, o Império do Amor acabou com um divórcio litigioso fora dele. Segundo o colunista Ancelmo Gois, do Jornal “O Globo”, Adriano e Vagner Love brigaram feio na sexta-feira por causa de uma mulher na festa de despedida do Imperador, que rescindiu seu contrato com o Flamengo para jogar no Roma, da Itália.

Diz o colunista que Vagner Love foi expulso por Adriano de sua casa. Love teria saído chorando do condomínio onde o ex-companheiro de ataque mora, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

Telebrás pagou R$ 210 mi a mais por indenização


Ré no mesmo processo, Embratel fechou acordo por R$ 44 mi, enquanto estatal aceitou pagar R$ 253,9 mi

Ação foi movida por um amigo do ex-ministro Hélio Costa (PMDB); ex-dirigente da Telebrás diz que ignorava acordo

Contrato confidencial obtido pela Folha prova, quatro anos depois, que a Telebrás pagou R$ 210 milhões a mais do que deveria numa ação de indenização movida por empresário amigo do ex-ministro das Comunicações Hélio Costa, pré-candidato ao governo de Minas Gerais.

Ela e a Embratel eram rés na ação judicial e foram condenadas a pagar, cada uma, indenização de R$ 506 milhões à VT Um Produções e Empreendimentos, de Uajdi Menezes Moreira, amigo de Costa há mais de 30 anos. Os dois foram companheiros de trabalho na TV Globo.

Em junho de 2006, a Telebrás firmou acordo extrajudicial com a empresa no valor de R$ 253,9 milhões para encerrar a discussão. A estatal é vinculada ao Ministério das Comunicações, e Hélio Costa (PMDB) era o titular da pasta quando o acordo foi fechado.

Já a Embratel, do grupo mexicano Telmex, encerrou a discussão um ano antes por um sexto do valor pactuado pela Telebrás: R$ 44 milhões. A Folha teve acesso com exclusividade ao documento assinado pela Embratel em 28 de fevereiro de 2005.

O contrato foi mantido em sigilo, e nem o Ministério Público Federal teve acesso a ele. A diferença brutal de valores mostra que a Telebrás desembolsou muito mais do que deveria para encerrar a discussão judicial.
O ex-presidente da Telebrás Jorge Motta e Silva, que assinou o acordo com a VT Um, disse que desconhecia o valor pago pela Embratel. Disse que a Telebrás pediu à Justiça para ter acesso ao acordo da Embratel, mas que o pedido foi negado. “”Você acha que, se soubesse dos R$ 44 milhões, eu teria fechado o acordo por valor maior”?

A AÇÃO
A VT Um Produções e Empreendimentos entrou com a ação judicial contra as duas teles em 1998, um mês antes da privatização da Telebrás.

A empresa tinha firmado um contrato com a Embratel (então controlada pela Telebrás), em 1994, para vender serviços a terceiros usando o sistema de telefones 0900, em que a fatura era lançada na conta telefônica do usuário. Cabia a Embratel repassar o pagamento à empresa.

A Embratel rompeu o contrato com a VT Um em 1995. A ação de indenização contra a Telebrás e a Embratel correu em Brasília. Quando a sentença foi confirmada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, a Embratel fez o acordo com a VT Um. Quem assinou o contrato pela Embratel foi seu então presidente Carlos Henrique Moreira.

O processo continuou contra a Telebrás, sendo confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça. No dia 9 de junho de 2006, o então presidente da Telebrás, Jorge da Motta e Silva assinou o acordo para pagar R$ 253,9 milhões.
Do total, R$ 95,5 milhões foram pagos em dinheiro (R$ 59,5 milhões à vista e 40 parcelas mensais de R$ 900 mil). O resto foi pago com direitos de crédito de ações contra a Telesp e a Fazenda Nacional.

TCU
No início deste ano, o Ministério Público Federal decidiu reexaminar o caso e enviou o processo ao procurador federal junto ao TCU (Tribunal de Contas da União), Marinus Marsico. O parecer de Marsico, divulgado há duas semanas, foi de que o cálculo da indenização feito pela perícia judicial foi superestimado em R$ 169 milhões e que a indenização devida seria de R$ 84,3 milhões.

Segundo Marsico, o Ministério Público Federal também desconhecia o valor do acordo feito pela Embratel. Ele considerou o contrato “”prova importantíssima” de que houve pagamento indevido pela Telebrás e “”enorme prejuízo para o erário”.

Elvira Lobato – Folha de São Paulo

Der Spiegel:Lula na primeira divisão mundial

Transpirando autoconfiança, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva está elevando o status global do seu país ao protagonizar um número cada vez maior de iniciativas na área de política internacional. Na mais recente dessas ações, ele convenceu o Irã a concordar com um polêmico acordo nuclear. Poderia este acordo proporcionar uma oportunidade para que sejam evitadas sanções e guerra?

Ele foi acusado de ser muitas coisas no passado, incluindo um comunista, um proletário grosseiro e um alcoólatra. Mas a época dessas acusações acabou há muito tempo. À medida que o Brasil cresce para tornar-se uma nova potência econômica, a reputação do presidente brasileiro cresce de forma meteórica. Hoje em dia muita gente vê o presidente como um herói do hemisfério sul e um importante contrapeso em relação a Washington, Bruxelas e Pequim. A revista de notícias norte-americana “Time” foi além, duas semanas atrás, ao afirmar que ele é “o líder político mais influente do mundo”, colocando-o à frente até mesmo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. No Brasil, muita gente vê em Lula da Silva um candidato ao Prêmio Nobel da Paz.

Nova estratégia de segurança dos EUA admite peso do Brasil no mundo

A Nova Estratégia de Segurança dos Estados Unidos, anunciada nesta quinta-feira (27) pela Casa Branca, elogia as políticas econômicas e sociais do Brasil, reconhece o país como guardião de “patrimônio ambiental único” e dá as “boas-vindas” à influência de Brasília no mundo.

E agora este homem, Luiz Inácio da Silva, 64, apelidado de “Lula”, que passou a infância em um cortiço como filho de pais analfabetos, conseguiu mais outra vitória política no exterior. Em uma reunião que foi uma verdadeira maratona política, ele negociou um acordo nuclear com a liderança iraniana. Na última segunda-feira, ele apareceu triunfante ao lado do primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan e do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Os três líderes chegaram a um acordo que eles acreditam que retirará da agenda internacional as previstas sanções da Organização da Nações Unidas (ONU) contra o Irã devido ao possível programa de armas nucleares do país. O Ocidente, que vinha fazendo pressões pela adoção de medidas punitivas mais duras contra o Irã, pareceu ter sido feito de bobo, e até ter sido pego de surpresa.

Mas o contra-ataque de Washington veio no dia seguinte, abrindo um novo capítulo nesta acalorada disputa nuclear, na qual Pequim, em especial, há muito vem resistindo a adotar uma abordagem mais dura. A secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton anunciou: “Nós chegamos a um acordo baseado em medidas fortes com a cooperação tanto da Rússia quanto da China”. O texto relativo às sanções planejadas contra o Irã foi enviado a todos os membros do Conselho de Segurança da ONU, incluindo o Brasil e a Turquia. Os dois países são membros eleitos para ocuparem durante dois anos esse conselho que têm 15 integrantes, e que precisa aceitar uma resolução com pelo menos nove votos para que esta possa ser implementada.

Os Estados Unidos mostram-se irredutíveis quanto às sanções

Clinton agradeceu especificamente a Lula pelos seus “esforços sinceros”. Mas a sua expressão indicava claramente que ela viu os esforços de lula mais como um impedimento do que como uma ajuda. “Nós estamos procurando o apoio da comunidade internacional a uma resolução composta de sanções fortes que, segundo o nosso ponto de vista, constituir-se-ão em uma mensagem muito clara a respeito daquilo que se espera do Irã”, afirmou Hillary Clinton.

Mas a abordagem menos confrontativa de Lula nesta disputa nuclear não seria muito mais promissora? Seria tão fácil assim desacelerar o “Lula Superstar”, que conta com o apoio da Turquia, um país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)? Quem quer que tenha acompanhado a carreira de Lula achará difícil acreditar nisso. Este homem sempre superou todas as resistências, e todos os cenários desfavoráveis com os quais se defrontou.

O pai dele abandonou a família quando Lula era bem novo, e a mãe mudou-se com os oito filhos do nordeste do Brasil para o sul industrializado, onde ela esperava aumentar as chances de sucesso da família. Lula só aprendeu a ler e a escrever aos dez anos de idade. Quando criança, ele ajudou a sustentar a família trabalhando como engraxate e vendedor de frutas, e também como operário de uma fábrica de tintas. Ele acabou conseguindo fazer um curso de torneiro mecânico. Quando Lula tinha 25 anos de idade, a mulher dele, Maria, e o seu filho ainda não nascido morreram porque a família não tinha condições de pagar por atendimento médico adequado.

Lula tornou-se politicamente ativo quando era jovem, ao ingressar em um sindicato e organizar greves ilegais na época da ditadura militar. Ele foi preso várias vezes na década de oitenta. Insatisfeito com os esquerdistas clássicos, ele fundou o seu próprio Partido dos Trabalhadores, que gradualmente transformou-se de um partido marxista em uma agremiação social-democrata. Ele concorreu três vezes, sem sucesso, à presidência, até que, na quarta vez, venceu a eleição presidencial de 2002 com uma vantagem significante sobre o seu adversário. Foram os indivíduos mais pobres que, em um país de extremos contrastes econômicos, depositaram as suas esperanças no carismático líder trabalhista. Quando Lula venceu a eleição, os indivíduos extremamente ricos, temendo que os seus bens fossem desapropriados, mantiveram os seus aviões a jato particulares abastecidos, prontos para decolar.

O herói dos pobres distanciou-se de revoluções

Mas aqueles que esperavam ou que temiam uma revolução no Brasil ficaram surpresos. Após tomar posse, Lula levou alguns dos membros do seu gabinete a uma favela, e lançou um programa de grande escala chamado “Fome Zero” para aliviar os sofrimentos dos desprivilegiados. Mas ele não assustou os mercados. Aumentos dos preços das commodities e uma política econômica moderna que enfatizou os investimentos estrangeiros, a educação nacional e recursos para treinamento ajudaram Lula a se reeleger em 2006.

O mandato dele termina em dezembro, e Lula não poderá disputar novamente a reeleição. Ele colocou a casa em ordem e cultivou uma potencial sucessora. Mas o presidente autoconfiante deseja evidentemente deixar também um legado político: ele considera uma missão sua transformar o Brasil, com a sua população de 196 milhões de habitantes, em uma grande potência mundial, bem como assegurar uma cadeira permanente para o seu país no Conselho de Segurança da ONU.

Lula reconheceu que manter boas relações com Washington, Londres e Moscou é algo que ajuda o Brasil a tentar alcançar essa meta. Mas ele sabe também que vínculos fortes com países como a China e a Índia, bem como o Oriente Médio e os países africanos, poderiam ser ainda mais importantes. Ele se considera um homem do “sul”, e um líder dos pobres e desfavorecidos. E, é claro, ele também reconhece as mudanças que estão ocorrendo. No ano passado, por exemplo, a República Popular da China ultrapassou os Estados Unidos como o maior parceiro comercial do Brasil pela primeira vez na história.

Lula é o único chefe de Estado que participou tanto do exclusivo Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, quanto do Fórum Social Mundial, que criticou a globalização, na cidade de Porto Alegre, no Brasil. Ele é um viajante infatigável, tendo visitado 25 países só na África, muitos países asiáticos e quase todos as nações da América Latina – levando sempre consigo uma delegação econômica. Lula prega incansavelmente a sua crença em um mundo multipolar. E, como Lula é um orador carismático e um “autêntico” líder trabalhista, multidões em todo o mundo o saúdam como se ele fosse um pop star. Na reunião de cúpula do G20 em 2009, em Londres, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que aparentemente é um fã de Lula, afirmou: “Eu adoro esse cara”.

No entanto, Obama não pode mais ter certeza de que Lula é de fato “o seu cara de confiança”. O brasileiro está ficando cada vez mais autoconfiante à medida que se distancia de Washington e, às vezes, chega até a buscar a confrontação com os norte-americanos.

Autoconfiança cada vez maior

O caso de Honduras é um exemplo dessa tendência. Os Estados Unidos, que sempre viram a América Central como o seu quintal, ficaram perplexos quando Lula concedeu abrigo ao presidente deposto Manual Zelaya na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa no ano passado e exigiu que tivesse uma voz no processo para solucionar o conflito. Ao recusar-se a reconhecer o novo presidente, Brasília se opôs ostensivamente a Obama.

Depois disso, as coisas aconteceram muito rapidamente. Lula viajou a Cuba, onde reuniu-se com Raul e Fidel Castro e pediu um fim imediato do embargo econômico norte-americano à ilha. Para a alegria dos seus anfitriões, ele comparou os críticos do regime que sofrem nas prisões de Havana a criminosos comuns. Lula também fez questão de aparecer junto ao presidente venezuelano Hugo Chávez, que não poupa críticas a Washington e que está amordaçando cada vez mais a imprensa no seu país. Em uma entrevista a “Der Spiegel”, Lula definiu o líder autocrático como “o melhor presidente da Venezuela em cem anos”.

E quando recebeu Ahmadinejad em Brasília alguns meses atrás, Lula cumprimentou o presidente iraniano pela sua suposta vitória eleitoral impecável e comparou o movimento oposicionista iraniano a torcedores de futebol frustrados. Ele afirmou que o Brasil também não permitiria que ninguém interferisse com o seu programa nuclear “obviamente pacífico”.

Apesar dessa aproximação, muita gente manifestou ceticismo quando Lula seguiu para Teerã a fim de negociar um acordo nuclear com a liderança iraniana, especialmente depois que os iranianos não demonstraram quase nenhuma disposição para ceder nos meses anteriores. Em uma entrevista coletiva à imprensa com Lula, o presidente russo Dmitry Medvedev disse que a probabilidade de um acordo mediado pelo Brasil seria de no máximo 30%. Lula retrucou, dizendo: “Eu diria que as chances são de 99%”. Lá estava novamente em evidência o ego pronunciado do astro político em ascensão. “Ele acredita ser um trabalhador milagroso que é capaz de obter sucesso onde outros fracassaram”, diz Michael Shifter, um especialista norte-americano em América Latina.

Vitória inédita ou fracasso?

Neste momento, só existem indícios circunstanciais de que uma “vitória inédita” foi alcançada em Teerã após 17 horas de negociações. É também possível que a reunião tenha sido, na verdade, aquilo que o jornal alemão “Frankfurter Allgemeine Zeitung” classificou como um “fracasso”, ou apenas mais uma forma encontrada pelos iranianos, que em outras ocasiões foram frequentemente evasivos, para novamente paralisarem as iniciativas internacionais contra o seu programa nuclear.

Autoridades da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em Viena afirmaram cautelosamente que qualquer fato novo no sentido de que se chegue a um acordo nuclear se constitui em um progresso. Os inspetores da AIEA são responsáveis por inspecionar as instalações nucleares de todo o mundo em nome da ONU. Eles recentemente descobriram mais indícios de um programa iraniano ilegal de armas nucleares e pediram a Teerã que cooperasse mais. A avaliação dos especialistas da agência, cuja comunicação com Teerã nunca foi interrompida e que jamais afirmaram algo que não fossem capazes de provar, terá agora muito peso. O fato de os iranianos só se disporem a apresentar o texto do acordo à AIEA “em uma semana” gerou dúvidas.

Os governos ocidentais têm manifestado muito ceticismo, e a resolução da ONU que Hillary Clinton tornou pública pouco depois do acordo de Teerã aparentemente deixou os israelenses preocupados. Alguns membros do governo de linha dura do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu estão criticando abertamente o acordo como sendo uma artimanha para aliviar a pressão internacional que é exercida sobre Teerã. O ministro israelense do comércio Benjamin Ben-Elieser afirma que Teerã está aparentemente “tentando novamente ludibriar o mundo inteiro”.

O acordo proporciona uma brecha ao Irã

O instituto norte-americano ISIS, que sempre defendeu uma solução negociada e que acredita que a “opção militar” para resolver a questão nuclear iraniana é impensável, fez uma análise inteligente do acordo Lula-Ahmadinejad-Erdogan. Na análise, os especialistas nucleares independentes do instituto divulgaram as suas preocupações e observaram os pontos fracos do texto do acordo que foi revelado até o momento.

Os iranianos só concordam em enviar 1.200 quilogramas do seu urânio de baixo teor de enriquecimento à Turquia, para receberem em troca combustível para o seu reator de pesquisas em Teerã. As dimensões do acordo correspondem àquelas de um outro acordo proposto pela AIEA em outubro do ano passado, segundo o qual mais de três quartos do urânio produzido no Irã seriam mandados para fora do país, fazendo desta forma com que a fabricação de uma bomba atômica se tornasse impossível. A ideia era que isso fosse uma medida fomentadora de confiança para proporcionar espaço para negociações.

No entanto, o acordo atual ignora o fato de que o Irã, após ter colocado em funcionamento as suas centrífugas em Natanz, aparentemente já conta com mais de 2.300 quilogramas de urânio. Em outras palavras, o acordo possibilitaria que Teerã ficasse com quase a metade desse material, que é um ingrediente básico para uma bomba nuclear, de forma que o Irã ainda contasse com matéria prima suficiente para atingir a “capacidade mínima” de fabricação de armas nucleares.

O acordo também proporciona uma brecha a Teerã: ele concede à liderança iraniana o direito de pegar o seu urânio de volta da Turquia se, na sua opinião, qualquer cláusula do texto oficial “não for cumprida”. E o mais importante é que o acordo não exige que Teerã suspenda o processo de enriquecimento de urânio. “Nós nem sonharíamos em fazer isso”, declarou uma autoridade iraniana. Mas é isso precisamente que a ONU exigiu inequivocamente com aquilo que a esta altura já são três rodadas de sanções.

Essas objeções todas não preocupam Lula. Ele demonstrou que não pode mais ser ignorado no cenário internacional. Na última terça-feira, os amigos do presidente brasileiro elogiavam os seus esforços no sentido de fomentar a paz durante a reunião de cúpula América Latina-União Europeia em Madri. A participação do presidente tinha como objetivo demonstrar que a “lula” possui vários braços. Ele provou que é capaz de nadar na companhia de grandes tubarões.

Por trás dos bastidores, o Lula Superstar gosta de falar sobre como obrigou os diplomatas brasileiros a abandonarem a “síndrome de vira-latas”, o seu termo para designar o profundamente arraigado complexo de inferioridade que os brasileiros demonstravam até recentemente em relação aos norte-americanos e aos europeus.

O fato ocorreu em 2003, na primeira aparição internacional importante de Lula, na reunião de cúpula do G8, em Evian, na França. Um grupo de pessoas estava sentado no saguão do hotel onde ocorria a conferência, aguardando o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Quando os norte-americanos finalmente entraram no recinto, todos se levantaram – menos Lula, que ordenou ao seu ministro das Relações Exteriores que também permanecesse sentado. “Eu não participarei desta subserviência”, declarou o presidente brasileiro. “Afinal, ninguém se levantou quando eu entrei”.

Der  Spiegel
Erich Follath e Jens Glüsing

Google divulga 1000 sites mais visitados

O Google divulgou hoje uma lista com os 1.000 sites mais visitados da web. Chamado de Ad Planner Top 1000 Sites, o relatório leva em considerações apenas visitantes únicos que usaram o serviço de buscas para chegar ao seu destino.

Como de costume, o Facebook está no topo da lista. Com 540 mil visitas únicas –  um alcance global de 35% – , o Facebook atingiu, em abril, 570 bilhões de pageviews.

Na sequência, aparecem Yahoo, com 490 milhões visitas únicas, seguido do Live.com, com 370 milhões de acessos, da Wikipedia, com 310 milhões, e do portal MSN, com 280 milhões.

A relação completa pode ser acessada aqui.

Entre as redes sociais, o Twitter aparece na 18º colocação, seguido do MySpace, na 26,º e do Flickr, na 31º posição.

O primeiro site brasileiro a aparecer na lista é o UOL, na 95º colocação, com 23 milhões de acessos únicos, 4 bilhões de pageviews e um alcance global de 1,5%.

Publicada mensalmente, o relatório aponta o número de visitantes únicos, número de páginas vistas, e chegar a cada um dos sites incluídos. É uma ótima maneira de referência rápida dos sites mais populares na web.

A lista não leva em consideração sites adultos, redes de anúncios, domínios que não têm conteúdo publicamente visível ou que não carregam corretamente, e alguns sites do Google.

Morre Garry Coleman, de ‘Arnold’

Garry Coleman, de

O ex-astro infantil Gary Coleman, que ficou famoso com o seriado “Minha Família é uma Bagunça” (1978-86), mas enfrentou problemas pessoais na vida adulta, morreu nesta sexta-feira em um hospital de Utah aos 42 anos, vítima de uma hemorragia cerebral.

Arnold Jackson, o personagem que o tornou conhecido, era o herdeiro adotado e falastrão de uma rica família de Nova York. Seu bordão “Do que você está falando, Willis?”, dirigido ao irmão, virou mania na época.

Quando a série saiu do ar, a carreira de Coleman desandou, e ele passou a enfrentar problemas financeiros, jurídicos e domésticos.

John Alcantar, agente dele, disse em nota que o ator faleceu “rápida e pacificamente” após o desligamento dos aparelhos, cercado pela esposa e por parentes.

Coleman, que sofria de uma doença renal congênita que afetou seu crescimento, foi internado na noite de quarta-feira após sofrer uma hemorragia cerebral na sua casa, em Santaquin, Utah. A imprensa disse que ele caiu e bateu a cabeça.

Na quinta-feira à tarde, seu quadro se agravou. Ele perdeu a consciência e foi colocado sob auxílio de aparelhos.

Nascido em 8 de fevereiro de 1968 em Zion, Illinois, Coleman era filho adotivo e, por causa de uma doença autoimune chamada glomeruloescrelose segmental focal, cresceu apenas até 1,42 metros e precisou de dois transplantes de rins ao longo da vida.

Por causa da altura, ele pôde continuar fazendo papel de criança em “Minha Família é uma Bagunça” até os 18 anos, período em que ganhou milhões de dólares. O canal a cabo VH1 certa vez o escolheu como maior astro infantil da TV dos EUA.

Como adulto, entretanto, sua carreira não decolou. Participou de filmes que iam direto para o vídeo, e virou símbolo do ostracismo de ex-astros de Hollywood.

Em 1989, processou os pais e um ex-agente, acusando-os de prejudicarem suas finanças, e chegou a trabalhar como segurança. Em 2003, foi candidato a governador da Califórnia, mas o escolhido acabou sendo outro ator: Arnold Schwarzenegger.

Em 1998, Coleman foi processado depois de bater numa mulher que pedira seu autógrafo, em uma das várias confusões em que se meteu. Em janeiro deste ano, ele foi detido em Utah sob acusação de violência doméstica, mas ele e a esposa permaneceram juntos.

Em janeiro de 2010, ele foi acusado de violência doméstica.

Diretor da Globo cobra R$ 60 mi de empresário da TV

O diretor da Globo Roberto Talma cobra R$ 60 milhões do empresário Uajdi Almeida por quadros que produziu para TV para divulgar o serviço de 0900, em 1994. Almeida vendeu as peças para Telebras e Embratel.

A parceria entre Uajdi-Talma era promissora, mas as estatais romperam o contrato unilateralmente. O empresário processou as companhias e, em 2006, recebeu R$ 253,9 milhões – valor questionado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O Ministério Público da corte acha que o total é indevido.

À época, o Ministério das Comunicações, ao qual a estatal é subordinada, estava sob o comando de Hélio Costa, amigo de Uajdi. O alicerce para a ação de Talma é um contrato particular em que Uajdi repassaria 20% do que ganhasse na causa judicial relacionada ao serviço 0900. Os advogados de Talma alegam que Uajdi não cumpriu o contrato.

Costa afirma que o pagamento foi feito pela Telebras por determinação judicial contra a qual não cabia mais possibilidade de recurso e sem qualquer participação sua, fato reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal.

Com informações da Folha de S.Paulo.

SBT: dívida do SBT está em R$ 180 milhões

O Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) planeja captar até R$ 100 milhões com sua primeira oferta de debêntures. O objetivo é ampliar investimentos na programação e faturar 16% a mais em 2010.

O grupo, comandado pelo empresário e apresentador de TV Silvio Santos, aposta no lançamento de novelas e telejornais.

A emissora pretende colocar as debêntures no mercado até setembro. José Roberto dos Santos Maciel, diretor-geral de administração e finanças da divisão de comunicações do grupo, disse que espera que o custo da captação fique entre 120% e 125% do Certificado de Depósito Interfinanceiro, o CDI.

O mercado publicitário brasileiro cresceu 35% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2009, segundo o Projeto Inter-meios, que pertence à revista Meio & Mensagem e que consolida dados do setor com ajuda de veículos de comunicação.

Os gastos dos anunciantes atingiram R$ 5,4 bilhões. As TVs abertas e fechadas ficaram com 63% desse mercado.

“As novelas e o telejornalismo recebem mais de 50% desse dinheiro da televisão”, disse Maciel em entrevista concedida ontem (25) na sede do SBT, em São Paulo. “Não podemos ficar fora desse segmento”, acrescentou o executivo.

A terceira maior rede de TV do Brasil em audiência fechou 2009 com faturamento de R$ 689 milhões. Para este ano, a empresa busca atingir cerca de R$ 800 milhões. Por causa dos investimentos, o executivo diz que as margens não vão crescer.

O SBT lucrou R$ 40 milhões no ano passado e vai investir R$ 25 milhões este ano, 25% a mais que em 2009.

“Consolidar audiência”

“Quando você não é o número um em audiência, tem que primeiro investir, colocar a programação no ar, consolidar a audiência para só depois atrair maior faturamento.”

A dívida líquida do SBT está hoje em R$ 180 milhões. Um terço desse volume foi renegociado em abril no mercado bancário.

Com a operação, o vencimento de R$ 60 milhões foi alongado de 338 dias para 36 meses. Mas outros R$ 120 milhões ainda têm duração de 248 dias.

O executivo disse que o SBT vai alongar a duração média de toda dívida para pelo menos dois anos com a oferta dessas debêntures.

O SBT chegou a analisar junto a bancos este ano o lançamento de bônus no exterior numa operação que começaria com US$ 30 milhões, em colocação junto a investidores Institucionais, disse Maciel.

Segundo ele, o processo foi interrompido por causa da crise financeira na Europa.

TAM resgata design das décadas de 70 e 90

Os passageiros da ponte aérea Rio-São Paulo da TAM podem contar com um plus no visual de duas aeronaves. Para reviver as décadas de 70 e 90, a TAM readaptou aviões com design retrô.

Batizado de Vintage, o projeto repaginou as aeronaves com o objetivo de resgatar a memória e valorizar a cultura da empresa.

O estilo retô começa desde o embarque, onde os passageiros passam por um tapete vermelho e são recepcionados por comandantes, copilotos e comissários vestidos com uniformes desenhados segundo o figurino da época.

O interior dos aviões é ambientado de acordo com os modelos originais, inclusive com tecidos idênticos aos utilizados no passado.

O vídeo de segurança, exibido minutos antes da decolagem, foi produzido especialmente para as duas aeronaves Vintage e emprega uma linguagem descontraída e elementos de época, como figurino dos atores, animações e locução.

O serviço de bordo também foi personalizado para o projeto e será exclusivo para as duas aeronaves.

As refeições são servidas na famosa e clássica maleta da década de 70. Os copos exibem logomarcas de época, e até mesmo o jornal de bordo fará uma viagem no tempo: nas páginas do Primeira Chamada, os passageiros poderão ler anúncios antigos.

As duas aeronaves A319 receberam pinturas especiais. A primeira conta com o layout utilizado na década de 70, quando foram iniciadas as operações da companhia aérea regional. A segunda traz o layout da década de 90, momento de grande expansão da TAM.

Ambas vão operar exclusivamente as rotas de ida e volta entre Rio de Janeiro (Santos Dumont) e São Paulo (Congonhas), em todos os dias da semana. Segundo a companhia, não há alterações nos valores das passagens.

Museu

O projeto Vintage está inserido em um trabalho maior: a reforma e ampliação do Museu TAM, em São Carlos, interior de São Paulo.

Morre Fernando Veronezi programador musical da rádio Guaiba

O rádio gaúcho está de luto. Morreu, nesta noite, vítima de falência múltipla dos órgãos, o programador musical Fernando Veronezi, que atuou por mais de cinco décadas na Rádio Guaíba. Em 14 de fevereiro, ele internou-se para uma cirurgia de extração da vesícula, no Hospital Divina Providência, onde permaneceu, durante todo este período.

A história de Veronezi se confunde com a da Rádio Guaíba. Até bem pouco tempo, ele era o responsável pela programação musical da emissora, tanto na AM quanto na FM.

O programa que assinava, “Noturno Guaíba”, começou a ser veiculado em julho de 1985 e ficou por mais de duas décadas no ar. Tradicionalmente apresentado da meia-noite à 1h da madrugada, o programa era especializado em música da velha guarda brasileira, tangos, boleros e canções latinas. Para isso, Veronezi utilizava o enorme acervo musical da rádio, que chegou a contar com quase 2 mil exemplares, parte deles trazida pelo próprio progamador.

Veronezi, que entrou na Guaíba pouco depois da fundação da emissora, foi um dos que definiu, junto com o radialista Osmar Meletti, um padrão musical que atraiu milhares de fãs nas últimas décadas. Por muitos anos, ele teve o cuidado de armazenar em fitas as principais reportagens, a fim de preservar a memória radiofônica do Estado.

Em uma reportagem do site Coletiva.net, Veronezi contou que, quando chegou à Guaíba, foi apresentado a Arlindo Pasqualini, fundador da emissora. “Foi um dos momentos mais marcantes da minha vida. Foi o homem mais notável que conheci, tanto como cidadão quanto como profissional”, relatou.

Em entrevista à própria Guaíba, em 2003, ele contou que se sentia “um guri”, que tinha a rádio como “a própria casa” e que, em nenhum momento pensava em parar.

Fonte: Rádio Guaíba

Cigarro mata 200 mil pessoas por ano no Brasil

Apesar dos números alarmantes de mortes decorrentes do tabagismo – cerca de 200 mil pessoas são vítimas do tabaco todos os anos no Brasil e mais de 5 milhões morrem no mundo – no próximo Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado no dia 31 de maio, há motivos para comemorar. Isso porque, segundo dados do Ministério da Saúde, houve queda de 43,4% no consumo de cigarros no Brasil em 20 anos.

Entre os jovens, o índice foi ainda maior: existem 50% menos jovens fumantes do que em 1990. De acordo com estudo divulgado em 2009, o Vigitel, 14,8% dos jovens entre 18 e 24 anos tinham o hábito de fumar em 2008, contra 29% em 1989. O índice nacional é de 16,1%.

Foco nas mulheres
Neste ano, o tema do Dia Mundial Sem Tabaco escolhido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) é “Gênero e tabaco com uma ênfase no marketing para mulheres”. O foco da campanha é coibir o apelo de marketing da indústria do tabaco para aumentar a comercialização de cigarros entre o sexo feminino.

Dados da entidade revelam que o número de mulheres fumantes é relativamente menor que o dos homens. Estima-se que entre 1 bilhão de fumantes no mundo, apenas 200 milhões são mulheres. Elas são, portanto, uma grande possibilidade de expansão do mercado consumidor de produtos de tabaco.

Dos mais de 5 milhões de pessoas que morrem a cada ano pelo uso do tabaco, cerca de 1,5 milhões são mulheres. A menos que sejam tomadas medidas urgentes, o uso do tabaco poderá matar mais de 8 milhões de pessoas até 2030, dos quais 2,5 milhões serão mulheres. Cerca de três quartos dessas mortes poderão ocorrer em mulheres de baixa renda e nos países de renda média.

“As mulheres ainda são minoria, mas em cerca de 20 anos o número de mulheres fumantes dobrou”, revela o primeiro-secretário da SBMFC (Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade), Oscarino Barreto. Segundo ele, a progressiva inserção da mulher no mercado de trabalho e na sociedade pode ter contribuído para o aumento no índice. “Observamos também que mais mulheres estão desenvolvendo câncer nos últimos anos e isso pode ter relação direta com o cigarro”, aponta.

Campanhas ajudam a deixar o vício
Para o presidente do Simesp (Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo), Cid Carvalhaes, campanhas como o Dia Mundial Sem Tabaco ajudam os fumantes a largar o vício e procurar ajuda médica.

“Antigamente, nos filmes dos anos 40 e 50, praticamente todos os personagens fumavam, empregando ao cigarro um status importante no comportamento. Hoje em dia, fumar virou politicamente incorreto”, explica o médico. Outra contribuição são as leis que proíbem o fumo em ambiente fechados e públicos.

O Estado de São Paulo sancionou a Lei Antifumo em agosto do ano passado. A medida acompanha uma tendência internacional de restrição ao fumo, adotada em cidades como Nova York, Londres, Paris e Buenos Aires. “A lei estadual ajudou muito, porque no primeiro momento ninguém queria levar multa. Gradualmente as pessoas perceberam os benefícios de um ambiente livre do cigarro”, diz Carvalhaes.

Apesar das campanhas, largar o cigarro não é fácil. Um estudo da OMS apontou que, em média, os efeitos do tabaco no organismo só desaparecem após 20 anos do fumante largar o vício. “Se as pessoas soubessem o que o cigarro causa no nosso corpo, certamente nunca chegariam perto do tabaco”, afirma o presidente do Simesp.

Entre os problemas de saúde estão dificuldade circulatória, inflamações nas artérias, infarto agudo do miocárdio, obstrução das artérias cerebrais, câncer de pulmão e doenças pulmonares graves, como o enfisema pulmonar. O Brasil gasta cerca de 5 bilhões com doenças decorrentes do cigarro todos os anos.

Dicas para parar de fumar
Deixar de ascender um cigarro é difícil, mas não uma missão impossível. “O principal é a vontade do fumante em parar. A família, nessa hora, é fundamental no sentido de dar apoio à decisão”, garante Oscarino Barreto.

O médico separou algumas dicas que ajudam o fumante em sua luta diária:
– Fumar o primeiro cigarro do dia o mais tarde possível;
– Evitar fumar último cigarro do dia perto da hora de dormir;
– Evitar fumar após o café (não há relação científica entre nicotina e cafeína, mas há uma questão cultural no hábito de ascender o cigarro após a ingestão do café);
– No momento em que atingir a meta de 10 cigarros por dia, parar completamente de fumar.

Caso o fumante não consiga largar o vício sozinho, deve procurar seu médico e tentar frequentar grupos antitabagismo. “Nestes grupos são fornecidos chicletes e adesivos de nicotina que ajudam, além do apoio psicológico”, destaca Barreto.

Angela Martins/Reporter Diário
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