Troca de lixo reciclável por créditos na luz


Programa  reciclou cerca de 8.500 ton de lixo e concedeu descontos nas contas de  quase R$ 1 mi

AE

Programa reciclou cerca de 8.500 ton de lixo e concedeu descontos nas contas de quase R$ 1 mi

– Trocar lixo por créditos de energia se transformou em uma fonte adicional de renda para famílias pobres do Ceará graças a um programa de reciclagem que, além disso, ajuda a preservar o meio ambiente e promove a inclusão social.O programa Ecoelce, implantado em fevereiro de 2007 pela distribuidora de energia elétrica Coelce, empresa do grupo espanhol Endesa e que atua no Ceará, estimula seus clientes residenciais e empresariais a separar os resíduos sólidos e entregá-los em pontos de coleta onde são pesados e transformados em créditos em reais para o pagamento das contas de luz.

Os benefícios do programa não se limitam aos usuários que entregam os materiais recicláveis, tais como plástico, papel, papelão, vidro e metais, mas se estende a cooperativas de bairros pobres aos quais a empresa doa os resíduos para a fabricação de canos e vassouras, entre outros artigos.

A iniciativa recebeu nesta quarta-feira uma menção na seção espanhola do Prêmio Europeu do Meio Ambiente à Empresa 2009/2010 na categoria de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento Sustentável.

Desde que foi implantado, o Ecoelce recebeu a inscrição de 220 mil clientes. O programa reciclou cerca de 8.500 toneladas de materiais e concedeu descontos nas contas de luz de quase R$ 1 milhão.

Com os créditos acumulados, muitos clientes de baixa renda acabaram zerando a fatura. É o caso de Maria Gorete Costa Oliveira, de 50 anos, moradora do bairro Vila Ellery, em Fortaleza. Ela não paga a conta de luz há 17 meses. “Antes pagávamos uns R$ 50 de luz, e o só fato de não ter que pagar essa conta já nos deixa satisfeitos”, explica a mulher, visitante assídua de um dos 60 pontos de coleta de materiais recicláveis distribuídos por todo o Ceará.

‘Conscientização verde’

As empresas ou clientes de alta renda que se inscreveram no programa pagam normalmente suas contas de luz e doam os créditos obtidos com a reciclagem a sete instituições beneficentes previamente inscritas no Ecoelce. Segundo o diretor de Relações Institucionais, Comunicação e Responsabilidade Social da Endesa Brasil, Eugenio Cabanes Durán, há gente que não precisa dos créditos de energia, mas se inscreve no programa por “consciência ecológica”. “O Ecoelce sintetiza o compromisso da Endesa com a sustentabilidade ao contemplar simultaneamente aspectos sociais, econômicos e ambientais”, disse Cabanes à Efe.

A Endesa Brasil, que opera nas áreas de geração, transmissão e distribuição de energia, considera que o balanço do programa Ecoelce em seus primeiros três anos é mais do que satisfatório. As 2,35 toneladas de papel recicladas evitaram o corte de 79 mil árvores e permitiram uma economia de 220 milhões de litros de água, por exemplo.

Mais recentemente, o programa começou a receber também embalagens longa vida e óleo de cozinha usado. A iniciativa foi estendida pela empresa à Ampla, distribuidora de energia no estado do Rio de Janeiro, e tomada pela Endesa como projeto piloto para sua implantação progressiva nas demais empresas do grupo na América Latina. “O Ecoelce é um exemplo do que se pode fazer com poucos recursos financeiros orientados a resultados concretos”, apontou Cabanes.

O Ecoelce foi agraciado em 2008 no World Business and Development Awards, premiação organizada pela ONU para reconhecer a contribuição de empresas aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

EFE

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