Gazeta Mercantil: dá férias coletivas e para


Nota atualizada sexta dia 29 de maio:

A Gazeta Mercantil pode deixar de circular a partir da próxima segunda-feira. A Editora JB, que pertence à Cia. Brasileira de Multimídia (CBM), do empresário Nelson Tanure, manteve a decisão de suspender o licenciamento e o uso da marca para publicação do jornal a partir de 1º de junho. Ainda sem saber se a edição desta sexta-feira será sua última, a empresa concedeu férias coletivas de 30 dias para os funcionários.

Segundo funcionários do jornal, além do passivo trabalhista herdado com o arrendamento da marca, dívidas tributárias referentes ao não recolhimento de impostos, no valor de R$ 32 milhões que venceram em maio foram a gota d´água para Nelson Tanure desistir do negócio.
As férias coletivas representam uma tentativa de ganhar tempo. A CBM não tem mais interesse na Gazeta Mercantil, mas acenou com três possibilidades: 1) Luiz Fernando Levy (atual dono e filho do fundador da publicação) reassumirá o negócio; 2) o diário passará a ser administrado por uma cooperativa formada pelos atuais funcionários; ou 3) a estrutura atual será mantida, mas sob uma nova marca.

Além das férias, a CBM teria se comprometido a pagar mais 30 dias, em caráter de aviso prévio, caso não haja uma forma de ressuscitar a publicação. Nesta quinta-feira, o grupo terminou de pagar os salários de todos os funcionários referentes ao mês de abril.
…………….
Em reunião com os editores executivos da Gazeta Mercantil na tarde de ontem, a direção da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM) confirmou a disposição de editar o diário, que existe há quase 90 anos, só até o fim deste mês.

Depois, disseram eles, caberá a Luiz Fernando Levy, filho do fundador do jornal, Herbert Levy, a responsabilidade de tocar a operação. A CBM encerra assim o contrato de licenciamento para edição e comercialização do título que havia assumido em dezembro de 2003. Levy confirmou aos funcionários, por telefone, o que já havia declarado há alguns dias, quando surgiu o boato da desistência da CBM (empresa de Nelson Tanure, dono do Grupo Docas Investimentos), que não pretende assumir a publicação do jornal.

Em entrevista ao jornal gaúcho Já, publicada na sexta-feira passada (dia 22), Levy declarou: “O Tanure quer devolver, mas é uma coisa unilateral, por enquanto. No fundo, a gente não desliga da Gazeta, mas, para mim, é definitivo: a hipótese da minha participação não existe. É uma decisão pessoal. Não vou ter ações de uma empresa de comunicação”.

Levy ainda disse que alguma solução terá de aparecer. O impasse é consequência do imenso passivo trabalhista do jornal, estimado em mais de R$ 200 milhões. Mas existem outros débitos, como o pagamento de royalties pelo uso do título.

Levy diz não estar sendo pago por Tanure há três meses. Os dois empresários não se entendem, segundo funcionários do jornal. Um atribui ao outro os passivos que precisam ser acertados. Aos funcionários do jornal, a direção da CBM informou ainda que espera a resposta de Levy até hoje, sobre o destino que ele quer dar ao título.

A CBM informou ainda que dará apoio financeiro a Levy caso ele queira dar continuidade ao projeto. A CBM não deu detalhes sobre o prazo da ajuda financeira. Para tranquilizar a equipe, de quase 100 pessoas, a direção da CBM disse também que pretende realocá-la em outras empresas do grupo de Tanure.

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