USP muda o vestibular da Fuvest


A Universidade de São Paulo (USP) pretende mudar o formato da Fuvest a partir deste ano, o que poderá facilitar o vestibular para estudantes de escolas públicas.

O jornal O Estado teve acesso a um documento que descreve as mudanças – preparado por um grupo de representantes da reitoria e de algumas unidades -, apresentado pouco antes do carnaval ao Conselho de Graduação da instituição.

Entre as modificação propostas, a primeira fase do exame deixaria de contar pontos para a nota final e a segunda etapa passaria a incluir questões de todas as disciplinas. A expectativa é de que o documento seja aprovado até maio.

No ano passado, 138 mil estudantes se inscreveram para a Fuvest, que é considerado o maior vestibular do País. O número, no entanto, foi o mais baixo registrado nos últimos 11 anos. Desde 2006, a USP vem implementando medidas para atrair mais candidatos que estudaram em escolas públicas para o exame .

O documento explica que a primeira fase da Fuvest deve ser “visualizada como um filtro de acesso para a segunda fase”, e por isso os pontos obtidos podem ser desconsiderados na próxima etapa. Dessa forma, ainda segundo o texto, “a segunda fase passa a ser disputada por candidatos de escolas públicas e particulares, que partirão das mesmas condições iniciais”. A USP ainda argumenta que a mudança pode reduzir a influência do preparo em cursinhos pré-vestibulares “que investem em treinamento intensivo para lidar com provas objetivas” e que não são acessíveis aos estudantes carentes.

Atualmente, a pontuação da primeira fase vale o equivalente à metade da nota final. Portanto, estudantes que conseguem apenas a chamada nota de corte – pontuação mínima necessária para ir para a próxima etapa – ficam em desvantagem na disputa. “Claramente, o intuito é facilitar a prova para os estudantes de escola pública, deixando todo mundo mais ou menos igual”, disse um professor da USP que participou da apresentação do projeto no dia 19, mas pediu que seu nome não fosse publicado.

O conselho reúne cerca de 50 pessoas, entre eles representantes das unidades da USP e alguns alunos.

A proposta deve ser votada em abril ou maio. Tradicionalmente, a pró-reitora consegue a aprovação de seus projetos no conselho, já que tem a maioria dos votos a favor.

SEGUNDA FASE

Para a coordenadora do Curso e Colégio Objetivo, Vera Lúcia da Costa Antunes, uma segunda fase que cobre todas as disciplinas também ajudaria estudantes menos preparados. Atualmente, apenas português e redação são obrigatórias para todos os candidatos. O restante das matérias – que pode variar de uma a três – é relacionado ao curso escolhido. “Hoje, dependendo do curso, o estudante tem de fazer dez questões de química, por exemplo. Para um aluno de escola pública, é melhor ter menos perguntas dissertativas de uma área que ele não domina”, avalia Vera Lúcia.

A intenção da USP é que a segunda fase seja feita em três dias. O primeiro continuaria a ter português e redação para todos. O segundo dia seria composto de 18 questões dissertativas de física, química, matemática, biologia, geografia e história. Outra novidade é que seis perguntas teriam de ser interdisciplinares, tendência que existe hoje só na primeira fase da Fuvest.

O Estado de SP

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Comentários

  • Maiara  On abril 3, 2009 at pm:46 pm

    Concordo totalmente com o que a Maria Antonia disse. O Brasil tem que preparar os alunos investindo na escola publica e não diminuindo o nível da fuvest. Se fosse colocado isso como debate dos alunos não somente os de escolas particulares mas sim os de escola publica pode ter certeza que muitos dirão que estão descontentes com a mudança de fuvest.

  • Nathália  On março 15, 2009 at pm:26 pm

    Do que adianta mudar o vestibular mais concorrido do País, fazendo com que o nível dentro na Universidade baixe? e esses profissionais pouco qualificados como ficarão no concorrido mercado de trabalho?como será um engenheiro que mal sabe fazer uma conta de multiplicar? isso cria um determinado tipo de preconceito,o governo precisa se concientizar e investir na educação de base e não querer facilitar o ingresso na faculdade.

  • Maria Antonia  On março 13, 2009 at am:44 am

    Mudar o vestibular da USP, mais concorrido do Brasil, uma das melhores Universidades do mundo, tendo como base a inclusão de alunos da rede publica, de nada adiantará. O governo precisa investir de fato em educaçao, capacitando melhor os professores, e oferecendo a eles salários dignos. Incluir alunos e baixar o nível da Universidade? É certo isso?
    Esse pensamento generalista pode em muito contribuir com tudo que ja foi debatido no ensino, infestar o mercado de profissionais mal preparados. Incluindo os alunos de escolas públicas, excluem-se a grande maioria da populacao de classe média, que se esforça para dar aos filhos um ensino melhor, já que o governo nao faz o seu papel na escola publica, mas ao final, nao tem condiçao financeira para arcar com um faculdade particular.
    O Brasil é um país de incoerências, que vive apagando incêndios, resolve um problema e cria outros. Os próximos excluídos serão os filhos da classe média, que é a locomotiva desse país chamado Brasil.

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